BLOG MARTINS ANDRADE E VOCÊ–ALERTA

LEIAM O QUE ESCREVI NO DIA 02 DE JANEIRO DE 2011.
ALERTA À DILMA ROUSSELF

02/01/2011 – 09:36

Dilma, passada a emoção,

Entra a realidade, sai o coração.

Abre com cuidado teu caminho

Vês que os mesmos espinhos

Estão ainda na tua contramão.

Reforça tua grade de proteção

Não se descuida, arranja cães.

Cobra-lhes fidelidade diuturna

Está contigo em tuas manhãs

A mesma turma que secou o Lula.

Um dos mais altos de olha com desdém

Manda-o embora também

Ele quer apenas uma escora

Finge-se de amigo e com espora

Vai te trair por dentro… Olha bem!

Lembra-se do Delegado Bruno?

O atual segue o mesmo rumo

Posto que amigos de pregação

Os dois têm as mesmas intenções:

Adagas de mesmo gume.

Guerrilheira seja forte, use a sapiência

Busque o entendimento com renitência

Perdoa aqueles que com violência

Torturaram-te sem dó, sem clemência…

Eles hoje te prestam continência!

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BLOG MARTINS ANDRADE E VOCÊ–HÁ DEZ ANOS.

Publicado no Blog Conversaafiada, de PHA

A Previdência será<BR>a prova dos nove

Republicamos para os amigos do Blog Martins Andrade e Você, artigo publicado em janeiro de 2010.

O CEARÁ VOLTOU A CRESCER

09/01/2010 – 11:16

Martins Andrade

Algo recomeça a acontecer no meu Ceará.

E já não era sem tempo.

O verbo “recomeçar” faz sentido porque já tivemos isso em nosso estado.

Houve tempo em que, mesmo sofrendo dizimadoras secas, o cearense tinha do que se orgulhar.

Muita coisa mudou num período de 20 anos no estado do Ceará.

Há vinte anos o estado brigava com Pernambuco para ser o segundo ou terceiro na escala econômica do nordeste, uma vez que a Bahia sempre ocupou o primeiro lugar, mercê da privilegiada posição geográfica, além de ocupar importante posição no campo de produção de petróleo.

Veio o neoliberalismo, e com ele o vento das mudanças.

O governo das mudanças se instalou no Ceará em 1987.

Quando o tal governo se instalou, havia uma grande produção de algodão no estado, e éramos um dos maiores produtores de algodão do Brasil.

Para se ter idéia, um único município do Ceará, Iguatu, possuía dez usinas de beneficiamento de algodão.

Quase todos os municípios do estado possuíam sua pequena usina beneficiadora de algodão.

Estas pequenas usinas punham em movimento uma extraordinária indústria de tecidos, localizadas na periferia de Fortaleza, verdadeiras consumidoras de mão-de-obra diuturna. A indústria acabou e desempregou muitos pais de família.

O Ceará, mesmo seco, possuía um excelente rebanho leiteiro, sobretudo nos municípios que constituíam a famosa bacia leiteira, tanto na região litorânea, quanto na jaguaribana e sertão central, sendo esta bem representada por Quixeramobim.

Assim como o algodão, a indústria leiteira moveu a economia cearense para cima.

E havia indústrias de beneficiamento de leite, localizadas nas principais bacias leiteiras das regiões do estado.

O rebanho caprino/ovino era um dos maiores do nordeste, que alimentava tanto o fornecimento de carne, quanto à pequena, mas expandida rede de curtumes pelo interior. E por via de conseqüência à pequena indústria de exportação de peles, que movimentava grandes armazéns na faixa litorânea de Fortaleza.

E gerava empregos.

Até a indústria do óleo da oiticica, o pequeno fruto de uma árvore vicejante, que tem seu habitat ao longo dos rios e riachos do nordeste, sobretudo do Ceará, acabou.

Com o fim dessa indústria, acabou a função dos catadores de oiticica.

Foi mais uma atividade ligada à agroindústria, que desempregou cearense nas mudanças acontecidas no estreante neoliberalismo no Ceará.

Nesse rastro de destruição da indústria no Ceará, a mamona e o óleo de algodão também sucumbiram.

As mudanças introduzidas pelo governo neoliberal preconizavam o fim dessas atividades, e elegia como vocação do estado a industrialização, com ênfase para a manufaturada.

Agricultura e pecuária não é a vocação do estado, sentenciou o governo das mudanças, e para provar isso, determinou o fim das empresas públicas de apoio ao setor.

A Comissão Estadual de Planejamento Agrícola, CEPA, dançou na primeira canetada de desestabilização do setor agropecuário do estado.

Era tempo do bicudo, o pequeno inseto que ataca e destrói a lavoura de algodão, mas a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado – EPACE, que seria a fomentadora de metodologias para convivência com o tal inseto, foi também fechada em nome do novo pólo desenvolvedor do estado: a industrialização.

O mundo inteiro produz algodão, convivendo com o bicudo.

No Ceará esta atividade foi extinta, exatamente pela falta de metodologias adaptadas à região para convivência com o inseto.

Nesse intervalo, floresceu a industrialização do Ceará.

As fábricas começaram a ser instaladas nos polos industriais de Fortaleza e região metropolitana, além de alguns municípios, que tiveram as suas instaladas em seus perímetros urbanos.

Seguindo o manual neoliberal, ou das mudanças, no Ceará, fecharam-se os financiamentos para a agropecuária, sobretudo o Banco do Nordeste, que passou a ter a direção de comando oriundo do governo das mudanças do Ceará, e o Banco do Estado do Ceará – BEC, que veio à falência mais tarde.

Sem recursos para levar adiante sua atividade, muitos fazendeiros venderam suas fazendas e foram para as cidades.

Os pequenos agricultores, que praticavam a agricultura familiar, sem dinheiro para tocá-las, correram para capital e cidades do interior em busca dos empregos prometidos na florescente industrialização cearense.

Sem empregos para todos, porque a indústria necessitava de mão-de-obra especializada, muitas famílias foram se alojar nos perímetros urbanos das grandes cidades e capital.

Iniciou-se a favelização dos centros urbanos.

As fábricas instaladas, a grande maioria integrantes do polo calçadista, que necessitavam de muito couro para manter a atividade, tiveram seu primeiro susto: o couro, cadê o couro?

É que, com o falecimento da pecuária, não havia mais os pequenos curtumes para fornecer matéria prima para a nova indústria.

Importa o Couro!

Importou-se.

Essa solução criou mais empregos nos estados exportadores de couro, mas nosso homem do campo continuou desempregado.

O que resultou de tudo isso?

Sem a atividade primária, o homem do campo deslocou-se para a periferia das grandes urbes, levando filhos, inchando os aglomerados urbanos, ocupando os espaços livres e iniciando a favelização das cidades, criando a condição para a explosão da violência e marginalização das famílias, incluindo-se aí, exploração sexual de jovens.

Os órgãos financiadores, BN e BEC, sofrerem ataques financeiros das mais diversas matizes, com aquele tendo sofrido um rombo de quase vinte bilhões de reais, e este fechado por falência.

E nenhum avanço econômico para o estado.

O período neoliberal, ou governo das mudanças, esfacelou o estado do Ceará, e o deixou brigando com Piauí e Maranhão pela lanterna econômica do nordeste.

O que aconteceu com o Ceará, foi aplicado em quase todo o nordeste.

Um punhado de empresário entrou na política, e daí para os cofres públicos foi um pulo.

Eles ficaram ricos, mas a população empobreceu, chegando à miséria.

No atual governo, tanto na esfera federal, quanto na estadual, observam-se avanços.

O governo federal reabriu o financiamento da agricultura familiar e outros tipos de incentivos à produção, enquanto o estado incrementa a criatividade no setor primário, e não descuida de fomentar políticas, que ajudem a desenvolver as populações rurais.

Fico feliz em ver novamente meu estado recebendo grandes indústrias.

O Ceará voltou a crescer.

BLOG MARTINS ANDRADE E VOCÊ–DA JUSTIÇA DO BRASIL, LIVRAI-ME SENHOR!

Republicamos para os amigos do BLOG MARTINS ANDRADE E VOCÊ, artigo de Gustavo Conde, publicado no jornal ggn, no Blog de Luis Nassif.

As 10 evidências da perseguição de Moro a Lula, por Gustavo Conde

dom, 06/01/2019 – 16:43

Atualizado em 06/01/2019 – 16:56

Foto: Ricardo Stuckert

As 10 evidências da perseguição de Moro a Lula

Por Gustavo Conde

Ilegalidades, arbitrariedade e abuso de poder que a ministra Cármen Lúcia não viu na ação sobre a parcialidade do ex-juiz da Lava Jato

Em 4 de dezembro de 2018, a ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia negou habeas corpus ao ex-Presidente Lula. Tratava-se do julgamento de ação em que a defesa do ex-Presidente demonstrara a parcialidade de Sérgio Moro nas decisões até então proferidas pelo hoje ex-juiz. Lúcia considerou a tese de perseguição política e de comprometimento subjetivo de Moro “extremamente frágil”.

Mesmo que já se tenha passado um mês desde aquela declaração infeliz e descolada da realidade, ainda é tempo de mostrar ao público o que a ministra Cármen Lúcia não enxergou ou não quis enxergar nos autos do processo.

São, afinal, evidências adicionais de que o Judiciário brasileiro vem modulando a velocidade de suas decisões ao calendário político.

E para não sermos injustos com a ministra – vale dizer – é importante registrar que, antes dela, o relator Edson Fachin votou de modo semelhante, mas deste não se esperava outra coisa – uma vez que sua inflexão leitora na compreensão da semiologia jurídica assombrou o próprio mundo da magistratura.

Vejamos os fatos: Lula foi condenado neste caso por “ato de ofício indeterminado”. Ou seja, mesmo na sentença em si, Moro foi incapaz de apontar qual o ato criminoso que Lula teria cometido.

Há, no entanto, vários atos judiciais de Moro contra Lula, determinados, públicos e alguns ‘mais’ que parciais, abertamente fora da lei e das normas que regem a atuação de um juiz.

O processo do triplex, por exemplo, foi aquele que impediu Lula de ser candidato a Presidente da República em 2018, numa disputa cuja liderança nas pesquisas de intenção de voto lhe era natural e consagradora.

A ONU, podemos lembrar, emitiu uma decisão para que Lula participasse da eleição por considerar que havia – e há –  a possibilidade de seu processo ser suspeito, viciado por parcialidade dos juízes e abusos de autoridade. Mas a decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU não foi respeitada pelo Brasil, violando-se, assim, um tratado que foi  assinado soberanamente pelo país.

Sem Lula, a eleição foi ganha por Jair Bolsonaro, como todos já sabemos. O que choca, no entanto, é que, mesmo antes do fim do segundo turno, Bolsonaro chamou Moro para ser seu ministro da Justiça, em uma relação clara de promiscuidade político-judicial que descortina as razões da perseguição a Lula.

Diante desta clara ação ilegal, subscrita em nosso universo jurídico e chancelada por tratativas espúrias de bastidores eleitorais em ritmo de barganha, restou a este colunista a compilação de 10 fatos que possivelmente passaram ao largo da sensibilidade sôfrega de uma das nossas togas supremas.

São dez fatos amplamente documentados e públicos em que a ministra Cármen Lúcia parece não considerar o que são provas de suspeição (do ex-juiz Sérgio Moro).

Destaque-se – antes de arrolar os episódios que comprovam a perseguição de maneira pedagógica – que o atual Ministro da Justiça é visto até por seus apoiadores como alguém que perseguiu – e persegue – o ex-Presidente Lula. São materiais fartos na cena jornalística que subscrevem a tese da perseguição que, a rigor, nem viceja mais como tese – e sim como fato. Capas das revistas Veja e IstoÉ, por exemplo, dentre tantas matérias iconograficamente siamesas, retrataram Moro como um lutador de boxe contra Lula.

1. A condução coercitiva de Lula

Em 4 de março de 2016, o ex-Presidente Lula – juntamente com sua família – foi alvo de buscas e apreensões determinadas pelo Juiz Sérgio Moro. Àquele momento, Lula jamais tinha sido intimado para depor na Operação Lava Jato e, sabe-se: não se pode conduzir coercitivamente uma pessoa sem que ela tenha, por qualquer razão, resistido a depor em momento anterior – o que não foi o caso de Lula. O próprio STF reconheceu, tardiamente, essa prática como ilegal. E há muito aprendemos: Justiça que tarda é Justiça que falha.

As casas dos os filhos do ex-Presidente, o Instituto Lula e as residências de dois de seus dirigentes também sofreram buscas e apreensões, sem justificativas e sem que nada de relevante fosse encontrado, episódios fartamente divulgados pela imprensa.

Houve, no entanto, abusos de ordem mais grave: a condução coercitiva foi vazada com antecedência para a imprensa e a Operação  compartilhou, na sequência, vídeos da coerção para um filme de publicidade explícita da Lava Jato, completando o substrato subjornalístico para ser usado em campanha eleitoral.

2. A quebra do sigilo telefônico de Lula

Entre 19 de fevereiro e 7 de março de 2016, despachos do ex-juiz Sérgio Moro autorizaram grampos contra 39 números de telefone, de 13 pessoas e entidades ligadas ao ex-Presidente Lula.

O ex-juiz e atual Ministro da Justiça de Bolsonaro também autorizou a interceptação dos terminais telefônicos utilizados pelo ex-Presidente Lula, por seus familiares e colaboradores.  O grampeamento tão amplo, por sua vez, foi ordenado antes de qualquer depoimento de Lula, violando as garantias constitucionais do sigilo telefônico e da proteção da intimidade.

Segundo o critério legal, a interceptação telefônica se mostra aplicável apenas “para prova em investigação criminal e em instrução processual penal” (artigo 1º, caput, Lei n. 9.296/96), nos casos em que “houver indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal”, se a prova não “puder ser feita por outros meios disponíveis”, e se a suposta infração penal não culminar, “no máximo, com pena de detenção”.

No caso, como pudemos ver e como foi fartamente divulgado pela própria imprensa, não havia nenhum crime definido sendo investigado. O objetivo era apenas grampear e monitorar as conversas e ações do ex-Presidente.

Diante de tantos fatos estarrecedores, seria inusitado ainda se surpreender com mais violações. Não no caso de Moro. A interceptação requerida pelo ex-juiz também incidiu sobre o ramal-tronco de um dos escritórios de advocacia responsáveis pela defesa do ex-Presidente, grampeando – pasmem – dezenas de advogados.

Este protocolo escandaloso foi realizado com pleno conhecimento do magistrado, visto que foram realizados dois alertas da empresa de telefonia – sic – responsável pelo grampo ilegal, porque a lei define expressamente que é vedada a ação de grampear advogados.

3. Jurisdição indevida e a falta de relação dos fatos com a Petrobras

Como é de conhecimento do universo jurídico técnico, o juiz Sérgio Moro aceitou julgar o caso do triplex no Guarujá, mesmo sem ter nenhuma evidência de qualquer relação entre o apartamento e os três contratos da empresa OAS com a Petrobrás listados na ação. Recordando: a Operação Lava Jato e as ações aceitas por Moro destinam-se exclusivamente a investigar, denunciar e julgar desvios ocorridos na Petrobrás. E ponto.

O apartamento, como é público e notório, fica no estado de São Paulo e o caso só foi julgado por Sérgio Moro no estado do Paraná graças à inclusão artificial dos tais contratos no processo, feita pelo Ministério Público e aceita pelo agora Ministro da Justiça de Bolsonaro.

Moro negou à defesa de Lula qualquer perícia contábil para analisar se recursos da Petrobrás realmente foram, de fato, usados no triplex do Guarujá. Ignorou documentos comprobatórios de que o imóvel estava dado, pela OAS, como garantia de operações financeiras, ou seja: o imóvel já estava com seu valor de venda comprometido com um fundo de investimento. Jamais poderia ser doado, emprestado, cedido e nem mesmo vendido a Lula ou a qualquer um.

No final do processo, por demanda da defesa (os chamados embargos infringentes) o ex-juiz e agora ministro disse com todas as letras – perfazendo praticamente uma confissão – que jamais havia dito na sentença que havia recursos da Petrobrás relacionados ao triplex.

4. A ilegalidade rudimentar de Moro

Em 16 de março de 2016, quando Lula foi nomeado ministro da Casa Civil pela então presidenta Dilma Rousseff, o então juiz Sérgio Moro produziu uma ilegalidade rudimentar: ao remeter  o caso para o Supremo – no exato momento da nomeação de Lula e antes mesmo dele assinar o termo de posse – Moro divulgou os áudios e as transcrições de interceptações telefônicas entre o ex-Presidente Lula, sua esposa, seus advogados, sua família (incluindo esposas de seus filhos) e terceiros, mesmo o caso não lhe pertencendo mais por força constitucional e de seu próprio despacho.

5. A divulgação ilegal do grampo

Na esteira de ilegalidades tão elementares, Moro cometeu um crime em particular – a céu aberto e à vista de todos – ao tornar público um grampo ilegal, feito após sua própria ordem de cessar as gravações, de uma conversa telefônica entre uma presidenta da república e um ex-Presidente já nomeado ministro de estado.

Não satisfeito, o ex-juiz levantou o sigilo desta comunicação juntamente com as demais, entregando o áudio e sua transcrição aos veículos de imprensa – com primazia para a Rede Globo – que divulgaram o material à exaustão e com viés sensacionalista.  Uma queixa de Marisa Letícia Lula da Silva em conversa com um dos filhos foi tratada como escândalo.

Vale lembrar: até hoje, mais de dois anos depois das violações, o Conselho Nacional de Justiça não discutiu esse caso concreto de crime do juiz Moro, embora tenha entrado e saído de pauta, pelo menos duas vezes.

A liberação ilegal das gravações na tarde daquela quarta-feira de 16 de março foi claramente projetada para criar um clamor público e exercer uma forte pressão política, com o objetivo de reverter a nomeação do ex-Presidente Lula como Ministro de Estado, que viria a ocorrer menos de 48 horas depois por decisão liminar e monocrática do ministro Gilmar Mendes.

Foi uma atuação política agressiva, com todas as letras. Embora, em manifestação escrita ao Supremo, Moro tenha pedido desculpas com a curiosa palavra eufêmica “escusas” pelo que fez, em diversas manifestações posteriores ele afirmou não ter se arrependido de uma ação de abuso de autoridade contra Lula, ação essa que, como sabemos, violou expressamente a lei.

6.  A nota pública política de um juiz de primeira instância

O ex-juiz Sérgio Moro emitiu uma nota política naquela ocasião afirmando estar “tocado” pelas manifestações ocorridas naquela data.

Destaque-se que essas manifestações, como é público e notório, tinham como alvo, dentre outros, o governo Dilma e o ex-Presidente Lula. Moro se juntava, portanto, à militância de partidos de direita pelo impeachment e contra o PT.

7. Teori interpela Moro e Moro ‘espana’

Àquele momento, o Ministro do STF Teori Zavascki cobrou do então juiz Sérgio Moro explicações sobre as medidas por ele adotadas que invadiram até mesmo telefonemas da Presidência da República.

Ao responder o ofício encaminhado por Teori Zavascki, o ex-juiz Sérgio Moro fez diversas acusações contra o ex-Presidente Lula, comportamento incompatível com a imparcialidade de um juiz. O gesto demonstrou pré-julgamento e ânimo de promotor e não de juiz, definitivamente.

8. A operação para sustar o habeas corpus de Favretto

Como todos pudemos acompanhar em vários veículos da imprensa, os eventos em torno do habeas corpus concedido a Lula em julho – e não cumprido – foram tomados de sucessões vertiginosas de ilegalidades encadeadas.

Ao tomar conhecimento de ordem de habeas corpus concedida em 8 de julho de 2018 pelo Desembargador Federal Rogério Favretto, do TRF-4, em favor do ex-Presidente Lula, o ex-juiz Sérgio Moro – em pleno gozo de suas férias, em Portugal –  proferiu decisão determinando que o habeas corpus não fosse cumprido pela Polícia Federal.

Traduzindo: um juiz de primeira instância – que sequer era o responsável pelo processo de execução penal – bloqueou a decisão proferida por um Desembargador, estimulando a desobediência de decisão judicial e incorrendo no crime de obstrução de justiça.

A atitude de Moro depois seria ainda usada pelo deputado Eduardo Bolsonaro como “bom exemplo” para “peitar”  instâncias superiores da Justiça, sendo que no exemplo hipotético citado, o filho do Presidente eleito, falava do próprio Supremo Tribunal Federal, declaração temerária e antidemocrática fartamente divulgada pelos veículos de imprensa.

9. A quebra de sigilo de Palocci como arma eleitoral

Na véspera do segundo turno das eleições presidenciais de 2018, o ex-juiz e agora Ministro da Justiça Sérgio Moro – por iniciativa própria – determinou a juntada do acordo de delação firmado por Antônio Palocci nos autos da ação penal que trata do chamado “Sítio de Atibaia”. Moro também determinou a juntada de um depoimento prestado por Palocci a Procuradores da Lava Jato – escolhido por critérios meramente subjetivos do magistrado.

A intenção, à furiosa evidência, foi de causar mais um fato político. O próprio juiz reconheceu no despacho, que os depoimentos de Palocci não poderiam ser utilizados no julgamento do mérito da ação penal, pois não foram submetidos ao contraditório.

Moro estava de posse desses documentos havia já alguns meses. Não havia qualquer justificativa jurídica ou processual para que a juntada desses documentos, com a subsequente retirada do sigilo, tivesse ocorrido em pleno processo eleitoral, a não ser para prejudicar a candidatura do Partido dos Trabalhadores.

A delação de Palocci, de maneira pouco surpreendente, foi rejeitada pelo Ministério Público da Lava Jato. Até Moro a considerou, na ocasião, destituída de provas. Mas foi divulgada de forma espetaculosa por Moro (e agora Palocci encontra-se em casa, premiado por depor sem provas contra Lula).

10. O ‘pagamento pelo serviço’ em forma de Ministério

Uma das constatações mais estarrecedoras nesse jogo de cartas marcadas entre uma justiça seletiva que logrou perseguir de maneira escancarada um segmento político é o conjunto de tratativas que levaram Moro a ser agraciado com um ministério no governo do detrator político mais agressivo do ex-Presidente Lula (aquele que, justamente, disse querer Lula ‘apodrecendo’ na cadeia).

Os fatos são de conhecimento público.

Sérgio Moro manteve conversas com Paulo Guedes, assessor econômico do candidato Jair Bolsonaro e já então indicado futuro ministro da economia, ao longo do processo eleitoral; conversas admitidas (confessadas?), hoje, pelo próprio ex-juiz.

No início do processo eleitoral, como restou evidente em todas as matérias jornalísticas sobre a campanha, Lula detinha o primeiro lugar nas pesquisas e possivelmente seria eleito no primeiro turno caso não tivesse sido impedido de participar do sufrágio por decisão do TSE – contrariando liminar concedida pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU – baseado justamente na condenação conduzida por Moro, repleta de falhas e arbitrariedades.

Trocando em miúdos e falando em língua de gente: Bolsonaro só foi eleito porque a Justiça impediu a participação de Lula no processo eleitoral. E para esse fato a atuação de Moro foi decisiva.

Moro, na verdade, usou explicitamente seu cargo de juiz para impedir que Lula pudesse participar do processo eleitoral; sua atuação foi decisiva para eleger Jair Bolsonaro que, agora, terá Sérgio Moro a seu lado para intensificar a perseguição ao seu mais forte adversário político e, assim, prosseguir na escalada de arbitrariedades contra o próprio Estado Democrático de Direito.

O arbítrio passou no Supremo e só Cármen Lúcia não viu.

Como se pode notar, a ministra do STF Cármen Lúcia preferiu ignorar esses 10 clamorosos itens arrolados por uma equipe técnica, ampla e pedagogicamente divulgados pela imprensa, em vez de consagrar ao Tribunal Supremo do País a leitura básica da realidade concreta, rigorosa e protocolarmente debruçada em legítima defesa de um ex-Presidente da República.

Resta a certeza de que, a despeito das arbitrariedades e violências associadas a indiferenças e vistas grossas das cortes superiores, a verdade ruma ao seu destino fatal da consagração histórica. Se é o tempo que impede que a verdade prevaleça, então a luta pela aceleração desse tempo será a luta a ser travada por todos os segmentos democráticos dignos de respeito e de autoestima republicana do País.

BLOG MARTINS ANDRADE E VOCÊ–OS ANOS PERDIDOS

Republicamos o artigo de Tereza Cruvinel, publicado neste domingo, 30/12, no Jornal do Brasil

Os anos perdidos

O ano que se finda ainda será muito revisitado para ser compreendido. Nele, constatamos que o fundo do poço pode sempre ser mais escavado. A autoflagelação destrutiva iniciada em 2013, e os desatinos dos anos seguintes, resultaram na opção eleitoral pelo projeto extremista que começa a ser implantado com a posse de Bolsonaro.

E com isso começa o ciclo político que substituirá o da Nova República, iniciado em janeiro de 1985 com a eleição de Tancredo Neves e coroado com a Constituinte, legado que o Brasil e suas elites não souberam aprimorar. Não se pode falar de 2018 sem olhar também para os cinco anos anteriores.

Em 2013, nossas elites políticas não entenderam as manifestações “contra tudo e todos”, especialmente o PT, que governava, e o PSDB, maior força de oposição. Partiram para o confronto eleitoral sangrento em 2014, com a nascente Lava Jato adubando a polarização. No futuro, alcançou outros partidos mas naquela hora, só demonizou o PT. Dilma errou na campanha, omitindo o verdadeiro estado da economia e das contas públicas. Liderado por Aécio Neves, o PSDB não errou menos. Não aceitou a derrota, embarcou na sabotagem ao governo e jurou que Dilma não governaria.

Em 2015 ela tentava corrigir erros econômicos mas o Congresso sabotava seus esforços. A recessão deu as caras. O fogo da Lava Jato se espalhou, jogando a política na lama. Desesperados, os políticos buscavam um bote salva-vidas. Para a estancar a sangria, “a solução é o Michel”, disse o senador Jucá, pregando o acordão “com Supremo e tudo”. A palavra impeachment saltou de suas bocas para as ruas. Dilma foi deposta numa sessão de horrores, comandada por Cunha, com Bolsonaro homenageando o torturador Brilhante Ustra.

E vieram os anos perdidos com Temer, de mais recessão, desemprego e corrupção, moendo os partidos que deram o golpe do impeachment. Não sobrava ninguém. Afinal, prometeram que tirando o PT do governo tudo iria melhorar, e piorou. Parecia o fundo do poço, mas a saída viria em 2018 com a eleição de um presidente legítimo.

O ano começou com rebeliões nos presídios e as facções criminosas mostrando força. A violência pipocou, o carnaval foi sangrento num Rio acéfalo. Temer fez então sua “jogada de mestre”, com a intervenção federal. Apesar da rejeição, sonhou com a reeleição. Em março, a brutal execução de Marielle Franco informou que forças malignas sentiam-se liberadas. A intervenção chega ao fim melancolicamente.

Em abril, Lula foi preso. A demolição política chegava ao ápice com a prisão do líder mais popular do país, após uma condenação de fundamentos duvidosos, pelo juiz que agora será ministro. Começou a peleja do PT para fazê-lo candidato.

Em maio a greve dos caminhoneiros parou o país e o Temer deu um show de vacilação. Mandou tropas para as estradas mas rendeu-se oferecendo o subsídio ao diesel que acaba amanhã. E agora, farão greve sob Bolsonaro?

Vem a campanha. Lula é líder nas pesquisas e Bolsonaro posa de candidato anti-sistema. Promete guerra aos bandidos e aos corruptos, liberar as armas, varrer o PT e a esquerda, governar sem partidos. Prega a valorização da família e dos bons costumes, enquanto deprecia mulheres, gays, negros e índios. Uma sociedade conservadora sai do armário em seu apoio, para espanto do Brasil envernizado. A esquerda racha e a direita liberal também. Alckmin é um candidato fraco mas o PSDB não tem outro. Em agosto a candidatura de Lula é barrada e o PT lança Haddad com atraso. A transferência de votos começa a funcionar mas, em setembro, Bolsonaro é esfaqueado, e tudo muda. Vitimizado, poupado dos debates, vai ao segundo turno e derrota Haddad. A disputa é suja, com o disparo eletrônico de calúnias contra o petista. Ainda em combate, inclui a imprensa entre os inimigos.

Sua equipe é de duvidosa competência para enfrentar os desafios que tem pela frente. Venceu porque as elites políticas foram incapazes de construir o consenso mínimo para evitar o pior. O voo incerto vai começar. Apertemos os cintos.

BLOG MARTINS ANDRADE E VOCÊ–DESMISTIFICANDO A MÍDIA,

Com texto da jornalista Cintia Alves, publicado no Jornal GGN e Blog do Nassif, repassamos para os amigos do BLOG MARTINS ANDRADE E VOCÊ, artigo que desmistifica o papel da mídia na cobertura da Lava Jato e o envolvimento dela com o Juiz de Piso Sergio Moro.

"Cão de guarda" do Judiciário, velha mídia tem parte (vergonhosa) na ascensão de Moro

sex, 28/12/2018 – 16:27

Atualizado em 28/12/2018 – 16:33

Cíntia Alves

"É preciso desmistificar a atuação da imprensa que se apresenta como mediadora desinteressada. (…) A usurpação da função judicial pela imprensa e a mudança indevida do locus do julgamento encontraram eco na própria atividade jurisdicional, em um consórcio harmônico em que um [Lava Jato] conta com o apoio do outro [mídia] para justificar suas escolhas e ações", escreveu o juiz Marcus Gomes, em 2016

Jornal GGN – Dois, três meses atrás houve quem prometesse chegar ao centro do poder público em janeiro de 2019 com a coragem de devolver a Lava Jato à sua "caixinha". Passada a eleição presidencial, a estrela da operação, Sergio Moro, não vai para caixinha alguma, mas para o Ministério da Justiça de Jair Bolsonaro, com a missão de aprovar leis capazes de institucionalizar o modus operandi da chamada República de Curitiba.

Além da heterodoxia jurídica da própria força-tarefa, se tem um agente com crédito na ascensão meteórica de Moro – que leva na calda do cometa outras cabeças da Lava Jato na Polícia Federal – são os meios de comunicação de massa tradicionais.

Abandonando a responsabilidade de fiscalizar o Judiciário, a maior parte dos jornais mergulhou numa relação promíscua com a Lava Jato. Foi e ainda é abastecida quase diariamente com informações que interessavam aos procuradores e ainda faz, com sua postura acrítica diante de abusos e extravagâncias avalizados por tribunais, a opinião pública acreditar que os fins justificavam os meios.

"Aquele que deveria fiscalizar os excessos do poder – e os das agências penais estão escancarados, à mostra, sem constrangimentos (maus-tratos e tortura policial, seletividade da clientela do castigo, superpopulação carcerária e condições degradantes das prisões, inquisitoriedade da persecução penal etc.) – acaba por se tornar um aliado da repressão penal, seu incentivador, ao fazer crer à massa que garantias fundamentais e direitos constitucionais são um pequeno obstáculo removível, um breve entretempo a ser logo superado em prol do punitivismo."

Quem escreveu isso, ainda em 2016, foi o juiz de Direito e professor da Universidade Federal do Pará, Marcus Alan de Melo Gomes, num artigo no qual faz crítica à cobertura jornalística da Lava Jato, publicado na Revista Brasileira de Ciência Criminal. Trabalho que ilustra bem a aptidão da imprensa em construir heróis nacionais, transformar investigações em novelas e dizer "amém" para julgamentos controversos, desde que o resultado seja de seu interesse.

Para Gomes, a imprensa tem se prestado historicamente a "cão de guarda do poder punitivo", e com a Lava Jato não foi diferente. "O que a Operação Lava Jato veio confirmar foi algo que a crítica criminológica já aponta há vários anos: o emaranhado de conexões que aproxima a mídia do sistema penal, a ponto de falar-se mesmo em uma parceria entre esses dois universos, o comunicacional e o punitivo."

No artigo, o juiz explica que há décadas a imprensa legitima "intensamente o poder punitivo exercido pela ordem burguesa, assumindo um discurso defensivista-social que, pretendendo enraizar-se nas fontes liberais ilustradas, não lograva disfarçar seu encantamento com os produtos teóricos do positivismo criminológico, que naturalizava a inferioridade biológica dos infratores. Esse fenômeno parece ser cíclico e se repete no contexto neoliberal de nossos dias, acentuado pelas nuances de um modelo de Estado mínimo na afirmação de direitos e máximo no controle penal, e por uma imprensa inserida nas engrenagens das grandes corporações comunicacionais, que não mais fiscalizam o poder, pois também o exercem. O cão de guarda das democracias atuais tem um especial interesse na legitimação do poder punitivo. E ele não apenas late. Também morde."

"É preciso desmistificar", portanto, "a atuação da imprensa que se apresenta como mediadora desinteressada" em relação aos produtos da Lava Jato.

"O trabalho das agências do sistema penal é um combustível barato que alimenta o motor da manipulação midiática. Barato e eficaz, pois cria estereótipos de mocinhos e bandidos, de vítimas e algozes, e, com isso, estimula a passionalidade e bloqueia a reflexão racional. Quando deveria informar para emancipar, a mídia noticia para distorcer e cegar", escreveu.

Segundo Gomes, o conluio Lava Jato-mídia soube utilizar o perfil dos investigados (empresários, agente públicos e políticos, em sua maioria ricos) para "criar no imaginário coletivo a ilusão de uma distribuição igualitária de justiça penal."

"Cria-se um cenário visual muito apropriado ao espetáculo, que reforça o discurso da moralização da política ou da purificação da moral política pela via punitiva."

Outro "elemento significativo" na análise é a interação nas redes sociais. "Trata-se de um meio em que vigora a velocidade, fluidez e superficialidade das relações e que proporciona uma imensurável reverberação de opiniões, versões e informação. Um verdadeiro catalisador de notícias que potencializa a aptidão dos mass media para construir a realidade social."

"Pode-se dizer, à margem de exageros, que a cobertura midiática da Operação Lava Jato representa o marco de uma nova etapa comunicacional caracterizada pela dinâmica tecnológica que cada vez mais define o mundo e a vida das pessoas e que pode ser ilustrada pela seguinte equação: mídia x redes sociais = construção da realidade social. Ao já conhecido fenômeno do trial by media soma-se agora o trial by social network", descreveu.

Sergio Moro, tomando decisões da 13ª Vara de Curitiba, mais parecia personagem do "Big Brother da Justiça", "o mais recente reality show em que a privacidade de investigados, ainda que nada tenham a ver com os fatos apurados, é exposta ao público sem qualquer propósito útil para a persecução penal." É só lembrar do vazamento de conversas entre a ex-primeira-dama Marisa Letícia, esposa falecidade de Lula, e familiares.

Na opinião de Gomes, "impressiona" o volume de meios de prova obtidos pela Lava Jato que deveriam estar sob sigilo, mas acabam "prematuramente acessados pelos meios de comunicação."

"Há desses episódios em que se pode mesmo vislumbrar uma preocupante cumplicidade entre a justiça e a mídia, como, por exemplo, por ocasião do levantamento do sigilo de um breve diálogo telefônico envolvendo a presidente da república Dilma Rousseff e seu antecessor na função, Luiz Inácio Lula da Silva, e cujo conteúdo dizia respeito à nomeação deste último para um alto cargo do governo. A par de qualquer reflexão sobre a competência do juiz de primeiro grau para decidir acerca da liberação do sigilo de uma fonte de prova que alcança um agente político com prerrogativa de foro (…), é no mínimo surpreendente que tal providência tenha sido adotada poucas horas depois da captação do áudio da conversa, e sem qualquer finalidade útil para a investigação policial, ao menos aparentemente. A divulgação do diálogo pelos meios de comunicação foi quase instantânea. Não houve, nessa aproximação – melhor seria dizer parceria? – entre a justiça e a mídia, a satisfação de qualquer interesse da persecução penal."

Gomes criticou ainda o vazamento de acordos de colaboração premiada, "em completo desrespeito à presunção de inocência", inclusive atingindo pessoas que sequer são alvos de investigação. Para ele, a divulgação de pequenos trechos "proporciona eficazmente a seletividade da informação, revelando o que se pretende disseminar, e escondendo o que se deseja ocultar."

"A consequência mais nefasta dessa associação é o que Bourdieu chama de ‘uma verdadeira transferência do poder de julgar’, efeito que, no âmbito da Operação Lava Jato, se percebe pela forma como as decisões proferidas pelo juiz da 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba satisfazem as expectativas punitivas alimentadas pela repercussão midiática da investigação. A usurpação da função judicial pela imprensa e a mudança indevida do locus do julgamento encontraram eco na própria atividade jurisdicional, em um consórcio harmônico em que um conta com o apoio do outro para justificar suas escolhas e ações."

É toda essa "pirotecnia tecnológica dos meios de comunicação", "que escraviza a atenção da massa e elimina qualquer pretensão de que o debate público seja pautado por reflexões críticas e isentas sobre a dinâmica do poder punitivo", que contribui para a criação e adoração do mito do "juiz justiceiro, destemido, incensurável, resignado ao sacerdócio da magistratura, que compreende e concretiza os anseios coletivos de combate à impunidade dos poderosos."

"Não sem razão, portanto, a construção midiática desse episódio posiciona, no outro extremo do espetáculo, aqueles que legitimam a ação do paladino da virtuosidade: os investigados e réus. (…) O embate do bem contra o mal, da virtude contra o defeito, do digno contra o indigno, se materializou com a representação do ex-presidente da república Lula por um boneco plástico inflável em trajes de presidiário, cuja imagem foi divulgada em praticamente todas as notícias sobre as manifestações públicas relacionadas à investigação."

Foi nesse contexto de relação promíscua e cobertura jornalística desequilibrada que Lula foi sacado das eleições presidencias pela Lava Jato, após a condenação no caso triplex. Sem o petista no páreo, Bolsonaro levou a eleição no segundo turno. E convidou Moro a fazer política sem toga.

BLOG MARTINS ANDRADE E VOCÊ– O QUE NOS ESPERA.

A relação entre o neoliberalismo e o ataque à educação no Brasil

Repassamos para os amigos do BLOG MARTINS ANDRADE E VOCÊ, artigo do professor

Lucas de Melo Prado, mestre em Ciência Jurídica pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Professor de Filosofia Geral e Filosofia Jurídica no Curso de Direito da Faculdade Avantis (Balneário Camboriú – SC) que faz excelente abordagem sobre o PL7180/2014, apelidado de Escola Sem Partido, introduz o leitor nas definições e políticas neoliberais.

O artigo é bastante enriquecedor e nos leva ao âmago da Tática Neoliberal de dominação econômica, além de analisar o que se pretende com a Escola Sem Partido.

Vamos ao  artigo.

Quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

A relação entre o neoliberalismo e o ataque à educação no Brasil

Há algumas semanas, o PL7180/2014, apelidado de “Escola sem Partido” (sic), foi arquivado na Comissão Especial. Isso significa que sua votação ficará para a próxima legislatura. A oposição comemora como uma vitória importante. Contudo, tendo em vista a nova composição do Congresso a partir de 2019, esse arquivamento parece apenas o adiamento do inevitável. Por isso, é importante ter consciência do real papel desse programa nas tramas fiadas pelo novo governo, eleito a partir de uma aliança entre neoliberalismo e neoconservadorismo. Nesse contexto, apresenta-se a seguinte proposição: “O Programa Escola Sem Partido é uma das táticas de desdemocratização, que integram a violenta estratégia neoliberal.” Nas próximas linhas, pretende-se analisar essa proposição de trás para frente.

Primeiramente, quando se fala em neoliberalismo, refere-se à doutrina que defende liberdade absoluta do mercado e restrições à intervenção estatal. No âmbito econômico, essa doutrina é sustentada pela escola de Chicago, a qual tem como um de seus principais expoentes Milton Friedman; filosoficamente, ela apoia-se nos preceitos libertarianos impulsionados por Robert Nozick; e politicamente, ela concretiza-se nas demandas tecnicistas por austeridade, que ganham notoriedade mundial após a década de 70 e têm como principais ícones Margareth Thatcher, no Reino Unido, e Ronald Reagan, nos EUA. Afinando-se com os objetivos do capital de maximização de lucros e de acúmulo e concentração indefinidos de riquezas, o neoliberalismo aposta na diminuição do Estado ao mínimo estritamente necessário para salvaguardar a propriedade privada, assegurar os contratos e garantir a ordem pública. Para tanto, ele prescreve um receituário de desregulamentações (leia-se: usurpação de direitos), privatizações (entenda-se: sucateamento seguido de entrega dos ativos estatais a preços aviltantes)e corte de gastos governamentais (que, na prática, significa transferência de gastos sociais e investimentos públicos para o setor financeiro).

Com a implementação do receituário neoliberal e a retração do Estado, cria-se a ilusão de um vazio político. Mas vazios políticos não existem. Os espaços que deixam de ser regidos por instituições democráticas, formais ou informais, passam a ser ocupados por agentes privados. O mercado assume funções que antes eram desempenhadas pelo Estado (educação, saúde, previdência etc.), desbravando o que Naomi Klein chama de “as novas fronteiras do capital”.Os direitos (especialmente os direitos fundamentais ditos de segunda geração), que, por definição, devem ser universais e garantidos a todos, tornam-se mercadorias, acessíveis apenas àqueles com condições materiais de por eles pagar. As desigualdades socioeconômicas e a concentração de renda e riqueza são exacerbadas a níveis extremos[2].

O Estado perde sua capacidade de investimento (problema que, no Brasil, é agravado pela emenda do teto de gastos) e torna-se refém dos interesses do capital, que trata a política como mero efeito colateral de seu objetivo primeiro de acumulação[3]. Como resultado, o Estado funciona para a consecução dos interesses do capital, muitas vezes em detrimento dos interesses da população. Institucionaliza-se um capitalismo de compadrio, no qual os lucros são privados, mas os riscos e prejuízos são socializados.Essa realidade ficou muito explícita com a crise de 2008, quando os bancos que quase provocaram o colapso total da economia mundial receberam resgates trilionários do Estado, financiado pela população, e aqueles que deveriam ser responsabilizados pelo desastre embolsam lucros recordes.

Segundo Naomi Klein, em nenhum lugar do mundo, as estratégias que levam a esse estado de coisas gozam do apoio democrático. A implantação do receituário neoliberal está sempre associada a alguma imposição autoritária ou a choques políticos e sociais relevantes, que perturbam a normalidade democrática e desnorteiam a população. Tal situação é aproveitada para aplicar um novo choque de austeridade, antes que a população tenha qualquer chance de reagir.[4] Lembre-se, nesse sentido, dos retrocessos propostos pelo governo Temer, que se multiplicavam a cada semana, após o choque provocado pelo golpe parlamentar de 2016.

E aqui se revela o segundo ponto desta análise: a estratégia neoliberal é violenta.

Max Weber definia poder como “toda probabilidade de impor a própria vontade numa relação social, mesmo contra resistências, seja qual for o fundamento dessa probabilidade”[5].É a imposição da própria vontade contra vontades opostas. Inspirado em Hannah Arendt, Habermas sustenta que isso não é poder, mas sim violência. Há violência sempre que uma vontade estranha é instrumentalizada em proveito próprio.[6]Nesse sentido, as estratégias neoliberais são física, simbólica e politicamente violentas.

A violência física consuma-se no aprisionamento ou na destruição dos corpos daqueles que não interessam e atrapalham a reprodução da dinâmica do capital.Multiplicam-se e até naturalizam-se os espancamentos e as mortes de corpos negros, miseráveis, femininos, transexuais e homossexuais, naquilo que Rubens Casara chama de “gestão dos indesejáveis”[7].

Política e simbolicamente, a violência se realiza no aprisionamento ou na instrumentalização das vontades, ludibriando-as, enganando-as e negando-lhes qualquer âmbito de efetiva participação nos processos de tomada de decisão. Isso aconteceu, por exemplo, no estelionato eleitoral perpetrado por Dilma Rousseff em sua reeleição e na fábrica de fakenews fomentada pela campanha de Jair Bolsonaro. Ambos instrumentalizaram e violentaram as vontades da população, para implementar as políticas neoliberais exigidas pela elite rentista do país — Rousseff, com a indicação de Joaquim Levy, em uma tentativa frustrada de acalmar o mercado e salvar seu mandato; Bolsonaro, com a criação de uma espessa cortina de fumaça moral, que lhe permitiu fugir de qualquer debate acerca da política econômica de Paulo Guedes que, como já se disse, nunca sobreviveu a nenhum debate democrático.

Passadas as eleições, a violência política e simbólica deve continuar, para garantir que os anseios do povo não obstem a implantação das sempre impopulares políticas neoliberais de austeridade. Isso se concretiza com a constituição de modelos de gestão tecnocráticos e o desmantelamento ou inviabilização de eventuais caminhos institucionais de participação. Um corpo de economistas e de juristas passa a tomar as decisões políticas e econômicas mais relevantes, atropelando normas democráticas e preceitos fundamentais, sob o pretexto, patentemente falso, de estarem tomando decisões ideologicamente neutras.

Um retrato cru dessa estratégia é relatado pelo ex-ministro das finanças grego Yanis Varoufakis. Em sua primeira reunião no Conselho de Ministros da União Europeia, Varoufakis propôs uma renegociação dos termos dos empréstimos feitos à Grécia, argumentando que o novo governo grego havia recebido um mandato popular e democrático sustentado em uma plataforma de repúdio às políticas de austeridade que eram impostas ao país pela Troika. A resposta imediata do ministro das finanças alemão, Wolfgang Schäuble, deixou muito claro o peso da democracia na tecnocracia neoliberal: “Não podemos permitir que eleições mudem políticas econômicas”.

Portanto, é da própria essência da manutenção da estratégia neoliberal que as características que, substancialmente, caracterizam uma democracia sejam paulatinamente corroídas. É o terceiro ponto desta análise: o neoliberalismo conduz um processo gradual de desdemocratização.

Robert Dahl aponta seis requisitos mínimos que caracterizam uma democracia: 1) participação efetiva; 2) igualdade de voto; 3) entendimento esclarecido; 4) controle final da agenda; 5) inclusão de todos os adultos; e 6) um sistema de direitos fundamentais.A realização total desses requisitos é utópica e se dá gradualmente, de tal forma que cada país pode se aproximar ou se distanciar desse ideal democrático.[8]Segundo Dahl, o capitalismo é fator que favorece e, ao mesmo tempo, prejudica a concretização da democracia. O curioso é que os aspectos do capitalismo que determinam o afastamento dos sistemas políticos dos requisitos de configuração democrática são exatamente aqueles sustentados e potencializados pelo neoliberalismo.[9]

As violentas políticas neoliberais de austeridade atacam cada um dos requisitos democráticos apontados por Dahl. Elas corroem progressivamente a própria dinâmica democrática, deixando apenas uma casca institucional formal. A manutenção dessa casca democrática, sem conteúdo democrático, ou seja, desse simulacro de democracia, desempenha uma função discursiva apaziguadora, enquanto os agentes do capital rapinam os recursos da nação. Esse contexto é chamado por Colin Crouch de pós-democracia e sua caracterização no cenário brasileiro é muito bem trabalhada por Rubens Casara[10].

Perceba-se que o alvo da ação neoliberal não é a política em si, mas sim a democracia. Por isso, não há que se falar em despolitização, mas sim em desdemocratização. É a democracia que soçobra. A política continua viva e atuante, porém usurpada do povo e exercida por tecnocratas, como efeito colateral da persecução de interesses econômicos[11].Por isso, não interessa ao neoliberalismo o arranjo político que abraça sua causa. Os fins justificam os meios. Em nome da liberdade econômica dos agentes do capital (sub-reptícia porém umbilicalmente vinculada às limitações contratuais e espaciais das classes não-proprietárias), o neoliberalismo alia-se desde às ditaduras sanguinários,como a chilena de Augusto Pinochet nas décadas de 70 e 80,até aos fundamentalismos religiosos, como o da Arábia Saudita, um dos principais aliados do neoliberalismo estadunidense no Oriente Médio.

No caso do Brasil, o neoliberalismo agregou-se a um neoconservadorismo paranoico, que sustenta o delírio de uma suposta teoria da conspiração de um pretenso marxismo cultural esquerdista-comunista-abortista-feminista-gayzista, que teria por finalidade destruir a civilização ocidental. Não se trata de uma aliança necessária. É um caso fortuito. Como diria Vladimir Safatle, calhou de ser assim no Brasil. O resultado dessa aliança, em termos políticos, é o bolsonarismo, que traz consigo a agenda do Programa Escola sem Partido (PESP).

E eis que se retoma a proposição inicial: o PESP é uma das táticas de desdemocratização, que integram a violenta estratégia neoliberal.

Enquanto tática de desdemocratização, o PESP visa a desgastar, especificamente, dois dos pressupostos de um sistema democrático: o entendimento esclarecido e o controle da agenda.

Um dos principais pontos do programa visa a interditar as manifestações políticas dos professores. Tal pretensão, além de ignorar que toda escolha pedagógica é inevitavelmente eivada de um viés político e ideológico, terminará por sonegar aos alunos a oportunidade de conhecer diferentes alternativas políticas e suas possíveis consequências, o que inclui a defesa e a crítica de posicionamentos políticos diversos. Ocorre que a oportunidade de conhecer diferentes alternativas políticas e suas possíveis consequência é, segundo Dahl, o que constitui o próprio núcleo da exigência de entendimento esclarecido.

Além disso, um exame da exposição de motivos do PL7180/2014 e seus apensos (especialmente do PL867/2015), da manifestação pública do idealizador do projeto, Miguel Nagib,na Comissão Especial e do site criado para propagar o programa demonstra claramente quais são as manifestações políticas que serão alvo de interdição e censura:basicamente,críticas ao neoliberalismo; defesas da democracia e dos direitos fundamentais;abordagens sobre sexualidade; e ações que visem ao respeito e à integração de minorias, especialmente em casos que envolvam desigualdades de gênero, identidade de gênero e orientação sexual. Ao se considerar a aliança nacional entre neoliberalismo e conservadorismo paranoico, é fácil compreender o porquê dessas interdições. Os dois primeiros conjuntos de manifestações a serem censuradas são obstáculos à agenda neoliberal; os dois últimos são acintes ao conservadorismo.

O PESP até tenta disfarçar seus comprometimentos ideológicos, impondo um dever injustificável (pois fere as liberdades de cátedra, pensamento e expressão), impraticável (intelectual e temporalmente)e contraditório (ao se levar em consideração a proibição de manifestação política, exigida pelo próprio projeto) de os professores apresentarem, com a mesma profundidade, todas as correntes relacionadas com cada tópico trabalhado em sala.Trata-se de um constrangimento quimérico de o professor, individualmente, concretizar um ideal que se realiza apenas institucionalmente, quer a partir de uma equipe plural de professores dentro de um certo departamento ou entidade de ensino, quer a partir de uma pluralidade de entidades educacionais, cada qual com seu viés político-ideológico hegemônico.A promoção desse ideal institucional, contudo, requer exatamente aquilo que o PESP pretende embargar, isto é, que cada professor seja livre para, dentro do conteúdo programático de sua disciplina, trabalhar com o viés político-ideológico que lhe pareça mais adequado.

Nesse contexto, apesar de alegar um inexistente “princípio da neutralidade do Estado”(sic) — inexistente porque o Estado possui objetivos políticos constitucionalmente determinados e ache por meio dos governos, que são ideologicamente comprometidos, de forma que a democracia constitucional é absolutamente incompatível com a neutralidade político-ideológica —, o PESP, na verdade, propugna um modelo educacional tecnicista e acrítico, ideologicamente enredado com o neoliberalismo e o conservadorismo. Ele será,com efeito, um instrumento de controle e determinação ideológica nas escolas, nas universidades, nos livros didáticos, nos vestibulares e nas provas de concurso. Sob o pretexto de combater uma pretensa doutrinação esquerdista (parte do delírio conspiratório comunista-abortista-feminista-gayzista), o programa fixará, formal e informalmente, os limites da agenda de discussões em espaços educacionais, que são eminentemente políticos e, em uma democracia, deveriam ser plurais.

Além desse controle óbvio da agenda de discussão nas escolas, universidades, livros e provas, o PESP é ainda, em si mesmo, uma cortina de fumaça, que serve para controlar a agenda democrática mais geral. A fábrica de fakenews é tão abjeta, a censura educacional é tão bizarra e a ameaça de retrocessos é tão iminente, que não há como deixar de se discutir, criticar e desmontar os argumentos toscos do PESP. Todavia, centrar a discussão no PESP e nas demais pautas culturais, impostas pelo conservadorismo paranoico,obsta a discussão da questão de maior relevância para o neoliberalismo, sua raison d’être, que são as impopulares políticas econômicas de austeridade. É como um truque de mágica. Para consumar o truque, o ilusionista precisa desviar a atenção do público para longe de onde a mágica realmente está ocorrendo. Dessa mesma forma, a instituição do receituário neoliberal pela elite tecnocrata exige que o foco das discussões populares seja desviado, a fim de se afastar as “inconveniências” da democracia.

É nessa conjuntura que o Escola sem Partido integra violentamente a estratégia neoliberal e contribui para a desdemocratização de nosso sistema político e para a configuração de nossa pós-democracia.E isso é, provavelmente, apenas uma amostra do que nos espera a partir de 2019.

Lucas de Melo Prado é mestre em Ciência Jurídica pela Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI). Bacharel em Direito pela Universidade Federal do Piauí (UFPI). Professor de Filosofia Geral e Filosofia Jurídica no Curso de Direito da Faculdade Avantis (Balneário Camboriú – SC).

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[1]  Todos os meses, em Balneário Camboriú-SC, ocorre um evento chamado Caos Filosófico, mantido pelo prof. Paulo Ferrareze Filho e pelo Lote84. Este texto resume a fala do autor no evento do mês de dezembro de 2018.

[2]  PIKETTY, Thomas. Capital in the twenty-first century. Cambridge, MA: Harvard University, 2014.

[3]  BECK, Ulrich. Power in the global age. Cambridge, UK: Polity, 2005.

[4]  KLEIN, Naomi. The shock doctrine: the rise of disaster capitalism. New York: Picador, 2007.

[5]  WEBER, Max. Economia e sociedade: fundamentos da sociologia compreensiva. 4. ed. Brasília: Universidade de Brasília; São Paulo: Imprensa Oficial, 1999. v. 1. p. 33.

[6]  HABERMAS, Jürgen. Direito e democracia: entre facticidade e validade. 2. ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2010. 2 v.

[7]  CASARA, Rubens R. R. Estado pós-democrático: neo-obscurantismo e gestão dos indesejáveis. 3. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.

[8]  DAHL, Robert Alan. On political equality. New Haven: Yale University Press, 2006; DAHL, Robert Alan. Poliarquia. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2015.

[9]  DAHL, Robert Alan. Sobre a democracia. Brasília: UnB, 2001. p. 183-198.V. tb. DAHL, Robert Alan. Democracy and its critics. New Haven: Yale University Press, 1989. p. 324-326.

[10] CASARA, Rubens R. R. Estado pós-democrático: neo-obscurantismo e gestão dos indesejáveis. 3. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.

[11] BECK, Ulrich. Power in the global age. Cambridge, UK: Polity, 2005.

Quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

A ESTRATÉGIA DA DESINFORMAÇÃO

ISTO É INFORMAÇÃO.

Recublicamos para os amigos do BLOG MARTINS ANDRADE E VOCÊ, matéria do LE MONDE DIPLOMATIQUE.

Firehosing: a estratégia de disseminação de mentiras usada como propaganda política

ter, 25/12/2018 – 12:36

Atualizado em 25/12/2018 – 12:38

Jornal GGN – Na edição após a eleição presidencial de outubro de 2018, o Le Monde Diplomatique Brasil publicou um vídeo e reportagem abordando o conceito de "firehosing", que está associado à estrutura de comunicação que dissemina notícias falsas nas redes sociais, usada à exaustão por Jair Bolsonaro e família. A tática foi estudada por pesquisadores a partir da rede de informação utilizada pelo governo Putin, há anos. Depois é que foi reproduzida e "aprimorada" por Donald Trump e, agora, Bolsonaro. Para os estudiosos do tema, é possível que os leitores contaminados pelas notícias falsas dificilmente tenham acesso ou aceitem a informação correta e apurada. Assista ao vídeo abaixo.

Do Le Monde Diplomatique Brasil

BLOG MARTINS ANDRADE E VOCÊ–RETALHOS

O TIO ESTUPRADOR,

A pastora e futura ministra Damares Alves conta que foi estuprada entre 6 e 10 anos.

Quem a estuprou? Segundo ela, um tio.

Mas, que tio? Ela não sabe o nome do tio.

Sabe o nome de todos os outros tios, menos o do estuprador.

Nesse caso, todos os tios são suspeitos.

Ou então, foi um daqueles desconhecidos que as meninas costumam chamar de… Tio.

SÓ VAI FALTAR O QUEIROZ?

O Pastor Valdomiro Santiago está vendendo uma chave da felicidade por R$300,00.

A chave serve para você entrar 2019 abençoado por Deus.

O Pastor é um dos convidados para a cerimônia de posse de Jair Bolsonaro, juntamente com outros pastores de diferentes igrejas. Entre eles estará também Silas Malafaia, aquele que cobrava uma parcela de qualquer dívida de seus crentes para serem abençoados e conseguirem comprar suas casas.

Valdomiro é um exemplo para figurar na cerimônia de posse de Bolsonaro. É adepto de armas como seu herói-presidente: já foi preso por porte ilegal de armas com uma escopeta e duas carabinas, e balas, muitas balas; a igreja ou ele, já que a igreja é dele, tem um absurdo de processos por inadimplência; para conseguir dinheiro para seus projetos pessoais, Valdomiro Santiago escrevia cartas para seus fiéis, pedindo que eles fossem a igreja, e lá dissessem que tinham sido curados de enfermidades, que eram aleijados e voltaram a andar;  dependentes químicos que abandonaram o vício, etc, etc… Tudo para que os outros fiéis criassem coragem e fizessem doações para a igreja. Outro que vai estar presente e o pastor e presidente da Igreja Batista Atitude Central da Barra, Josué Valandro Junior, o Pastor da primeira dama Michelle Bolsonaro. O pastor está sendo processado pelo sumiço de R$ 700 mil de uma fiel. Outro que dirá sim, com sua presença, é o mundialmente conhecido Bispo Edir Macedo, da Igreja Universal, que todos sabe quem é. Até o Senhor.

Com esses currículos, muitos serão os convidados para a posse. Só não se sabe se acharam o Fabricio Queiroz. O motorista-assessor merecia estar na solenidade.

GOVERNO BOLSONARO: SÓ VAI FALTAR O AL CAPONE.

Bolsonaro, pegando corda dos evangélicos, murmura que quer proibir a bebida alcoólica e o sexo antes do casamento.

Com relação ao sexo, essa pratica já foi utilizada e deu muito o que falar. Era um noivo, que na noite de núpcias, descobria que a noiva não era mais virgem e matava ela e a família de vergonha, quando ia devolver a recém casada aos gritos de que não era mais virgem. Acontecia. E entre as igrejas pentecostais, o uso indiscriminado do sexo anal para diminuir o fogo dos noivos.

Com relação à proibição de bebidas alcoólicas, os Estados Unidos já passaram por essa experiência lamentável e deu Al Capone na ponta do lápis.

A lei seca, estabelecida nos Estados Unidos nas décadas de 20 e 30 do século passado, trouxe dissabores para a lei americana, com quadrilhas que contrabandeavam bebidas alcoólicas. É mais ou menos parecido com a maconha e outras drogas de hoje. A proibição leva a formação de quadrilhas do crime organizado e o resultado é a juventude, ávida por um ganho, entrar de cara nessa atividade. Além do que, faz surgir lideranças criminosas, que lutam pelo controle da venda daquele ou daqueles produtos proibidos.

Então, antes do governo Bolsonaro começar, já se tem um Posto Ipiranga, o super ministro da fazenda; um caixa eletrônico, Queiroz, o motorista-assessor.

Com a proibição da venda de bebidas alcoólicas, só vai faltar a figura do Al Capone. Já, já ele aparece…

FALTOU UM BERÇO A LULA.

Engraçado… Lula nunca foi convocado para depor.

E de repente, amanheceu com a Polícia Federal dentro de seu apartamento, invadindo privacidade porque a esposa do ex-presidente ainda se encontrava dormindo. E todos sabem como uma mulher fica a vontade enquanto dorme… A gentes revirando tudo, olhando debaixo do colchão, da cama, dentro de armários, guarda-roupa. Revirando sofás, procurando coisas atrás de espelhos, quadros, o descambau!

Depois,  cumpriram uma condução coercitiva, que não cabia naquela manhã, porque o ex-presidente nunca fora convocado, até então, para depor.

E agora, um simples motoristas dos Bolsonaro, convocado duas vezes para depor, e nas duas vezes nem pisou na delegacia, ou MPF, nem em lugar nenhum para prestar depoimento, quando qualquer outro ser humano já teria sofrido uma condução coercitiva, na marra, pela recusa em depor, e até agora isso não aconteceu.

Coisas esquisitas acontecem no Brasil com uma pessoa que veio do nada.

Nossos irmãos são cruéis com irmãos que vencem na vida, e não vieram de um berço encravado na elite.

BLOG MARTINS ANDRADE E VOCÊ–QUEM SÃO OS DONOS DO BRASIL

Repassamos para os amigos do Blog Martins Andrade e Você o artigo de Armando Coelho, um ex-delegado da PF, que vivenciou as determinações emanadas do poder executivo, e nunca eram obedecidas.

Publicado no ggn1, republicamos para você.

Política

Armando Rodrigues Coelho Neto

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ARMANDO COELHO

seg, 24/12/2018 – 07:42

Atualizado em 24/12/2018 – 07:52

fotorfascismogeledes

Dono do Brasil toma o país de volta (PT e a ilusão de ser maior)

por Armando Rodrigues Coelho Neto

Cena 1. Eu era presidente da Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal e, tratando de assunto de interesse da categoria, ouvi do Chefão da PF: não sei quem manda no Brasil. Converso com o presidente Lula, ele me parece sereno e sincero. Chama ministros, assessores, toma decisões e batem o martelo. Saio da reunião, certo de que o assunto tratado está resolvido. Passa o tempo e nada acontece. Para ele, era como se algo ou alguém na obscuridade tomasse as decisões. Cá comigo, eu me dizia que o país tinha e tem dono, o PT ganhou nas urnas o direito de assinar papeis, sem nunca chegar ao poder.

Cena 2. Eu estava no interior de São Paulo, onde um ex-vereador de uma pequena cidade estava a receber o título de Cidadão do Município. Conversa vai, conversa vem, ele disse: você não é PT e vota no PT. O rio quando nasce é pequeno, a água é limpa e transparente. Mas, quando cresce as águas se avolumam, se tornam turvas e violentas. Ao passar pela curva arrasta todo o lixo das margens. O rio PT arrastou lixo na primeira curva e isso não vai dar certo. O PT vendedor de estrelinha na Praça da Sé, em São Paulo, vai transbordar feio quando a chuva chegar. Com meus botões, me disse: é como evangélico de araque, que quer o bem bom agora e não nos Jardins do Eden.

Cena 3. Sem ordem cronológica, o PT está crescendo e pode ganhar eleições. Vamos impor a lei seca, às vésperas das eleições. Na Polícia Federal, corruptos de carteirinha começam a construir discurso de esquerda, de olho na curva do rio. O comércio recebe recomendações para não permitir conversa política nos bares: é armação petista pra fazer campanha proibida. A militância do PT mostra força na boca de urna e cresce mais. Fazer boca de urna vira crime. Empresários reunidos na Av. Paulista decidem que “Lula não pode ser presidente de jeito nenhum”. Fernando Collor de Melo (candidato da Globo e das elites) leva Miriam Cordeiro, ex-namorada de Lula, para dizer que ele lhe ofereceu dinheiro para ela abortar. A TV Globo edita o último debate entre Collor e Lula. Vale o decidido na Av. Paulista.

Cena 4 – Com 61,27% dos votos válidos, Lula é finalmente eleito presidente e, apesar da Cena 1, se torna o melhor presidente da história. Os donos do Brasil não gostaram. Lula era o macaco na cristaleira que iria quebrar tudo, era pra ter caído no primeiro mandato. Lula se reelege e elege Dilma Rousseff, que também se reelege. O prazo de validade da democracia de fachada vence. Eclode o golpe com supremo e tudo. Mas não pode dizer que é golpe. Na maior farsa jurídica nacional, quiçá do mundo, Lula é condenado, preso. A justiça tenta legitimar o golpe, rasga a Constituição, atropela a Organização das Nações Unidas e a farsa eleitoral se consuma dentro de outra farsa, que sai vitoriosa. O Coiso vence na fraude, mas ainda não pode chamar nem de fraude nem de golpe.

Cena 5 – No dia 19 de dezembro deste ano, atendendo pedido judicial do PCdoB, o ministro Marco Aurélio Mello, da dita Suprema Corte, determinou a soltura de presos condenados em segunda instância, pois fere a Constituição. Reafirmou seu entendimento de sempre sobre a matéria. A decisão do ministro só poderia ser reformada por ele mesmo ou pelo colegiado, segundo já sacramentado no STF. Mas o ministro Dias Tófolli cassou a sentença horas depois. Se posta em prática, o ex-presidente Lula estaria entre os beneficiados.

Epílogo. Conforme a Cena 1, ninguém sabe ainda quem manda no Brasil. Há meras suposições sobre isso. Já pela Cena 2, o PT levou para o STF muito lixo das curvas do rio, e esse lixo está soterrando a Constituição Federal. A mudança de regras no Brasil gira em torno do que pode prejudicar o Partido dos Trabalhadores. É o que se deduz da Cena 3. Conforme Cena 4, o diabo quando vem não se apresenta como tal e sim como anjo, assim como a ditadura de 1964 se apresentou como “a redentora”. Portanto, continua não sendo possível chamar o golpe pelo nome, nem a farsa de farsa. A Cena 5 permite concluir que o ministro Marco Aurélio (conhecido como voto vencido) ou não entendeu que é golpe, ou está no golpe, ou peitou o golpe, sabe-se lá por que.

Quem manda no Brasil? Mistério. O que há de certo é que, na marra, o dono pediu o que é seu de volta, e o Exército Brasileiro, que bate continência pra canalha, resolveu entregar. O PT que viveu a ilusão de ser maior está voltando ao tamanho original e ainda corre o risco de entrar para a ilegalidade.

Armando Rodrigues Coelho Neto – jornalista e advogado, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-integrante da Interpol em São Paulo

BLOG MARTINS ANDRADE E VOCÊ–A FAMÍLIA METRALHA

Republicamos matéria publicada no The Intercept.

Caso do motorista que movimentou milhões é apenas mais uma das suspeitas de mutreta do clã Bolsonaro

João Filho

23 de Dezembro de 2018, 8h19

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Família Bolsonaro em churrasco com o ex-motorista Queiroz. Foto: Reprodução

O interminável silêncio do motorista Queiroz não deixa dúvidas de que ele não tem como explicar as mutretas no gabinete de Flávio Bolsonaro, que envolvem o presidente eleito da República e sua esposa.

Há mais de duas semanas, a família Bolsonaro vem tentando se esquivar do assunto, limitando-se a dizer que é Queiroz quem deve ser questionado. Mas o amigo íntimo de quase 40 anos do presidente sumiu do mapa. Na última sexta-feira, ele faltou pela segunda vez a uma convocação para prestar depoimento no Ministério Público do Rio alegando doença. Essa dificuldade em explicar os desvios nos leva a supor que os envolvidos no caso ainda não combinaram uma boa desculpa.

O motorista mora numa casa simples e leva uma vida incompatível com a de um criminoso que liderava um esquema que desviava quantia milionária dos cofres públicos.

Já a família Bolsonaro, que multiplicou seu patrimônio na política, hoje conta com pelo menos R$ 15 milhões só em imóveis.

“Tudo funciona dentro do meu gabinete. Vocês estão criando uma história no imaginário das pessoas que não é verdade. Nós sempre trabalhamos super direitinho, super bem”, mentiu Flávio Bolsonaro. A sua família está longe de trabalhar “super direitinho” quando se trata da administração dos seus gabinetes.

Pouco se tem lembrado que o clã Bolsonaro tem larga tradição na distribuição de tetas públicas para amigos e parentes e no funcionalismo fantasma. É um costume de família. Com atuações parlamentares tímidas, para não dizer irrelevantes, a promiscuidade entre o público e o privado sempre foi uma das grandes marcas dos gabinetes dos Bolsonaro. Não foram poucas as vezes em que se descobriu que gente próxima da família recebia um salário público sem aparecer para trabalhar.

O caso Queiroz é só mais um entre tantos. Resolvi relembrar alguns casos antigos que mostram como o clã mais poderoso do país tem utilizado seus mandatos para abrigar amigo e parentes no serviço público. Nem todos os casos são ilegais, mas demonstram que o zelo pelo dinheiro público nunca foi um princípio caro dentro dos seus gabinetes.

Todos os casos citados abaixo já foram publicados na mídia. Portanto, não há novidades. O intuito é colocar o caso Queiroz sob perspectiva e registrar o uso do dinheiro público para favorecimento particular como uma tradição familiar.

Ana Cristina Valle – é aquela ex-mulher que negou ter sido ameaçada de morte por Jair Bolsonaro durante a campanha mesmo depois de aparecer um documento oficial do Itamaraty em que ela relatou a ameaça. Antes de virar candidata à deputada federal usando o sobrenome do ex-marido, e não se eleger, Ana Cristina conseguiu emprego nos gabinetes da família Bolsonaro não apenas para ela, mas também para seus parentes.

No fim de 1998, quando seu filho com Jair Bolsonaro ainda não tinha completado um ano, Ana Cristina foi trabalhar no gabinete da liderança do PPB, a sigla pela qual Bolsonaro acabara de ser eleito.

Em 2000, se mudou para o Rio de Janeiro para trabalhar no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro, onde ficou por seis anos. Em 2018, foi ser chefe de gabinete do vereador Renan Marassi que, vejam só que coincidência, é de Resende — base eleitoral dos Bolsonaro — e um grande aliado político. No mês seguinte à contratação, mais uma nova coincidência: o vereador foi com o prefeito de Resende até Brasília para agradecer Bolsonaro pelas emendas que destinaram verbas para o município.

Andrea Valle – a ex-cunhada de Bolsonaro estreou no serviço público ganhando uma tetinha no gabinete de Jair Bolsonaro em 1998, mesmo ano em que sua irmã deu a luz ao filho de Bolsonaro. Ela foi nomeada assessora na Câmara, onde ficou até 2006.

Dois anos depois, uma semana após o STF proibir a contratação de parentes de até terceiro grau para cargos de confiança, o então deputado estadual Flávio Bolsonaro nomeou a ex-cunhada do pai para trabalhar em seu gabinete.

Durante 10 anos, Andrea recebeu R$ 7,3 mil entre salário e gratificações, além de mais R$ 1,1 mil em auxílio escolar. Há um ano, reportagem do O Globo foi procurá-la no gabinete por duas vezes, mas os funcionários nunca haviam ouvido falar dela. Flávio garante que ela não era funcionária-fantasma. Segundo ele, ela não aparecia no gabinete porque ficava em Resende organizando reuniões e fazendo divulgação e panfletagem das atividades parlamentares.

José Cândido Procópio Valle – é pai de Ana Cristina e Andrea. O ex-sogro de Jair foi nomeado como assessor do seu gabinete também no mesmo ano em que Renan Bolsonaro nasceu. Mas não foi para Brasília, ficou no Rio de Janeiro prestando assessoramento parlamentar. Em 2003, foi trabalhar no gabinete de Flávio Bolsonaro, onde ficou durante cinco anos. Foi exonerado no mesmo dia em que sua filha Andrea foi contratada para o mesmo cargo.

Renato Antônio Bolsonaro – o irmão de Jair Bolsonaro mora em Miracatu, interior de São Paulo. Já foi candidato a prefeito da cidade, é dono de quatro lojas de móveis na região e trabalhou como assessor especial no gabinete do deputado estadual André do Prado (PR). Reportagem do SBT acompanhou a rotina do irmão de Bolsonaro e constatou que ele não só não aparecia no gabinete do deputado como também não exercia nenhuma atividade ligada ao parlamentar em sua cidade. O irmão de Jair Bolsonaro sugava cerca R$ 17 mil dos cofres públicos por mês, totalizando aproximadamente R$ 230 mil por ano. Foram três anos nessa mamata. Após a revelação do caso, Renato foi exonerado.

Assim como a filha do Queiroz, que ganhava salário como funcionária do gabinete de Jair Bolsonaro, mas atuava como personal trainer de celebridades no Rio, Renato se dedicava exclusivamente à administração das suas lojas.

Waldirene dos Santos Conceição – conhecida como Wal do Açaí, ela constava como funcionária do gabinete de Jair Bolsonaro desde 2003, mas jamais exerceu o cargo público. Wal trabalhava vendendo açaí em Angra dos Reis, na mesma rua em que Bolsonaro tem uma casa de veraneio. Segundo moradores da cidade, Wal prestava serviços na casa de Jair, onde seu marido trabalhava como caseiro. Ou seja, durante mais de uma década, Bolsonaro usou dinheiro público para pagar uma funcionária particular.

Depois que a Folha revelou o caso, Jair exonerou a funcionária, assinando o atestado de culpa. Preocupado com a campanha eleitoral, entrou com pedido no TSE para que as reportagens a respeito fossem retiradas do ar.

Enquanto baixo clero, a família Bolsonaro tratou a coisa pública como se fosse um puxadinho da sua casa. Distribuiu cargos para amigos, parentes e fantasmas. Mesmo assim, uma das palavras de ordem que impulsionou o bolsonarismo foi: “a mamata vai acabar!” Nada indica que essa família muito unida e ouriçada vá se emendar quando papai subir a rampa do Planalto. O Brasil anda numa fase tão surrealista, que é capaz de Jair Bolsonaro desfilar no Rolls Royce presidencial no dia da posse tendo Queiroz como motorista.

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