BLOG MARTINS ANDRADE E VOCÊ-JUSTIÇA DO TRABALHO DO BRASIL.

O mito da jabuticaba: a Justiça do Trabalho no mundo

Justiça do Trabalho é instrumento de garantia de direitos em todo o mundo civilizado

Alguns "Gênios" vivem a publicar que só existe Justiça do Trabalho no Brasil. Jamais se deram ao trabalho de ler outras informações.

Aliás, Mafalda, de Quino, já dizia: "Viver sem ler é perigoso, te faz crer no que te dizem".

Sobre o assunto, trago para os amigos do Blog Martins Andrade e Você, excelente artigo publicado no Blog do Jota, escrito por Rodrigo de Lacerda Carelli, que republico para os amigos, que visitam nossa página.

Um mito ideológico, fruto de ignorância ou má-fé, que se repete nesses tempos de pós-verdade é que a Justiça do Trabalho é uma jabuticaba, no sentido de que seria instituição  criada no Brasil e que só existe aqui. Aliás, essa é uma das formas típicas do brasileiro desmerecer a si mesmo: “só no Brasil”, costuma-se dizer, com pompa nórdica ou ares de lorde britânico, como se nada tivesse a ver com o que aqui ocorre.

Entretanto, os fatos não colaboram com o embuste: a Justiça do Trabalho existe em diversos países do mundo, tanto em países da common law, quanto da tradição da civil law, a qual herdamos do continente europeu.

+JOTA: Os 5 mitos da Justiça do Trabalho
+JOTA: Desvendando mais 5 mitos da Justiça do Trabalho

Na Inglaterra existe a estrutura dos Employments Tribunals, composta por primeiro e segundo grau especializados (Employment Appeal Tribunal). Recentemente, inclusive, a Suprema Corte britânica decidiu pela inconstitucionalidade da cobrança de custas processuais dos trabalhadores, entendo que a sua existência ofende o Estado Democrático de Direito, que pressupõe a possibilidade real de ajuizamento de ação por parte dos cidadãos, não admitindo qualquer empecilho ao Acesso à Justiça.

Temos vários outros exemplos na common law de existência do ramo judicial especializado, como na Nova Zelândia, onde se encontram Cortes especializadas em Direito do Trabalho (Employment Court) e em Hong Kong que, por sua vez, mantém o “The Labour Tribunal” para a resolução dos conflitos oriundos do trabalho.

A ocorrência da Justiça do Trabalho é farta nos países de tradição europeia continental. A Alemanha tem sistema idêntico ao brasileiro, com três instâncias especializadas: o juízo local de primeira instância, o tribunal estadual (Lander) e a corte superior federal trabalhista.

Na França temos os clássicos Conseils de prudhommes, de feição paritária entre empregados e empregadores, como o modelo original brasileiro. Na Bélgica há Justiça do Trabalho especializada em primeiro e segundo graus de jurisdição. Em Israel, da mesma forma, há cortes laborais especializadas

Nos países escandinavos, modelos incontestáveis de civilização e desenvolvimento, também temos Justiça do Trabalho. Na Suécia há corte trabalhista especializada, como acontece  na Noruega e na Finlândia.

Nos Estados Unidos e Canadá, apesar de não haver cortes especializadas, têm amplo acesso à Justiça por meio de juízes federais e estaduais.

Na América Latina encontramos tribunais especializados trabalhistas por todo o continente. Até no Chile, onde a ditadura de Pinochet extinguiu a Justiça do Trabalho em 1981, esta foi restabelecida plenamente em toda a sua estrutura de primeiro e segundo grau de jurisdição pelo governo democrático em 2005.

No México, até 2017 a Justiça do Trabalho era vinculada ao Poder Executivo, tendo sido recebido estrutura judicial autônoma por meio de reforma constitucional no início do ano.

Como vimos, a Justiça do Trabalho não é uma exclusividade brasileira. E com certeza, também não é nativa. A criação da Justiça do Trabalho na Nova Zelândia ocorreu no ano de 1894. Sim, 1894.

Na França, os prud’hommes existem desde a Idade Média para a resolução dos conflitos nas corporações de ofício. Para a resolução de conflitos industriais franceses, a instituição foi criada em 1806.

Na Alemanha, a existência de Justiça especializada em matéria laboral data de 1890, tornando-se jurisdição independente no ano de 1953.

No Brasil, a Justiça do Trabalho só é instalada em 1941. Assim, percebe-se, pelos fatos, que a Justiça do Trabalho não é uma jabuticaba. Aliás, a jabuticaba é nativa do Brasil, Argentina, Paraguai, Peru e Bolívia. No entanto, como fruto saudável e de bom gosto que é, logo se espalhou pelo mundo: é amplamente plantada nos Estados Unidos, sendo encontrada inclusive em Taiwan.

Desta forma, os que chamam a Justiça do Trabalho de jabuticaba estão completamente enganados em todos os sentidos: nem mesmo a jabuticaba é tão “jabuticaba” assim, e a Justiça do Trabalho é instrumento de garantia de direitos e centro do Estado Democrático de Direito em todo o mundo civilizado.

Rodrigo de Lacerda Carelli – Professor da UFRJ e procurador do trabalho no RJ

 

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BLOG DO MARTINS ANDRADE–NO INTESTINO DO JUDICIÁRIO.

Toda quadrilha tem seu Modus Operandi, que é a maneira como, costumeiramente, agem.

Temer pedia propina, mas quem recebia era uma pessoa de sua confiança;

Assim agia, também, Aécio Neves, que tinha um primo que recebia as propinas.

José Serra, um dos propineiros mais rico do Brasil, exigia uma parte da propina na mão, dinheiro vivo, e a outra parte depositada em contas em paraísos fiscais.

A máfia da Lava Jato age assim: O Moro prende e estipula uma multa altíssima para o acusado. Os integrantes da quadrilha (advogados) vão negociar com o preso uma delação premiada; Para isso, prometem uma redução da multa para menos da metade, ou zerada; mas o acusado tem que pagar por fora um valor milionário para a negociação, que envolve também redução de pena. Esse dinheiro “por fora” é repartido.

O advogado Tacla Duran, que prestou assessoria às empreiteiras Odebrecht e UTC, e que foi condenado pelo juiz Sergio Moro, foi chamado para uma delação premiada pela quadrilha. Sua multa era de 15 milhões de dólares, mas se fizesse delação, teria a multa reduzida para 5 milhões de dólares e a pena diminuída. Mas teria que pagar 5 milhões de dólares por fora porque essas reduções envolviam outras pessoas interessadas.

Em seu depoimento na CPMI da JBS, ontem 30.11.2017, disse que um dos favorecidos é um tal DD, que jornalistas mais apressados estão supondo ser Deltan Dallagnol.

Um dos escritórios de advocacia, que tratou de delação premiada para condenados pelo juiz Sérgio Moro,  foi o de Carlos Zucolotto Júnior, padrinho de casamento de Sergio Moro com Rosângela Moro, e que tinha como sócia a própria Rosângela Quadros Moro, a esposa do Juiz titular da causa.

Nas delações premiadas, que o condenado se sujeitava, segundo Tacla Duran, lhes eram apresentados uma relação de nomes, que o delator deveria escolher para acusar. Não adiantava o delator falar de outros nomes que estivessem fora da lista. O MPF não aceitava e o juiz Sergio Moro complementava, dizendo que aquele nome não vinha ao caso.

Por essa via, um presidente de uma grande empreiteira, fez vários depoimentos em delação premiada. Mas só foi aceito, quando tratou do nome de um dos que estavam encabeçando a lista: Lula. Enquanto não acusou o ex-presidente, não valeu nenhum das delações do empreiteiro.

No Brasil, a Lava Jato só tem sucesso entre aqueles que nutrem aversão aos petistas. Incluídos aí os membros do judiciário. Então deixa de ser justiça para ser ódio.

E o ódio está matando nossa justiça, nossa democracia, esvaziando o país e sugando as riquezas naturais, enquanto as quadrilhas se multiplicam até no intestino do judiciário.

 

BLOG MARTINS ANDRADE E VOCÊ-RETALHOS

SOB O NARIZ DE SERGIO MORO.

O juiz Sergio Moro parece ter oligofrenia. Diz que está combatendo corrupção e, enquanto impede a defesa do ex-presidente Lula de periciar documentos em seu poder, cobra dos advogados do réu a perícia dos documentos que a defesa apresenta; enquanto uma quadrilha rouba mais de 31 bilhões de reais do erário público para comprar votos de apoio; e malas com dinheiro voam pr’ali, voam pr’acolá, ele, Sergio Moro se interte com o processo do ex-presidente catando erros de português, puxando delações sem uma única prova para elucubrar condenação; e o país se transformando numa cintina de corrupção bem embaixo das ventas do Juiz!

Arre Égua!

 

MAIS UM PROCESSO CONTRA TEMER

A OAB protocolou um pedido de impeachment de Temer, cuja decisão não passa pelo plenário. Depende unicamente da decisão de Rodrigo Maia, presidente da Câmara Federal.

"E o que fará Rodrigo Maia com um governante nas condições policiais, judiciais, imorais e repelido nacionalmente como Temer?"

Pergunta Jânio de Freitas, hoje, na Folha.

 

NÃO AO PSDB.

Criticam os nordestinos por elegerem candidatos com perfis progressistas.

A critica vem dos psdbistas.

Pois o PSDB mandou fazer uma pesquisa nacional para sentir o que o eleitorado brasileiro pensa do partido.

A resposta foi um tiro nos peitos da massa cheirosa, que são os eleitores do partido. 75% disse não ao partido; e por parte dos nordestinos, a coisa foi pior ainda: 84% dos nordestinos não querem saber desse partido.

Alguns eleitores responderam que não votam em um partido que se alia a Michel Temer e tem Aécio Neves como manda chuva; mas não é só isso. O PSDB sempre foi um partido ligado a corrupção, mas escondido pela mídia.

BLOG DO MARTINS ANDRADE E VOCÊ–CARIDADE

A VISÃO DE FUTURO DO BRASIL.

Aos amigos do Blog Martins Andrade e Você, repasso a mensagem de Cáritas, inserida no Evangelho Segundo o Espiritismo, nas lições sobre Beneficência.

Não tenho a pretensão, nem é nossa intensão, transformá-los em prosélitos dessa Doutrina.

A vida que segue é a que você escolheu.

Contudo, pelo que se tem visto na prática política, que conduz nossa nação, onde algumas das práticas de ajuda e caridade, antes estabelecidas, vão sendo, paulatinamente abolidas, já, já, estaremos mergulhando no lado obscuro das injúrias perpetradas por pessoas imunes à caridade humana.

Por enquanto, quem tem não se mexe para proporcionar a outros a beneficência. E quem não tem está perplexo com a súbita mudança do que fora estabelecido, e ainda não se deu conta dos benefícios, que ora lhes retiram.

Vivemos em uma nação cuja pobreza é um fato. E o pouco da caridade que foi dado a essa camada da população, já lhes retiram sem dó nem piedade.

O Brasil, a continuar com essa política de ausência de beneficência, de caridade, será, brevimente, uma senzala a exalar, mundo a fora, o odor fétido de políticas de homens sem piedade.

Nossa nação está dividida entre os que têm e os que não têm.

Aqueles confundem caridade com esmola. Eles não têm a beneficência como linha de conduta.

Não têm coração, têm cofre.

Leia a mensagem e compare o que já estamos vivendo com o que ainda virá.

Abaixo, o texto que inserimos para apreciação dos nossos amigos visitantes.

Martins Andrade.

LIÇÕES SOBRE BENEFICÊNCIA – A CARIDADE

“Chamo-me Caridade e sou a rota principal que conduz a Deus;,  segui-me, porque sou o objetivo a que todos deveis visar.

Fiz esta manhã minha caminhada habitual e, coração angustiado, venho vos dizer: Oh! meus amigos, quantas misérias, quantas lágrimas e quanto tendes a fazer para secá-las todas. Inutilmente procuro consolar as pobres mães, dizendo-lhes ao ouvido:Coragem! Há bons corações que velam sobre vós; não sereis abandonadas; paciência! Deus está aí, sois suas amadas, sois suas eleitas. Elas pareciam ouvir-me e voltavam para o meu lado grandes olhos ansiosos; eu lia sobre seus pobres rostos que seu corpo, esse tirano do espírito, tinha fome, e que se minhas palavras serenavam um pouco o coração, não enchiam seu estômago. eu repetia ainda: Coragem! Coragem! Então uma pobre mãe, muito jovem, que amamentava uma criancinha, tomou-a nos braços e a estendeu no espaço vazio, como a me pedir para proteger esse pobre e pequeno ser que não tomava  num seio estéril senão um alimento insuficiente.

Alhures, meus amigos, vi pobres velhos sem trabalho e cedo sem asilo, atormentados por todos os sofrimentos da necessidade, e envergonhados da sua miséria, não ousando, eles que jamais mendigaram, ir implorar a piedade dos transeuntes. Coração cheio de compaixão, eu que nada tenho, me fiz mendiga por eles, e vou por todo lado estimular a beneficência, insuflar bons pensamentos aos corações generosos e compassivos. Por isso, venho a vós, meus amigos, e vos digo: lá embaixo há infelizes cuja mesa está sem pão, a lareira sem fogo e o leito sem cobertor. Não vos digo o que deveis fazer; deixo essa iniciativa aos vossos bons corações; se vos ditasse a vossa linha de conduta, não teríeis o mérito de vossa boa ação; eu vos digo somente: Sou a caridade, e vos estendo a mão pelos vossos irmãos sofredores.

Mas se peço, também dou e dou muito; convido-vos para um grande banquete, e vos forneço a árvores onde vos saciareis. vede como é bela, como está carregada de flores e de frutos! Ide, ide, colhei, apanhai todos os frutos dessa bela árvore que se chama beneficência. em lugar dos ramos que houverdes tirado, fixarei todas as boas ações que fizerdes e levarei essa árvore a Deus para que a carregue de novo, porque a beneficência é inesgotável. Segui-me pois, meus amigos, a fim de que vos conte  entre os que se alistam sob a minha bandeira; sede corajosos; eu vos conduzirei no caminho da salvação, porque eu sou a Caridade.”  

(CÁRITAS, martirizada em Roma, Lião, 1861)

BLOG DO MARTINS ANDRADE E VOCÊ–DESEJO DE HUMILHAR.

Ainda repercute nos meios universitários e intelectuais do país, embora abafado pela mídia, o tal PIG, a condução coercitiva de sete pessoas e o consequente suicídio do Reitor  Luís Carlos Cancellier de Olivo, retirados à força de seus lares e levados a uma delegacia da PF de Santa Catarina.

Imagine que um cidadão é surpreendido por uma condução coercitiva, aquela que o policial chega em sua casa e o conduz algemado para uma delegacia, sem ter havido uma convocação do mesmo para que ele prestasse depoimento, conforme manda a lei.

Não houve tempo sequer para o cidadão fazer um lanche.

Da delegacia, ele e mais seis professores foram transferidos para Complexo Penitenciário da Agronômica, de Santa Catarina, colocados em celas, nus e acorrentados, para que os policiais investigassem o ânus dos sete.

A pergunta imbecil, safada e sem vergonha que se faz é a seguinte: O que sete pessoas, dentre elas o reitor da UFSC Luís Carlos Cancellier de Olivo, têm para esconder no ânus, que interessa a uma investigação de “suspeita de obstrução da Justiça?”

Afora o desejo mórbido de humilhar, nada!

BLOG DO MARTINS ANDRADE E VOCÊ–A REALIDADE ECONÔMICA NA VISÃO DE ANDRÉ ARAÚJO.

Economia

Amigos do Blog Martins Andrade e Você. Republicamos para vocês, artigo de André Araújo, publicado no GGN1. de Luis Nassif.

É uma visão econômica do que ocorre hoje em nosso país.

Leia-o com atenção para que você faça uma comparação do que é divulgado, ante a realidade vivida pela nossa sociedade.

Tire suas conclusões e deixem seus comentários.

Agradeço.

Martins Andrade.

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André Araújo

CEMIG: vendendo a casa para pagar o almoço, por André Araújo

Enviado por André Araujo qui, 05/10/2017 – 07:46

Atualizado em 05/10/2017 – 18:38

CEMIG: vendendo a casa para pagar o almoço

por André Araújo

De todos os danos estruturais na economia brasileira provocados pelo programa neoliberal, nada mais emblemático do que a venda das maiores usinas hidroelétricas da CEMIG, adquiridas por multinacionais. Elas representam o pior tipo de capital estrangeiro porque não representam a criação de ativos novos, nem empregos, nem agregam valor ao Pais, mas  aumenta a base para remessa de dividendos de um ativo construído por brasileiros com recursos nacionais. E pior, ainda comemoram.

A maior compradora foi uma companhia estatal chinesa. É do sistema chinês importar toda engenharia e equipamentos para suas empresas no exterior vindos da China, também usam suas empresas para empregar chineses ao máximo.

É o pior tipo de comprador para a pior das privatizações que se pode imaginar.

É uma regressão histórica que poucos países viram acontecer em tempos de paz.​

A CEMIG foi fundada por Juscelino Kubitschek que construiu um grande parque hidroelétrico em Minas Gerais, até então Estado carente de energia, suprida que era especialmente por empresas americanas que não investiam no potencial hidroelétrico do Estado.

As usinas, começando por Três Marias, foram construídas com recursos do Estado de Minas Gerais, recursos nacionais, projeto nacional, engenharia nacional, mão de obra nacional.

Agora quatro das maiores usinas da CEMIG, mais de um terço de sua capacidade de geração, são vendidas para fazer caixa para a União, caixa que será queimada em poucos dias para pagar juros e supersalários, os recursos da venda não têm nenhuma destinação estratégica, vão sumir na fogueira do déficit federal continuado, que segue ainda maior em 2018.

Mas o déficit continuará até aumentado no próximo ano, o que será então vendido?

Que tal a Amazônia?  Imagine o valor da madeira serrada na floresta. Venda de terras férteis para chineses também seria um bom negócio, faz caixa rápido, ao gosto dos “ajustistas”.

O insano plano econômico tem como objetivo maior manter o valor do capital rentista que consome  a maior rubrica do orçamento federal, o pagamento de juros da dívida pública. O plano não tem qualquer meta de investimento público, hoje no seu nível mais baixo na história econômica do Brasil, não se investe nada e nem há ideia de investir, a infraestrutura já feita vai deteriorar, nova não será construída por falta de dinheiro, que só falta na ideologia rentista, governos mais inteligentes sabem fazer dinheiro e investir no País. O Brasil não é um País pobre de recursos como a Grécia, que tem que importar comida e combustível.

O objetivo principal do plano é assegurar inflação cada vez menor para com isso garantir o capital rentista que beneficia as classes mais altas e o capital especulativo estrangeiro.

Para atingir tal objetivo não há espaço para investimentos públicos, que são exatamente aqueles que dariam empregos aos brasileiros de mais baixa renda. Construção de obras de infraestrutura gera empregos na faixa mais crítica do desemprego, aquela onde está a maior  crise social de hoje. Investimentos em infraestrutura geram também empregos técnicos na área de engenharia, setor no qual o Brasil já foi campeão mundial em vários setores, como construção de barragens, hoje um deserto de engenheiros desocupados.

O programa econômico não tem nada para o crescimento do Brasil, é apenas um plano de tesouraria, de administração de caixa, de fazer dinheiro para garantir os juros do rentismo.

O plano econômico Meirelles/Goldfajn tem metas definidas, garantir o capital financeiro.

Não tem meta alguma para o emprego, alegando que este virá do investimento privado.

Não há na história econômica saída de recessão sem ação do Estado, mas a ação do Estado não pode existir no atual plano econômico. Ao contrário, as privatizações visam diminuir o papel do Estado na economia, usando o dinheiro das privatizações na fogueira dos juros e dos salários da alta burocracia, em uma operação de curto prazo sem qualquer horizonte.

CUIDANDO DE TRINTA MILHÕES DE BRASILEIROS

Grosso modo, há no Brasil uma classe abonada que, na melhor das hipóteses, chega a 30 milhões de brasileiros e é para essa classe que se faz a atual política econômica.

Qual projeto existe para os outros 170 milhões de brasileiros? Um projeto para esse grupo majoritário simplesmente não existe no atual plano econômico, como se essas pessoas fossem uma nuvem invisível ou um estorvo para a economia.

Na realidade falar em plano é inapropriado, trata-se de algo menor, é um simples programa financeiro para garantir câmbio favorável para o capital voltar protegido de qualquer risco de conversão e garantir câmbio barato para as férias da classe média alta.

Trata-se do primeiro programa na História econômica moderna do Brasil, desde 1930, que não tem qualquer papel para a indústria e para o emprego. O foco único é a garantia do capital e de seus juros, especialmente o capital especulativo de fundos estrangeiros.

Nesse contexto é que se explica a traumática privatização de usinas construídas com capital e trabalho exclusivamente nacionais, vendidas a grupos chineses e europeus, processo que não vai gerar um único quilovate adicional e um único emprego novo.

Na primeira Era das Privatizações no Governo FHC havia um projeto nacional, projeto ruim mas era um projeto com começo, meio e fim, com uma visão de Pais, uma visão neoliberal mas assim mesmo era um projeto nacional de longo prazo com sua lógica interna.

Nas atuais privatizações não há projeto algum, é só fazer caixa, nada mais. A entrada de caixa é imediatamente jogada na fogueira das despesas correntes, sem pensar no dia seguinte.

Ao fim do processo queimou-se o patrimônio físico do País, não se resolveu o desequilíbrio fiscal de forma permanente, no ano seguinte o desequilíbrio continua e já não há mais o que vender porque o estoque de ativos é finito, na primeira Era das Privatizações já se vendeu boa parte do patrimônio nacional, agora trata-se da venda do que sobrou.

A MÍDIA ECONÔMICA

Na mídia econômica da grande imprensa, que no Brasil segue a linha oficial, caso único no mundo, a privatização de usinas prontas e amortizadas apenas para fazer caixa não mereceu qualquer reparo. Ao contrário, o feito foi saudado nessa mídia como prova de confiança no País. Entrega-se patrimônio nacional a chineses e isso é visto como uma vitória.

A sempre onipresente e onisciente Miriam Leitão gastou seu horário do dia seguinte ao leilão para falar de miudezas do PIS-PASEP, não dando nenhuma importância à privatização das usinas da CEMIG, algo que emocionou no sentido de perda a grande parte dos mineiros. Mas Miriam, sendo mineira de Caratinga, não se emocionou e nem tocou no assunto, afinal a linha da GLOBO é a favor do ajustismo na sua última escala. O coro canta unido, Sardenberg, Miriam, Merval, apenas destoa, às vezes Monica de Bolle, que tem luz própria.

LIQUIDAÇÃO DE ATIVOS

Privatizações de ativos importantes e estratégicos estão sendo executadas a toque de caixa para fazer caixa, sem qualquer ideia sequer remota de interesse nacional a longo prazo.

Essa é a consequência de se entregar o controle absoluto da economia do País a delegados do capital financeiro internacional sem nenhuma ligação com um projeto de pais.

Lembra certos diretores financeiros (CFO) de empresas em dificuldades contratados por “headhunters” a peso de ouro que adotam medidas de curtíssimo prazo de geração de caixa, salvam o balanço do ano e seu salário e bônus, mas matam o futuro da empresa.

Há casos clássicos desse tipo de atuação, corta-se toda manutenção, pesquisa, vende-se todo o estoque com grandes descontos, dispensa os funcionários mais experientes e mais caros, vende as melhores máquinas, vende o prédio e passa a pagar aluguel, tudo isso gera caixa no curto prazo mas inviabiliza a empresa no longo prazo.

O caso mais clássico desses “salvadores do caixa” é o de Alfred Dunlap, CEO da fabricante de aparelhos eletrodomésticos SUNBEAM em 1996, apontado como gênio na capa da revista BUSINESS WEEK.  Dos 36.000 funcionários reduziu para 10.000, cortou tudo e fez promoções de vendas dando desconto de 50% em grandes magazines. Com isso fez caixa rapidamente mas liquidou com a marca, destruiu a enorme rede de pequenas oficinas distribuidoras que viram as grandes lojas venderem barbeadores por preços abaixo do que eles já tinham pago à fábrica, causando grandes prejuízos a esses pequenos revendedores que abandonaram a marca. Acabou com o estoque de matérias primas, a fábrica não conseguiu mais operar e a marca foi queimada. Dois anos depois da capa da BUSINESS WEEK, Dunlap foi considerado o pior executivo do País, mas no primeiro ano na Sunbeam ele surfou no sucesso, ninguém percebeu o buraco que ele estava cavando para a empresa, mas com grande lucro pessoal.

Os executivos dirigentes do banco de investimentos LEHMAN BROTHERS ganharam bônus no ano em que o banco quebrou. Até a semana anterior à quebra eles pareciam geniais, mas era tudo no curto prazo, para ganhar o trimestre, o depois não interessava.

O leilão das usinas da CEMIG lembra essa feitiçaria do curto prazo, um desastre para empresas e países, vendem a casa para pagar o almoço, no dia seguinte não tem casa e nem almoço.

O AJUSTISMO

Enquanto o “ajustismo” à outrance segue como única política econômica do Ministério da Fazenda, o Banco Central cuida com exclusividade e total independência da política monetária e cambial, não tem meta de emprego, como tem o FED em seus estatutos.

Só estabilizar a moeda, sem nenhum outro compromisso é algo relativamente fácil. O que exige inteligência e capacidade é ESTABILIDADE com PROSPERIDADE, obrigação legal do Banco Central americano, o Federal Reserve System, os dirigentes tem que cumprir esses dois objetivos. Aqui é um só, o mais fácil, acabar com a inflação paralisando o País.

O “ajustismo” marca de forma indelével seu fanatismo ao inviabilizar, por anos à frente, a capacidade do BNDES alavancar o crescimento. Ao retirar todas as reservas do Banco para operar nos próximos anos, o Ministério da Fazenda sinaliza que sua única prioridade é pagar os juros de uma dívida pública estável que não se desvaloriza pela inflação, secular método dos Tesouros nos últimos 200 anos para aliviar seu endividamento, a começar pelo Tesouro americano. Hoje o dólar vale um vigésimo do que valia em 1945 e com isso que o Tesouro dos EUA conta para manter sua solvência. Estabilidade artificial da moeda é um veneno mortal para os Tesouros, tornando sua dívida pública impagável nem que se venda o País inteiro, os fanáticos das metas de inflação preferem matar o País do que aliviar a dívida.

O Ministério da Fazenda saca R$ 280 bilhões do capital do BNDES para jogar na fogueira do déficit público visando proteger os rentistas da dívida pública, seu único objetivo.

O DESEMPREGO

Para mascarar a recessão induzida por essa política dá-se brilho a truques estatísticos, como dizer que o desemprego está caindo, algo irreal à luz da observação empírica.

O IBGE aponta a criação de 658 mil empregos entre maio e agosto deste ano. Empregos criados onde e porque se não há investimento produtivo digno de registro, público ou privado? E, claro que não se criou emprego algum de carteira assinada, isso o próprio IBGE reconhece, então onde estão os “novos” empregos criados pelas trombetas da GLOBONEWS?

O próprio IBGE declara que são empregos informais onde tudo pode entrar, de motoqueiro entregando pizza a guardador de carro. São basicamente subempregos de baixíssima renda.

O grave problema que nenhuma estatística de emprego aponta é uma realidade cruel.

Depois de procurar emprego por dois anos um engenheiro com excelente formação e boa experiência teve que aceitar qualquer coisa, hoje trabalha no almoxarifado de um grande supermercado, seu valor de mercado seria de 20 mil Reais, ganha 3.500, para não morrer de fome. Esse tipo de situação é GERAL hoje na economia brasileira, são dezenas de milhares de bons engenheiros desempregados, acabou a indústria naval, a indústria de bens de capital está paralisada porque não há investimentos, há pouca construção de usinas, portos, estradas e aeroportos, existe então uma imensa reserva de mão de obra técnica desempregada.

Quando um engenheiro vira motorista de UBER e existem centenas nessa situação, o IBGE conta como um novo emprego e a GLOBONEWS festeja com rojão MAS na realidade nua e crua é apenas um infeliz que aceita QUALQUER emprego para não passar forme, ele e sua família, um homem com mulher e filhos para criar faz literalmente qualquer coisa para manter a família, é essa a realidade real da economia brasileira de hoje.

A INSTITUIÇÃO CEMIG

Em Minas Gerais a CEMIG é uma instituição. As usinas vendidas, que representam 36% da geração da CEMIG, não são apenas bens físicos. São parte de uma grande estrutura corporativa, que em 2010 era a 2ª maior empresa de energia  do País, após a Petrobras.

Com um excepcional corpo de técnicos, departamentos de pesquisa e ecologia, até um importante setor de piscicultura para prover de peixes seus grandes reservatórios, a CEMIG tem um papel crucial no desenvolvimento de Minas Gerais, liquidar parte de seu melhor ativo é algo inacreditável em termos de projeto de PAIS. Os chineses vão cuidar dos peixes dos reservatórios ou vão só se preocupar com os dividendos? Em 2008 a CEMIG fez um magnifico levantamento do potencial eólico do Estado de Minas, um trabalho de fôlego, de excelência técnica, algo que investidores privados dificilmente fariam, a CEMIG tem uma visão pública, de interesse geral, além do puro negócio financeiro. Seu Conselho de Administração, do qual fiz parte por muitos anos, teve luminares como João Camillo Pena, ex-Ministro da Indústria e Comércio, Francelino Pereira, ex-Governador do Estado, Guy Vilella, um dos maiores especialistas brasileiros em barragens. Uma verdadeira instituição de elevado espirito público operando um negócio empresarial, mas com olhar de interesse público além do balanço.

Vender o coração de seus ativos é um ato contra o interesse público, custa a crer que um Estado Nacional, um dos maiores países do mundo, com capacidade de levantar recursos, com visão de futuro, cometa essa insanidade. Mas fizeram. Agentes do capital financeiro internacional no comando da economia não tem qualquer ligação com o Pais e com suas instituições, a CEMIG é uma instituição, como era a outrora poderosa CESP, empresas emblemáticas, com grandes engenharias, construtoras do País, retalhadas a pedaços.

A China nunca faria isso com suas poderosas estatais de energia, nem a França com a EdF, nem a Itália com a ENEL. São corporações que fazem parte da estrutura óssea do Estado, importantes para a construção do futuro para as novas gerações, para pesquisas e novos empreendimentos, a CEMIG foi pioneira em energia eólica, pesquisa carro elétrico, novas baterias, redes de transmissão de dados através das linhas elétricas, não é só dividendo.

OS ECONOMISTAS DE MERCADO E OS NEOLIBERAIS

Há uma categoria de brasileiros cuja adesão ao pensar neoliberal corrói  sua adesão ao Pais onde nasceram e ao qual deveriam ter  lealdade. O neoliberal clássico NÃO tem pátria, são apátridas de alma, se sentem bem em qualquer lugar do mundo desde que ligado a grandes corporações, já esqueceram até a bandeira e o hino do pais onde nasceram, sua cultura não tem raiz e ao fim e ao cabo tem uma tênue lealdade a uma ideologia economicista que limita a vida à carreira, ao bem estar pessoal, para esse grupo o País não existe.

Para uma dessas voltas do Destino são essas figuras que hoje dirigem a economia brasileira.

A Avenida Faria Lima e a Rua Dias Ferreira não são parte do Brasil, são enclaves financeiros, paraísos fiscais que vivem como apêndices da finança internacional, para eles o País é só um detalhe.

São esses núcleos que estouram champagne com venda de ativos nacionais a estrangeiros que titulam como “prova de confiança”, dançam em clima de festa sobre os escombros de um projeto nacional, um Brasil usado apenas como plataforma de capital internacional.

André Araújo – membro do Conselho de Administração da CEMIG-Cia. Energética de Minas Gerais.

BLOG DO MARTINS ANDRADE E VOCÊ–TEMER, NÃO!

Que me perdoem os estrategistas políticos, os defensores da realpolitik, mas Temer, não! Definitivamente, não!

Pouco importa se a esquerda quer que fique, pois até as eleições de 2018, Temer será a melhor alternativa para desmoralizar o golpismo. Pouco importa se o mercado acha que sua queda, agora, poderia consagrar Rodrigo Maia, dar fôlego ao desmonte e prorrogar eleições. Pouco importa se sua queda afetar a economia, der algum fôlego a mais para os golpistas, se desmanchar táticas políticas ou facilitar novos golpes.

Mas Temer, não!

Sua saída é a condição essencial para o país recuperar um mínimo da dignidade perdida. Temer é a suprema humilhação. Jamais houve um presidente tão explicitamente desonesto, tão grotescamente medíocre, cercado por uma turba que representa o que de pior a política produziu.

Perto de Temer, Sarney era um estadista, Figueiredo, um intelectual, Collor, um democrata. Cada um, a seu modo, trazia um mínimo da responsabilidade institucional do cargo. Temer, não! Seu horizonte é apenas a do saque sistemático, da barganha permanente, do troca-troca degradante, das malas cheias de dinheiro negociadas em pleno exercício da Presidência.

Como é possível aceitar como presidente um impostor que, no mesmo dia que assume o cargo leva para dentro do Palácio seus operadores pessoais?

Qualquer tentativa de resgatar minimamente a honra nacional passa pela saída e posterior processo, julgamento e prisão de Michel Temer. Ele conseguiu igualar o país aos piores momentos do México, aos piores ditadores da América Central, aos piores criminosos que assumiram nesgas de poder na América Latina.

Em qualquer parte do mundo, o Brasil não é mais a terra de Pelé, Jobim, de Villa ou Gilberto Freyre, a terra da música, das festas, da amizade. É a terra presidida por Michel Temer!

Enquanto Temer permanecer, será vista como uma nação ferida, controlada por uma organização criminosa, presidida pelo mais medíocre e inescrupuloso governante da história, engatando uma marcha a ré fulminante. Cada dia de vida política de Temer representa anos de perdas e atrasos para o país, a desmoralização das instituições, a radicalização da política.

Não dá para conviver com um presidente flagrado negociando favores com um empresário reconhecidamente corrupto. Não adianta a banda da mídia financiada pela Secom sustentar que nada havia nos diálogos gravados que deixasse explícita a concordância de Temer com o cala-boca de Joesley a Cunha. O que havia nas gravações era algo muito mais grave: Temer indicando seu operador; Rodrigo Loures, e o operador saindo com uma mala cheia de dinheiro entregue pela JBS.

Agora, a informação de que um dia depois de receber R$ 1 milhão da JBS, Temer adquiriu terrenos em condomínios valiosos.

As ameaças à democracia não estão nos conflitos entre Supremo e Congresso. Está na explicitação ampla, acima de qualquer dúvida, da desonestidade pessoal e política do homem que sentou na cadeira da Presidência da República, que passou a representar o país nos fóruns mundiais, um político desonesto, que se valeu  da política para enriquecer, continuou praticando atos suspeitos no exercício da Presidência. A distribuição de emendas orçamentárias, de decretos, o aparelhamento de órgãos técnicos, tudo isso em um processo vergonhoso de barganha política.

Por tudo isso, Temer, não!

BLOG DO MARTINS ANDRADE – ARTIGO DE LUIS NASSIF.

Republico para os amigos do Blog Martins Andrade e Você, artigo de Luis Nassif, publicado no ggn1.

O jornalista faz uma reflexão da atual situação em que se encontra nosso país, e dos principais problemas vividos, frente as próprias instituições com capacidade para resolvê-los.

Aos amigos além Brasil, peço deixar seus comentários.

Martins Andrade.

Xadrez da marcha da insensatez, por Luís Nassif

sex, 29/09/2017 – 06:52
Atualizado em 29/09/2017 – 09:08

Cena 1 – o descuido com a segurança política

Há uma enorme dificuldade das instituições brasileiras de interpretar desdobramento da crise e entender cada episódio de corte e e suas consequências.

Na montagem da cúpula do Judiciário e do Ministério Público Federal, foi fatal o descuido dos governos petistas, não entendendo o poder desestabilizador da Justiça e do MPF. A segurança institucional e a estabilidade política deveriam ter sido o foco principal nas escolhas. E, por tal, entenda-se avaliar as pessoas em um quadro de stress elevado.

Como se comportaria, por exemplo, uma Carmen Lúcia em uma situação de stress político? E um Dias Toffoli? E um Rodrigo Janot? Um Luís Roberto Barroso? Um Ayres Brito?

Não se tratava apenas de avaliar o conhecimento jurídico, mas a personalidade, o caráter – mais afirmativo, mais tímido -, a coerência, a propensão ao deslumbramento. Vai-se buscar esse histórico junto aos colegas de faculdade, aos colegas de profissão, aos juristas com quem o governo tenha afinidades políticas.

Houve um descuido monumental. Escolheu-se Joaquim Barbosa pela cor e pelo conhecimento e já se sabia, no próprio MPF, do seu comportamento desequilibrado. Ayres Brito já era conhecido pelo comportamento dúbio na ditadura.

Essa cegueira manteve-se durante todo o governo Dilma. O único procurador que enfrentava Gilmar Mendes de igual para igual, no Tribunal Superior Eleitoral, Eugênio Aragão, foi preterido devido a barganhas políticas com Gilmar Mendes.

Peça 2 – a incapacidade de perceber os momentos de corte

Com essa mediocrização ampla dos Poderes, pelo modelo político em voga, e das instituições, pelas escolhas erradas, o resto é consequência: a incapacidade do poder civil de entender os momentos de corte, os episódios que fariam o país ingressar em novas etapas, degrau a degrau rumo à insensatez.

Momento 1 – o mensalão

Ali estava nítida a aliança mídia-Ministério Público Federal, com este ensaiando os primeiros voos fora dos limites constitucionais. A montagem da narrativa pelo Procurador Geral Antônio Fernando de Souza e pelo ex-Procurador e Ministro do STF Joaquim Barbosa, mantida pelo sucessor Roberto Gurgel em cima de uma falsificação: o tal desvio da Visanet que nunca ocorreu.

De certa forma, o mensalão foi um presente dos deuses, pois teria permitido ao governo entender explicitamente as ameaças contidas na total falta de controle do MPF. Mas o sucesso de Lula no segundo governo passou a ilusão de que seu gênio político sempre encontraria meios de contornar as tentativas de golpe.

Depois primeiro escândalo, que levou ao mensalão, foram indicados para o STF a Ministra Carmen Lúcia (2006), Dias Toffoli (2009), Luiz Fux (2011), Rosa Weber (2011), Teori Zavascki (2012), Luís Roberto Barroso (2013), Luiz Edson Fachin (2015).

Em 2009 Roberto Gurgel foi indicado para PGR. Em 2013, Rodrigo Janot. Nem com os sinais claros de que os PGRs já andavam à reboque da opinião pública e da corporação, cuidou-se de uma estratégia clara ou ao menos da indicação de um PGR sólido.

Consequência – São esses personagens que se tornam responsáveis por conduzir suas respectivas instituições no período mais turbulento da história recente.

Corte 2 – a prisão de Delcídio do Amaral

Em cima de um grampo armado – possivelmente em uma operação controlada articulada pelo PGR -, com declarações esparsas, o STF endossou a posição de Teori, de mandar prender o senador Delcídio do Amaral. Não apenas isso. Permitiu-se a divulgação de conversas comprometendo Ministros sérios do STJ.

Consequência -  Depois que caiu a ficha, o STF se recolheu. Tornou-se personagem passivo do impeachment.

Corte 3 – a condução coercitiva de Lula e o vazamento de conversas familiares

Consequência direta da anterior, esse episódio deflagrou um novo normal, em que a Constituição foi atropelada. Esteve nas mãos do Ministro Teori Zavascki o enquadramento da Lava Jato nos limites legais. Limitou-se a admoestar Sérgio Moro.

Consequência – o grupo da Lava Jato de Curitiba ganhou vida própria e passou a se impor sobre a PGR. A partir dali todos os abusos foram tolerados.

Corte 4 – o processo contra Eduardo Cunha

O Ministro Teori segurou por meses e meses a autorização para o processo contra Eduardo Cunha. Segundo alegou para amigos, evitava apresentar ao STF por não ter segurança em conseguir os votos necessários. Afinal, havia uma torcida surda pelo impeachment.

Consequência – Esse episódio marcou o ingresso definitivo do Supremo na abulia com que assistiu à consumação do golpe.

Corte 5 – a delação da JBS

Tirou definitivamente a blindagem que a mídia mantinha sobre o PSDB. E escancarou o inacreditável: em pleno exercício do mandato de presidente, Michel Temer indicando um assessor de confiança para receber uma bolada de uma empresa e a principal liderança do golpe negociando propinas em forma de empréstimos.

Consequência – Ali enterrou-se definitivamente a era das grandes passeatas. A opinião pública deu-se conta de que fora enganada no impeachment.

Corte 6 – a declaração do general Mourão

Essa soma de fatores leva a crise institucional ao ponto mais grave: as declarações do general Mourão, sem nenhuma reação do Executivo e do Ministro da Defesa.

O Congresso ficou mudo, o Supremo ficou calado, a ponto de nem a Ministra Carmen, nem o Ministro Barroso exercitarem seu hobby predileto: frases de efeito vazias. Restaram as manifestações isoladas do Ministro Marco Aurélio de Mello e da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, do Ministério Público Federal.

Consequência – as Forças Armadas entraram no jogo. Voltarão as vivandeiras dos quartéis. E qualquer candidatura em 2018 terá que beijar a mão e bater continência ao Estado Maior.

Peça 3 – os episódios desmoralizantes

A entrada do fator militar se dá no momento em que há um conjunto de episódios rocambolescos, capazes de ruborizar o analista mais cínico, sem que os poderes consigam apresentar uma resposta adequada.

Caso Aécio – a impunidade de Aécio é um fator de desgaste extremo. Depois da filmagem do primo levando dinheiro e da irmã negociando, era caso de renúncia imediata ao posto de senador, independentemente de qualquer iniciativa judicial.  Por aqui, Aécio não renunciou e sequer o PSDB tevê força para tirá-lo do cargo.

A teimosia de Marco Aurélio de Mello – que devolveu-o ao Senado como represália pelo fato do STF não ter aceito sua ordem de prisão contra Renan Calheiros – acentuou a impressão de impunidade. E a mídia, com ideia fixa na criminalização de Lula, limitou-se a reportagens episódicas sobre Aécio.

Caso Gilmar – os sucessivos abusos de Gilmar Mendes com o IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público), com sua parcialidade, com seus ataques aos colegas e mesmo a defesa meritória do garantismo comprovam que o arrogante engoliu o esperto. Isso, mais o controle absurdo sobre os sorteios do Supremo – que o fizeram relator dos processos envolvendo justamente os três políticos tucanos mais barras-pesadas – Aécio, José Serra e Cássio Cunha Lima – vão cobrar seu preço. Gilmar valeu-se de um vácuo político e no STF para abusos sem fim. Não tem como essa falta de limites não cobrar seu preço no desgaste inédito do Supremo.

Peça 4 – o curto-circuito dos poderes

Essa disputa Supremo Tribunal Federal x Senado,  STF x STF, Câmara x PGR não leva em conta o básico: a crise atinge todas as instituições. Não se trata mais de disputa de espaço institucional entre instituições representativas do Poder Civil, mas de autofagia de instituições doentes, com a ameaça de um governo autocrático na primeira curva da estrada

Sobrevindo o vendaval, nenhuma escapará. E o que se vê é a insensibilidade de dançarinos no restaurante do Titanic, instituições em frangalhos, incapazes de administrar sequer os próprios conflitos internos.

Executivo – não sei o que é mais desmoralizante, se uma chusma de corruptos assumindo o controle do país, ou se a incrível mediocridade dessa turma. A resposta que deram à entrevista de Rubens Ricúpero não merecia estar nem em jornaleco do interior. O assalto continua sendo perpetrado à luz do dia. Cortes em todos os programas e benesses aos deputados, para garantir a manutenção da quadrilha no poder.

Supremo – uma disputa de egos entre Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso, uma presidente incapaz de um gesto sequer em defesa da Constituição e Ministros derrotados em votações insuflando o Congresso a derrubar as sanções contra Aécio Neves.

Ministério Público – uma tropa à deriva, dirigida – finalmente – por uma procuradora de larga experiência na área penal e de direitos humanos. Mas com nenhum traquejo para o jogo das intrigas palacianas, entre instituições e na sua própria corporação.

PT – Tenta compensar a falta de iniciativa durante todo o processo do impeachment, com um ativismo extemporâneo. Não aprendeu ainda que republicanismo e bons modos políticos – como a defesa da legalidade no tratamento de um inimigo – não têm lugar à mesa, nesse grande banquete bárbaro. A nota em defesa do Senado ignorou que há um novo agente na praça.

Aí vem o Globo, que é grande por ser esperta, principal responsável pela ascensão da quadrilha de Temer ao poder, e estampa a chamada maliciosa;

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Peça 5 – marcha da insensatez

Essa confusão monumental não permite uma visão otimista do futuro.

O caos amplo abre espaço para uma infinidade de possibilidade, nenhuma positiva – a que implicasse em um pacto entre instituições e partidos visando atender às expectativas da opinião pública.

O que se tem é um avanço da maré conservadora e uma aliança que se torna cada vez mais explícita entre a Lava Jato, a ultradireita, insuflando a maior intervenção militar.

Prova disso é o factoide da carta-arrependimento de Antônio Palocci, com o uso de expressões, como a “peçonha da corrupção” e outras do mesmo gênero, mostrando que os acordos de delação têm um copidesque com bastante afinidade com o linguajar da extrema direita.

Em um momento de bom-senso, o Senado adiou o julgamento da decisão do STF, permitindo a este chegar a alguma solução interna que impeça o transbordamento da crise.

Mas não há nenhuma luz no horizonte próximo.

2017-09-28 20:40:41

BLOG DO MARTINS ANDRADE– A DITADURA QUE SE AVIZINHA.

ALGUMAS CENTENAS DE IDIOTAS VÃO DIZER QUE SOU UM COMUNISTA.

MAS, FOI PUBLICADO NA FOLHA O ARTIGO DE VLADIMIR SAFATLE.

REPUBLICAMOS AQUI. LEIA TAMBÉM.

As Forças Armadas não agem contra o ‘caos’, mas são parte fundamental dele

Talvez não exista momento mais propício do que este para se lembrar da frase de Adorno e Horkheimer, para quem há horas em que não há nada mais estúpido do que ser inteligente. A frase se referia à incapacidade de setores da sociedade alemã de encararem claramente os signos de ascensão do nazismo no começo dos anos 1930 e pararem de procurar explicações sutis e inteligentes sobre a impossibilidade de o pior ocorrer. Dificilmente raciocínio dessa natureza não se aplicaria ao Brasil atual.

De fato, nosso país tem ao menos a virtude da clareza. E foi com a clareza a guiar seus olhos redentores que o general Antonio Hamilton Mourão revelou aos brasileiros que as Forças Armadas têm um golpe militar preparado, que há uma conspiração em marcha a fim de destituir o poder civil. Para mostrar que não se tratava de uma bravata que mereceria a mais dura das punições, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas descartou qualquer medida e ainda foi à televisão tecer loas a ditaduras e lembrar que, sim, as Forças Armadas podem intervir se o "caos" for iminente.

O "caos" em questão não é a instauração de um governo ilegal e brutalizado saído dos porões das casernas. Ao que parece, "caos" seria a situação atual de corrupção generalizada. Só que alguém poderia explicar à população de qual delírio saiu a crença de que as Forças Armadas brasileiras têm alguma moral para prometer redenção moral do país?

Que se saiba, quando seus pares tomaram de assalto o Palácio do Planalto, cresceram à sua sombra grandezas morais do quilate de José Sarney, Paulo Maluf, Antonio Carlos Magalhães: todos pilares da ditadura. Enquanto eles estavam a atirar e censurar descontentes, o Brasil foi assolado por casos de corrupção como Capemi, Coroa Brastel, Brasilinvest, Paulipetro, grupo Delfin, projeto Jari, entre vários outros. Isso mesmo em um ambiente marcado pela censura e pela violência arbitrária.

De toda forma, como esperar moralidade de uma instituição que nunca viu maiores problemas em abrigar torturadores, estupradores, ocultadores de cadáveres, operadores de terrorismo de Estado, entre tantas outras grandes ações morais? As Forças Armadas brasileiras nunca tomaram distância dessas pessoas, expondo à nação um mea-culpa franco.

Ao contrário, elas os defenderam, os protegeram, até hoje. Que, ao menos, elas não venham oferecer ao país o espetáculo patético de aparecerem à cena da vida pública como defensoras de um renascimento moral feito, exatamente, pelas mãos de imoralistas. As Forças Armadas nunca foram uma garantia contra o "caos". Elas foram parte fundamental do caos.

É verdade que setores da sociedade civil sonham com mais um golpe como forma de esconder o desgoverno que eles mesmos produziram. Há setores do empresariado nacional que articulam abertamente nesse sentido, sonhando como isto não terem que se confrontar mais com uma população que luta pelos seus interesses. Para tanto, eles apelam ao artigo 142 da Constituição de 1988.

Este artigo fora, desde o início, uma aberração legislativa imposta pelos próprios militares. Ele legalizava golpes de Estado, da mesma forma que o artigo 41 da República de Weimar, que versava sobre o estado de emergência, permitiu a ascensão da estrutura institucional do nazismo. Segundo o artigo, se qualquer poder chamar as Forças Armadas para garantirem a ordem, se digamos o sr. Rodrigo Maia fizer um apelo às Forças Armadas porque há "caos" em demasia, o golpe está legalizado. Ou seja, é verdade, nossa Constituição tinha uma bomba-relógio no seu seio. Bomba pronta a explodi-la, como agora se percebe.

Contra essa marcha da insanidade, há de se lembrar que, se chegamos ao ponto no qual um general na ativa pode expor abertamente que conspira contra o poder civil, então cabe àqueles que entendem não terem nascido para serem subjugados pela tirania, que não estão dispostos a abrir mão do resto de liberdade que ainda têm para se submeter a mais uma das infindáveis juntas latino-americanas, prepararem-se para exercer seu mais profundo direito: o direito de resistência armada contra a tirania.

Que os liberais se lembrem de John Locke e de seu "Segundo Tratado sobre o Governo". Que os protestantes se lembrem de Calvino e de sua "Instituição da Religião Cristã". E que o resto se lembre que a liberdade se defende de forma incondicional.

BLOG DO MARTINS ANDRADE–RETALHOS.

NO CONVERSA AFIADA

Mano do céu…

– Que foi?

O Palocci ferrou o Lula. Você viu?

– Não vi. O que foi que ele falou?

– Que o Lula sabia de tudo.

– Eita. Tipo o quê?

– O esquema com a Odebrecht.

– Vixe. Agora vai.

– Vai.

– E ele mostrou uns áudios?

– Não.

– Uma sala repleta de mala de dinheiro?

– Não.

– Já sei: contas no exterior?

– Não.

– Extratos bancários?

– Não.

– Uma compra de sentença?

– Não. Nada disso.

– Pelo menos um helicóptero com coca?

– Não.

– Algum depósito na conta da Marisa?

– Neca.

– Palocci pelo menos participou das negociações?

– Diz que não. Mas o molusco contava para ele depois.

– Contava?

– É.

– Tem vídeo disso?

– Não.

– Gravação?

– Não.

– Grampo?

– Não.

– Testemunha?

– Não.

– Eram só ele e Lula? Ninguém mais viu?

– Só os dois Petralhas.

– E a delação foi homologada?

– Foi.

– O juiz aceitou?

– Claro!

– Saquei.

– Não é incrível?

– Realmente. É incrível.

 

A CAIXA PRETA DA JUSTIÇA

A PGR divulgou mensagens contidas no celular de uma advogada, insinuando corrupção em todos os níveis da justiça brasileira.

Os diálogos sugerem duas possibilidades:A primeira, da compra efetiva de votos de magistrados. A segunda, o golpe da “taxa de sucesso”, muito comum em Brasília.

 

A PGR E OS DEPOIMENTOS DOS DELATORES

Joesley Batista na conversa auto-grampeada com Ricardo Sur, revelou um fato já sobejamente conhecido: para os acordos de delação o MPF orienta e exige do delator palavras fortes. Tem que falar de “bandidos”, “organizações criminosas” já que o grande tribunal é a mídia.

 

O PODER DA GLOBO

Frase de Rodrigo Janot ao jornalista Luis Nassif: “Nós que somos experientes sabemos que não devemos dar entrevista para o outro lado, não é Nassif?”

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