Category Archives: Uncategorized

BLOG DO MARTINS ANDRADE E VOCÊ–DESEJO DE HUMILHAR.

Ainda repercute nos meios universitários e intelectuais do país, embora abafado pela mídia, o tal PIG, a condução coercitiva de sete pessoas e o consequente suicídio do Reitor  Luís Carlos Cancellier de Olivo, retirados à força de seus lares e levados a uma delegacia da PF de Santa Catarina.

Imagine que um cidadão é surpreendido por uma condução coercitiva, aquela que o policial chega em sua casa e o conduz algemado para uma delegacia, sem ter havido uma convocação do mesmo para que ele prestasse depoimento, conforme manda a lei.

Não houve tempo sequer para o cidadão fazer um lanche.

Da delegacia, ele e mais seis professores foram transferidos para Complexo Penitenciário da Agronômica, de Santa Catarina, colocados em celas, nus e acorrentados, para que os policiais investigassem o ânus dos sete.

A pergunta imbecil, safada e sem vergonha que se faz é a seguinte: O que sete pessoas, dentre elas o reitor da UFSC Luís Carlos Cancellier de Olivo, têm para esconder no ânus, que interessa a uma investigação de “suspeita de obstrução da Justiça?”

Afora o desejo mórbido de humilhar, nada!

Anúncios

BLOG DO MARTINS ANDRADE E VOCÊ–A REALIDADE ECONÔMICA NA VISÃO DE ANDRÉ ARAÚJO.

Economia

Amigos do Blog Martins Andrade e Você. Republicamos para vocês, artigo de André Araújo, publicado no GGN1. de Luis Nassif.

É uma visão econômica do que ocorre hoje em nosso país.

Leia-o com atenção para que você faça uma comparação do que é divulgado, ante a realidade vivida pela nossa sociedade.

Tire suas conclusões e deixem seus comentários.

Agradeço.

Martins Andrade.

picture-1785

André Araújo

CEMIG: vendendo a casa para pagar o almoço, por André Araújo

Enviado por André Araujo qui, 05/10/2017 – 07:46

Atualizado em 05/10/2017 – 18:38

CEMIG: vendendo a casa para pagar o almoço

por André Araújo

De todos os danos estruturais na economia brasileira provocados pelo programa neoliberal, nada mais emblemático do que a venda das maiores usinas hidroelétricas da CEMIG, adquiridas por multinacionais. Elas representam o pior tipo de capital estrangeiro porque não representam a criação de ativos novos, nem empregos, nem agregam valor ao Pais, mas  aumenta a base para remessa de dividendos de um ativo construído por brasileiros com recursos nacionais. E pior, ainda comemoram.

A maior compradora foi uma companhia estatal chinesa. É do sistema chinês importar toda engenharia e equipamentos para suas empresas no exterior vindos da China, também usam suas empresas para empregar chineses ao máximo.

É o pior tipo de comprador para a pior das privatizações que se pode imaginar.

É uma regressão histórica que poucos países viram acontecer em tempos de paz.​

A CEMIG foi fundada por Juscelino Kubitschek que construiu um grande parque hidroelétrico em Minas Gerais, até então Estado carente de energia, suprida que era especialmente por empresas americanas que não investiam no potencial hidroelétrico do Estado.

As usinas, começando por Três Marias, foram construídas com recursos do Estado de Minas Gerais, recursos nacionais, projeto nacional, engenharia nacional, mão de obra nacional.

Agora quatro das maiores usinas da CEMIG, mais de um terço de sua capacidade de geração, são vendidas para fazer caixa para a União, caixa que será queimada em poucos dias para pagar juros e supersalários, os recursos da venda não têm nenhuma destinação estratégica, vão sumir na fogueira do déficit federal continuado, que segue ainda maior em 2018.

Mas o déficit continuará até aumentado no próximo ano, o que será então vendido?

Que tal a Amazônia?  Imagine o valor da madeira serrada na floresta. Venda de terras férteis para chineses também seria um bom negócio, faz caixa rápido, ao gosto dos “ajustistas”.

O insano plano econômico tem como objetivo maior manter o valor do capital rentista que consome  a maior rubrica do orçamento federal, o pagamento de juros da dívida pública. O plano não tem qualquer meta de investimento público, hoje no seu nível mais baixo na história econômica do Brasil, não se investe nada e nem há ideia de investir, a infraestrutura já feita vai deteriorar, nova não será construída por falta de dinheiro, que só falta na ideologia rentista, governos mais inteligentes sabem fazer dinheiro e investir no País. O Brasil não é um País pobre de recursos como a Grécia, que tem que importar comida e combustível.

O objetivo principal do plano é assegurar inflação cada vez menor para com isso garantir o capital rentista que beneficia as classes mais altas e o capital especulativo estrangeiro.

Para atingir tal objetivo não há espaço para investimentos públicos, que são exatamente aqueles que dariam empregos aos brasileiros de mais baixa renda. Construção de obras de infraestrutura gera empregos na faixa mais crítica do desemprego, aquela onde está a maior  crise social de hoje. Investimentos em infraestrutura geram também empregos técnicos na área de engenharia, setor no qual o Brasil já foi campeão mundial em vários setores, como construção de barragens, hoje um deserto de engenheiros desocupados.

O programa econômico não tem nada para o crescimento do Brasil, é apenas um plano de tesouraria, de administração de caixa, de fazer dinheiro para garantir os juros do rentismo.

O plano econômico Meirelles/Goldfajn tem metas definidas, garantir o capital financeiro.

Não tem meta alguma para o emprego, alegando que este virá do investimento privado.

Não há na história econômica saída de recessão sem ação do Estado, mas a ação do Estado não pode existir no atual plano econômico. Ao contrário, as privatizações visam diminuir o papel do Estado na economia, usando o dinheiro das privatizações na fogueira dos juros e dos salários da alta burocracia, em uma operação de curto prazo sem qualquer horizonte.

CUIDANDO DE TRINTA MILHÕES DE BRASILEIROS

Grosso modo, há no Brasil uma classe abonada que, na melhor das hipóteses, chega a 30 milhões de brasileiros e é para essa classe que se faz a atual política econômica.

Qual projeto existe para os outros 170 milhões de brasileiros? Um projeto para esse grupo majoritário simplesmente não existe no atual plano econômico, como se essas pessoas fossem uma nuvem invisível ou um estorvo para a economia.

Na realidade falar em plano é inapropriado, trata-se de algo menor, é um simples programa financeiro para garantir câmbio favorável para o capital voltar protegido de qualquer risco de conversão e garantir câmbio barato para as férias da classe média alta.

Trata-se do primeiro programa na História econômica moderna do Brasil, desde 1930, que não tem qualquer papel para a indústria e para o emprego. O foco único é a garantia do capital e de seus juros, especialmente o capital especulativo de fundos estrangeiros.

Nesse contexto é que se explica a traumática privatização de usinas construídas com capital e trabalho exclusivamente nacionais, vendidas a grupos chineses e europeus, processo que não vai gerar um único quilovate adicional e um único emprego novo.

Na primeira Era das Privatizações no Governo FHC havia um projeto nacional, projeto ruim mas era um projeto com começo, meio e fim, com uma visão de Pais, uma visão neoliberal mas assim mesmo era um projeto nacional de longo prazo com sua lógica interna.

Nas atuais privatizações não há projeto algum, é só fazer caixa, nada mais. A entrada de caixa é imediatamente jogada na fogueira das despesas correntes, sem pensar no dia seguinte.

Ao fim do processo queimou-se o patrimônio físico do País, não se resolveu o desequilíbrio fiscal de forma permanente, no ano seguinte o desequilíbrio continua e já não há mais o que vender porque o estoque de ativos é finito, na primeira Era das Privatizações já se vendeu boa parte do patrimônio nacional, agora trata-se da venda do que sobrou.

A MÍDIA ECONÔMICA

Na mídia econômica da grande imprensa, que no Brasil segue a linha oficial, caso único no mundo, a privatização de usinas prontas e amortizadas apenas para fazer caixa não mereceu qualquer reparo. Ao contrário, o feito foi saudado nessa mídia como prova de confiança no País. Entrega-se patrimônio nacional a chineses e isso é visto como uma vitória.

A sempre onipresente e onisciente Miriam Leitão gastou seu horário do dia seguinte ao leilão para falar de miudezas do PIS-PASEP, não dando nenhuma importância à privatização das usinas da CEMIG, algo que emocionou no sentido de perda a grande parte dos mineiros. Mas Miriam, sendo mineira de Caratinga, não se emocionou e nem tocou no assunto, afinal a linha da GLOBO é a favor do ajustismo na sua última escala. O coro canta unido, Sardenberg, Miriam, Merval, apenas destoa, às vezes Monica de Bolle, que tem luz própria.

LIQUIDAÇÃO DE ATIVOS

Privatizações de ativos importantes e estratégicos estão sendo executadas a toque de caixa para fazer caixa, sem qualquer ideia sequer remota de interesse nacional a longo prazo.

Essa é a consequência de se entregar o controle absoluto da economia do País a delegados do capital financeiro internacional sem nenhuma ligação com um projeto de pais.

Lembra certos diretores financeiros (CFO) de empresas em dificuldades contratados por “headhunters” a peso de ouro que adotam medidas de curtíssimo prazo de geração de caixa, salvam o balanço do ano e seu salário e bônus, mas matam o futuro da empresa.

Há casos clássicos desse tipo de atuação, corta-se toda manutenção, pesquisa, vende-se todo o estoque com grandes descontos, dispensa os funcionários mais experientes e mais caros, vende as melhores máquinas, vende o prédio e passa a pagar aluguel, tudo isso gera caixa no curto prazo mas inviabiliza a empresa no longo prazo.

O caso mais clássico desses “salvadores do caixa” é o de Alfred Dunlap, CEO da fabricante de aparelhos eletrodomésticos SUNBEAM em 1996, apontado como gênio na capa da revista BUSINESS WEEK.  Dos 36.000 funcionários reduziu para 10.000, cortou tudo e fez promoções de vendas dando desconto de 50% em grandes magazines. Com isso fez caixa rapidamente mas liquidou com a marca, destruiu a enorme rede de pequenas oficinas distribuidoras que viram as grandes lojas venderem barbeadores por preços abaixo do que eles já tinham pago à fábrica, causando grandes prejuízos a esses pequenos revendedores que abandonaram a marca. Acabou com o estoque de matérias primas, a fábrica não conseguiu mais operar e a marca foi queimada. Dois anos depois da capa da BUSINESS WEEK, Dunlap foi considerado o pior executivo do País, mas no primeiro ano na Sunbeam ele surfou no sucesso, ninguém percebeu o buraco que ele estava cavando para a empresa, mas com grande lucro pessoal.

Os executivos dirigentes do banco de investimentos LEHMAN BROTHERS ganharam bônus no ano em que o banco quebrou. Até a semana anterior à quebra eles pareciam geniais, mas era tudo no curto prazo, para ganhar o trimestre, o depois não interessava.

O leilão das usinas da CEMIG lembra essa feitiçaria do curto prazo, um desastre para empresas e países, vendem a casa para pagar o almoço, no dia seguinte não tem casa e nem almoço.

O AJUSTISMO

Enquanto o “ajustismo” à outrance segue como única política econômica do Ministério da Fazenda, o Banco Central cuida com exclusividade e total independência da política monetária e cambial, não tem meta de emprego, como tem o FED em seus estatutos.

Só estabilizar a moeda, sem nenhum outro compromisso é algo relativamente fácil. O que exige inteligência e capacidade é ESTABILIDADE com PROSPERIDADE, obrigação legal do Banco Central americano, o Federal Reserve System, os dirigentes tem que cumprir esses dois objetivos. Aqui é um só, o mais fácil, acabar com a inflação paralisando o País.

O “ajustismo” marca de forma indelével seu fanatismo ao inviabilizar, por anos à frente, a capacidade do BNDES alavancar o crescimento. Ao retirar todas as reservas do Banco para operar nos próximos anos, o Ministério da Fazenda sinaliza que sua única prioridade é pagar os juros de uma dívida pública estável que não se desvaloriza pela inflação, secular método dos Tesouros nos últimos 200 anos para aliviar seu endividamento, a começar pelo Tesouro americano. Hoje o dólar vale um vigésimo do que valia em 1945 e com isso que o Tesouro dos EUA conta para manter sua solvência. Estabilidade artificial da moeda é um veneno mortal para os Tesouros, tornando sua dívida pública impagável nem que se venda o País inteiro, os fanáticos das metas de inflação preferem matar o País do que aliviar a dívida.

O Ministério da Fazenda saca R$ 280 bilhões do capital do BNDES para jogar na fogueira do déficit público visando proteger os rentistas da dívida pública, seu único objetivo.

O DESEMPREGO

Para mascarar a recessão induzida por essa política dá-se brilho a truques estatísticos, como dizer que o desemprego está caindo, algo irreal à luz da observação empírica.

O IBGE aponta a criação de 658 mil empregos entre maio e agosto deste ano. Empregos criados onde e porque se não há investimento produtivo digno de registro, público ou privado? E, claro que não se criou emprego algum de carteira assinada, isso o próprio IBGE reconhece, então onde estão os “novos” empregos criados pelas trombetas da GLOBONEWS?

O próprio IBGE declara que são empregos informais onde tudo pode entrar, de motoqueiro entregando pizza a guardador de carro. São basicamente subempregos de baixíssima renda.

O grave problema que nenhuma estatística de emprego aponta é uma realidade cruel.

Depois de procurar emprego por dois anos um engenheiro com excelente formação e boa experiência teve que aceitar qualquer coisa, hoje trabalha no almoxarifado de um grande supermercado, seu valor de mercado seria de 20 mil Reais, ganha 3.500, para não morrer de fome. Esse tipo de situação é GERAL hoje na economia brasileira, são dezenas de milhares de bons engenheiros desempregados, acabou a indústria naval, a indústria de bens de capital está paralisada porque não há investimentos, há pouca construção de usinas, portos, estradas e aeroportos, existe então uma imensa reserva de mão de obra técnica desempregada.

Quando um engenheiro vira motorista de UBER e existem centenas nessa situação, o IBGE conta como um novo emprego e a GLOBONEWS festeja com rojão MAS na realidade nua e crua é apenas um infeliz que aceita QUALQUER emprego para não passar forme, ele e sua família, um homem com mulher e filhos para criar faz literalmente qualquer coisa para manter a família, é essa a realidade real da economia brasileira de hoje.

A INSTITUIÇÃO CEMIG

Em Minas Gerais a CEMIG é uma instituição. As usinas vendidas, que representam 36% da geração da CEMIG, não são apenas bens físicos. São parte de uma grande estrutura corporativa, que em 2010 era a 2ª maior empresa de energia  do País, após a Petrobras.

Com um excepcional corpo de técnicos, departamentos de pesquisa e ecologia, até um importante setor de piscicultura para prover de peixes seus grandes reservatórios, a CEMIG tem um papel crucial no desenvolvimento de Minas Gerais, liquidar parte de seu melhor ativo é algo inacreditável em termos de projeto de PAIS. Os chineses vão cuidar dos peixes dos reservatórios ou vão só se preocupar com os dividendos? Em 2008 a CEMIG fez um magnifico levantamento do potencial eólico do Estado de Minas, um trabalho de fôlego, de excelência técnica, algo que investidores privados dificilmente fariam, a CEMIG tem uma visão pública, de interesse geral, além do puro negócio financeiro. Seu Conselho de Administração, do qual fiz parte por muitos anos, teve luminares como João Camillo Pena, ex-Ministro da Indústria e Comércio, Francelino Pereira, ex-Governador do Estado, Guy Vilella, um dos maiores especialistas brasileiros em barragens. Uma verdadeira instituição de elevado espirito público operando um negócio empresarial, mas com olhar de interesse público além do balanço.

Vender o coração de seus ativos é um ato contra o interesse público, custa a crer que um Estado Nacional, um dos maiores países do mundo, com capacidade de levantar recursos, com visão de futuro, cometa essa insanidade. Mas fizeram. Agentes do capital financeiro internacional no comando da economia não tem qualquer ligação com o Pais e com suas instituições, a CEMIG é uma instituição, como era a outrora poderosa CESP, empresas emblemáticas, com grandes engenharias, construtoras do País, retalhadas a pedaços.

A China nunca faria isso com suas poderosas estatais de energia, nem a França com a EdF, nem a Itália com a ENEL. São corporações que fazem parte da estrutura óssea do Estado, importantes para a construção do futuro para as novas gerações, para pesquisas e novos empreendimentos, a CEMIG foi pioneira em energia eólica, pesquisa carro elétrico, novas baterias, redes de transmissão de dados através das linhas elétricas, não é só dividendo.

OS ECONOMISTAS DE MERCADO E OS NEOLIBERAIS

Há uma categoria de brasileiros cuja adesão ao pensar neoliberal corrói  sua adesão ao Pais onde nasceram e ao qual deveriam ter  lealdade. O neoliberal clássico NÃO tem pátria, são apátridas de alma, se sentem bem em qualquer lugar do mundo desde que ligado a grandes corporações, já esqueceram até a bandeira e o hino do pais onde nasceram, sua cultura não tem raiz e ao fim e ao cabo tem uma tênue lealdade a uma ideologia economicista que limita a vida à carreira, ao bem estar pessoal, para esse grupo o País não existe.

Para uma dessas voltas do Destino são essas figuras que hoje dirigem a economia brasileira.

A Avenida Faria Lima e a Rua Dias Ferreira não são parte do Brasil, são enclaves financeiros, paraísos fiscais que vivem como apêndices da finança internacional, para eles o País é só um detalhe.

São esses núcleos que estouram champagne com venda de ativos nacionais a estrangeiros que titulam como “prova de confiança”, dançam em clima de festa sobre os escombros de um projeto nacional, um Brasil usado apenas como plataforma de capital internacional.

André Araújo – membro do Conselho de Administração da CEMIG-Cia. Energética de Minas Gerais.

BLOG DO MARTINS ANDRADE E VOCÊ–TEMER, NÃO!

Que me perdoem os estrategistas políticos, os defensores da realpolitik, mas Temer, não! Definitivamente, não!

Pouco importa se a esquerda quer que fique, pois até as eleições de 2018, Temer será a melhor alternativa para desmoralizar o golpismo. Pouco importa se o mercado acha que sua queda, agora, poderia consagrar Rodrigo Maia, dar fôlego ao desmonte e prorrogar eleições. Pouco importa se sua queda afetar a economia, der algum fôlego a mais para os golpistas, se desmanchar táticas políticas ou facilitar novos golpes.

Mas Temer, não!

Sua saída é a condição essencial para o país recuperar um mínimo da dignidade perdida. Temer é a suprema humilhação. Jamais houve um presidente tão explicitamente desonesto, tão grotescamente medíocre, cercado por uma turba que representa o que de pior a política produziu.

Perto de Temer, Sarney era um estadista, Figueiredo, um intelectual, Collor, um democrata. Cada um, a seu modo, trazia um mínimo da responsabilidade institucional do cargo. Temer, não! Seu horizonte é apenas a do saque sistemático, da barganha permanente, do troca-troca degradante, das malas cheias de dinheiro negociadas em pleno exercício da Presidência.

Como é possível aceitar como presidente um impostor que, no mesmo dia que assume o cargo leva para dentro do Palácio seus operadores pessoais?

Qualquer tentativa de resgatar minimamente a honra nacional passa pela saída e posterior processo, julgamento e prisão de Michel Temer. Ele conseguiu igualar o país aos piores momentos do México, aos piores ditadores da América Central, aos piores criminosos que assumiram nesgas de poder na América Latina.

Em qualquer parte do mundo, o Brasil não é mais a terra de Pelé, Jobim, de Villa ou Gilberto Freyre, a terra da música, das festas, da amizade. É a terra presidida por Michel Temer!

Enquanto Temer permanecer, será vista como uma nação ferida, controlada por uma organização criminosa, presidida pelo mais medíocre e inescrupuloso governante da história, engatando uma marcha a ré fulminante. Cada dia de vida política de Temer representa anos de perdas e atrasos para o país, a desmoralização das instituições, a radicalização da política.

Não dá para conviver com um presidente flagrado negociando favores com um empresário reconhecidamente corrupto. Não adianta a banda da mídia financiada pela Secom sustentar que nada havia nos diálogos gravados que deixasse explícita a concordância de Temer com o cala-boca de Joesley a Cunha. O que havia nas gravações era algo muito mais grave: Temer indicando seu operador; Rodrigo Loures, e o operador saindo com uma mala cheia de dinheiro entregue pela JBS.

Agora, a informação de que um dia depois de receber R$ 1 milhão da JBS, Temer adquiriu terrenos em condomínios valiosos.

As ameaças à democracia não estão nos conflitos entre Supremo e Congresso. Está na explicitação ampla, acima de qualquer dúvida, da desonestidade pessoal e política do homem que sentou na cadeira da Presidência da República, que passou a representar o país nos fóruns mundiais, um político desonesto, que se valeu  da política para enriquecer, continuou praticando atos suspeitos no exercício da Presidência. A distribuição de emendas orçamentárias, de decretos, o aparelhamento de órgãos técnicos, tudo isso em um processo vergonhoso de barganha política.

Por tudo isso, Temer, não!

BLOG DO MARTINS ANDRADE – ARTIGO DE LUIS NASSIF.

Republico para os amigos do Blog Martins Andrade e Você, artigo de Luis Nassif, publicado no ggn1.

O jornalista faz uma reflexão da atual situação em que se encontra nosso país, e dos principais problemas vividos, frente as próprias instituições com capacidade para resolvê-los.

Aos amigos além Brasil, peço deixar seus comentários.

Martins Andrade.

Xadrez da marcha da insensatez, por Luís Nassif

sex, 29/09/2017 – 06:52
Atualizado em 29/09/2017 – 09:08

Cena 1 – o descuido com a segurança política

Há uma enorme dificuldade das instituições brasileiras de interpretar desdobramento da crise e entender cada episódio de corte e e suas consequências.

Na montagem da cúpula do Judiciário e do Ministério Público Federal, foi fatal o descuido dos governos petistas, não entendendo o poder desestabilizador da Justiça e do MPF. A segurança institucional e a estabilidade política deveriam ter sido o foco principal nas escolhas. E, por tal, entenda-se avaliar as pessoas em um quadro de stress elevado.

Como se comportaria, por exemplo, uma Carmen Lúcia em uma situação de stress político? E um Dias Toffoli? E um Rodrigo Janot? Um Luís Roberto Barroso? Um Ayres Brito?

Não se tratava apenas de avaliar o conhecimento jurídico, mas a personalidade, o caráter – mais afirmativo, mais tímido -, a coerência, a propensão ao deslumbramento. Vai-se buscar esse histórico junto aos colegas de faculdade, aos colegas de profissão, aos juristas com quem o governo tenha afinidades políticas.

Houve um descuido monumental. Escolheu-se Joaquim Barbosa pela cor e pelo conhecimento e já se sabia, no próprio MPF, do seu comportamento desequilibrado. Ayres Brito já era conhecido pelo comportamento dúbio na ditadura.

Essa cegueira manteve-se durante todo o governo Dilma. O único procurador que enfrentava Gilmar Mendes de igual para igual, no Tribunal Superior Eleitoral, Eugênio Aragão, foi preterido devido a barganhas políticas com Gilmar Mendes.

Peça 2 – a incapacidade de perceber os momentos de corte

Com essa mediocrização ampla dos Poderes, pelo modelo político em voga, e das instituições, pelas escolhas erradas, o resto é consequência: a incapacidade do poder civil de entender os momentos de corte, os episódios que fariam o país ingressar em novas etapas, degrau a degrau rumo à insensatez.

Momento 1 – o mensalão

Ali estava nítida a aliança mídia-Ministério Público Federal, com este ensaiando os primeiros voos fora dos limites constitucionais. A montagem da narrativa pelo Procurador Geral Antônio Fernando de Souza e pelo ex-Procurador e Ministro do STF Joaquim Barbosa, mantida pelo sucessor Roberto Gurgel em cima de uma falsificação: o tal desvio da Visanet que nunca ocorreu.

De certa forma, o mensalão foi um presente dos deuses, pois teria permitido ao governo entender explicitamente as ameaças contidas na total falta de controle do MPF. Mas o sucesso de Lula no segundo governo passou a ilusão de que seu gênio político sempre encontraria meios de contornar as tentativas de golpe.

Depois primeiro escândalo, que levou ao mensalão, foram indicados para o STF a Ministra Carmen Lúcia (2006), Dias Toffoli (2009), Luiz Fux (2011), Rosa Weber (2011), Teori Zavascki (2012), Luís Roberto Barroso (2013), Luiz Edson Fachin (2015).

Em 2009 Roberto Gurgel foi indicado para PGR. Em 2013, Rodrigo Janot. Nem com os sinais claros de que os PGRs já andavam à reboque da opinião pública e da corporação, cuidou-se de uma estratégia clara ou ao menos da indicação de um PGR sólido.

Consequência – São esses personagens que se tornam responsáveis por conduzir suas respectivas instituições no período mais turbulento da história recente.

Corte 2 – a prisão de Delcídio do Amaral

Em cima de um grampo armado – possivelmente em uma operação controlada articulada pelo PGR -, com declarações esparsas, o STF endossou a posição de Teori, de mandar prender o senador Delcídio do Amaral. Não apenas isso. Permitiu-se a divulgação de conversas comprometendo Ministros sérios do STJ.

Consequência -  Depois que caiu a ficha, o STF se recolheu. Tornou-se personagem passivo do impeachment.

Corte 3 – a condução coercitiva de Lula e o vazamento de conversas familiares

Consequência direta da anterior, esse episódio deflagrou um novo normal, em que a Constituição foi atropelada. Esteve nas mãos do Ministro Teori Zavascki o enquadramento da Lava Jato nos limites legais. Limitou-se a admoestar Sérgio Moro.

Consequência – o grupo da Lava Jato de Curitiba ganhou vida própria e passou a se impor sobre a PGR. A partir dali todos os abusos foram tolerados.

Corte 4 – o processo contra Eduardo Cunha

O Ministro Teori segurou por meses e meses a autorização para o processo contra Eduardo Cunha. Segundo alegou para amigos, evitava apresentar ao STF por não ter segurança em conseguir os votos necessários. Afinal, havia uma torcida surda pelo impeachment.

Consequência – Esse episódio marcou o ingresso definitivo do Supremo na abulia com que assistiu à consumação do golpe.

Corte 5 – a delação da JBS

Tirou definitivamente a blindagem que a mídia mantinha sobre o PSDB. E escancarou o inacreditável: em pleno exercício do mandato de presidente, Michel Temer indicando um assessor de confiança para receber uma bolada de uma empresa e a principal liderança do golpe negociando propinas em forma de empréstimos.

Consequência – Ali enterrou-se definitivamente a era das grandes passeatas. A opinião pública deu-se conta de que fora enganada no impeachment.

Corte 6 – a declaração do general Mourão

Essa soma de fatores leva a crise institucional ao ponto mais grave: as declarações do general Mourão, sem nenhuma reação do Executivo e do Ministro da Defesa.

O Congresso ficou mudo, o Supremo ficou calado, a ponto de nem a Ministra Carmen, nem o Ministro Barroso exercitarem seu hobby predileto: frases de efeito vazias. Restaram as manifestações isoladas do Ministro Marco Aurélio de Mello e da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, do Ministério Público Federal.

Consequência – as Forças Armadas entraram no jogo. Voltarão as vivandeiras dos quartéis. E qualquer candidatura em 2018 terá que beijar a mão e bater continência ao Estado Maior.

Peça 3 – os episódios desmoralizantes

A entrada do fator militar se dá no momento em que há um conjunto de episódios rocambolescos, capazes de ruborizar o analista mais cínico, sem que os poderes consigam apresentar uma resposta adequada.

Caso Aécio – a impunidade de Aécio é um fator de desgaste extremo. Depois da filmagem do primo levando dinheiro e da irmã negociando, era caso de renúncia imediata ao posto de senador, independentemente de qualquer iniciativa judicial.  Por aqui, Aécio não renunciou e sequer o PSDB tevê força para tirá-lo do cargo.

A teimosia de Marco Aurélio de Mello – que devolveu-o ao Senado como represália pelo fato do STF não ter aceito sua ordem de prisão contra Renan Calheiros – acentuou a impressão de impunidade. E a mídia, com ideia fixa na criminalização de Lula, limitou-se a reportagens episódicas sobre Aécio.

Caso Gilmar – os sucessivos abusos de Gilmar Mendes com o IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público), com sua parcialidade, com seus ataques aos colegas e mesmo a defesa meritória do garantismo comprovam que o arrogante engoliu o esperto. Isso, mais o controle absurdo sobre os sorteios do Supremo – que o fizeram relator dos processos envolvendo justamente os três políticos tucanos mais barras-pesadas – Aécio, José Serra e Cássio Cunha Lima – vão cobrar seu preço. Gilmar valeu-se de um vácuo político e no STF para abusos sem fim. Não tem como essa falta de limites não cobrar seu preço no desgaste inédito do Supremo.

Peça 4 – o curto-circuito dos poderes

Essa disputa Supremo Tribunal Federal x Senado,  STF x STF, Câmara x PGR não leva em conta o básico: a crise atinge todas as instituições. Não se trata mais de disputa de espaço institucional entre instituições representativas do Poder Civil, mas de autofagia de instituições doentes, com a ameaça de um governo autocrático na primeira curva da estrada

Sobrevindo o vendaval, nenhuma escapará. E o que se vê é a insensibilidade de dançarinos no restaurante do Titanic, instituições em frangalhos, incapazes de administrar sequer os próprios conflitos internos.

Executivo – não sei o que é mais desmoralizante, se uma chusma de corruptos assumindo o controle do país, ou se a incrível mediocridade dessa turma. A resposta que deram à entrevista de Rubens Ricúpero não merecia estar nem em jornaleco do interior. O assalto continua sendo perpetrado à luz do dia. Cortes em todos os programas e benesses aos deputados, para garantir a manutenção da quadrilha no poder.

Supremo – uma disputa de egos entre Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso, uma presidente incapaz de um gesto sequer em defesa da Constituição e Ministros derrotados em votações insuflando o Congresso a derrubar as sanções contra Aécio Neves.

Ministério Público – uma tropa à deriva, dirigida – finalmente – por uma procuradora de larga experiência na área penal e de direitos humanos. Mas com nenhum traquejo para o jogo das intrigas palacianas, entre instituições e na sua própria corporação.

PT – Tenta compensar a falta de iniciativa durante todo o processo do impeachment, com um ativismo extemporâneo. Não aprendeu ainda que republicanismo e bons modos políticos – como a defesa da legalidade no tratamento de um inimigo – não têm lugar à mesa, nesse grande banquete bárbaro. A nota em defesa do Senado ignorou que há um novo agente na praça.

Aí vem o Globo, que é grande por ser esperta, principal responsável pela ascensão da quadrilha de Temer ao poder, e estampa a chamada maliciosa;

image

Peça 5 – marcha da insensatez

Essa confusão monumental não permite uma visão otimista do futuro.

O caos amplo abre espaço para uma infinidade de possibilidade, nenhuma positiva – a que implicasse em um pacto entre instituições e partidos visando atender às expectativas da opinião pública.

O que se tem é um avanço da maré conservadora e uma aliança que se torna cada vez mais explícita entre a Lava Jato, a ultradireita, insuflando a maior intervenção militar.

Prova disso é o factoide da carta-arrependimento de Antônio Palocci, com o uso de expressões, como a “peçonha da corrupção” e outras do mesmo gênero, mostrando que os acordos de delação têm um copidesque com bastante afinidade com o linguajar da extrema direita.

Em um momento de bom-senso, o Senado adiou o julgamento da decisão do STF, permitindo a este chegar a alguma solução interna que impeça o transbordamento da crise.

Mas não há nenhuma luz no horizonte próximo.

2017-09-28 20:40:41

BLOG DO MARTINS ANDRADE– A DITADURA QUE SE AVIZINHA.

ALGUMAS CENTENAS DE IDIOTAS VÃO DIZER QUE SOU UM COMUNISTA.

MAS, FOI PUBLICADO NA FOLHA O ARTIGO DE VLADIMIR SAFATLE.

REPUBLICAMOS AQUI. LEIA TAMBÉM.

As Forças Armadas não agem contra o ‘caos’, mas são parte fundamental dele

Talvez não exista momento mais propício do que este para se lembrar da frase de Adorno e Horkheimer, para quem há horas em que não há nada mais estúpido do que ser inteligente. A frase se referia à incapacidade de setores da sociedade alemã de encararem claramente os signos de ascensão do nazismo no começo dos anos 1930 e pararem de procurar explicações sutis e inteligentes sobre a impossibilidade de o pior ocorrer. Dificilmente raciocínio dessa natureza não se aplicaria ao Brasil atual.

De fato, nosso país tem ao menos a virtude da clareza. E foi com a clareza a guiar seus olhos redentores que o general Antonio Hamilton Mourão revelou aos brasileiros que as Forças Armadas têm um golpe militar preparado, que há uma conspiração em marcha a fim de destituir o poder civil. Para mostrar que não se tratava de uma bravata que mereceria a mais dura das punições, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas descartou qualquer medida e ainda foi à televisão tecer loas a ditaduras e lembrar que, sim, as Forças Armadas podem intervir se o "caos" for iminente.

O "caos" em questão não é a instauração de um governo ilegal e brutalizado saído dos porões das casernas. Ao que parece, "caos" seria a situação atual de corrupção generalizada. Só que alguém poderia explicar à população de qual delírio saiu a crença de que as Forças Armadas brasileiras têm alguma moral para prometer redenção moral do país?

Que se saiba, quando seus pares tomaram de assalto o Palácio do Planalto, cresceram à sua sombra grandezas morais do quilate de José Sarney, Paulo Maluf, Antonio Carlos Magalhães: todos pilares da ditadura. Enquanto eles estavam a atirar e censurar descontentes, o Brasil foi assolado por casos de corrupção como Capemi, Coroa Brastel, Brasilinvest, Paulipetro, grupo Delfin, projeto Jari, entre vários outros. Isso mesmo em um ambiente marcado pela censura e pela violência arbitrária.

De toda forma, como esperar moralidade de uma instituição que nunca viu maiores problemas em abrigar torturadores, estupradores, ocultadores de cadáveres, operadores de terrorismo de Estado, entre tantas outras grandes ações morais? As Forças Armadas brasileiras nunca tomaram distância dessas pessoas, expondo à nação um mea-culpa franco.

Ao contrário, elas os defenderam, os protegeram, até hoje. Que, ao menos, elas não venham oferecer ao país o espetáculo patético de aparecerem à cena da vida pública como defensoras de um renascimento moral feito, exatamente, pelas mãos de imoralistas. As Forças Armadas nunca foram uma garantia contra o "caos". Elas foram parte fundamental do caos.

É verdade que setores da sociedade civil sonham com mais um golpe como forma de esconder o desgoverno que eles mesmos produziram. Há setores do empresariado nacional que articulam abertamente nesse sentido, sonhando como isto não terem que se confrontar mais com uma população que luta pelos seus interesses. Para tanto, eles apelam ao artigo 142 da Constituição de 1988.

Este artigo fora, desde o início, uma aberração legislativa imposta pelos próprios militares. Ele legalizava golpes de Estado, da mesma forma que o artigo 41 da República de Weimar, que versava sobre o estado de emergência, permitiu a ascensão da estrutura institucional do nazismo. Segundo o artigo, se qualquer poder chamar as Forças Armadas para garantirem a ordem, se digamos o sr. Rodrigo Maia fizer um apelo às Forças Armadas porque há "caos" em demasia, o golpe está legalizado. Ou seja, é verdade, nossa Constituição tinha uma bomba-relógio no seu seio. Bomba pronta a explodi-la, como agora se percebe.

Contra essa marcha da insanidade, há de se lembrar que, se chegamos ao ponto no qual um general na ativa pode expor abertamente que conspira contra o poder civil, então cabe àqueles que entendem não terem nascido para serem subjugados pela tirania, que não estão dispostos a abrir mão do resto de liberdade que ainda têm para se submeter a mais uma das infindáveis juntas latino-americanas, prepararem-se para exercer seu mais profundo direito: o direito de resistência armada contra a tirania.

Que os liberais se lembrem de John Locke e de seu "Segundo Tratado sobre o Governo". Que os protestantes se lembrem de Calvino e de sua "Instituição da Religião Cristã". E que o resto se lembre que a liberdade se defende de forma incondicional.

BLOG DO MARTINS ANDRADE–RETALHOS.

NO CONVERSA AFIADA

Mano do céu…

– Que foi?

O Palocci ferrou o Lula. Você viu?

– Não vi. O que foi que ele falou?

– Que o Lula sabia de tudo.

– Eita. Tipo o quê?

– O esquema com a Odebrecht.

– Vixe. Agora vai.

– Vai.

– E ele mostrou uns áudios?

– Não.

– Uma sala repleta de mala de dinheiro?

– Não.

– Já sei: contas no exterior?

– Não.

– Extratos bancários?

– Não.

– Uma compra de sentença?

– Não. Nada disso.

– Pelo menos um helicóptero com coca?

– Não.

– Algum depósito na conta da Marisa?

– Neca.

– Palocci pelo menos participou das negociações?

– Diz que não. Mas o molusco contava para ele depois.

– Contava?

– É.

– Tem vídeo disso?

– Não.

– Gravação?

– Não.

– Grampo?

– Não.

– Testemunha?

– Não.

– Eram só ele e Lula? Ninguém mais viu?

– Só os dois Petralhas.

– E a delação foi homologada?

– Foi.

– O juiz aceitou?

– Claro!

– Saquei.

– Não é incrível?

– Realmente. É incrível.

 

A CAIXA PRETA DA JUSTIÇA

A PGR divulgou mensagens contidas no celular de uma advogada, insinuando corrupção em todos os níveis da justiça brasileira.

Os diálogos sugerem duas possibilidades:A primeira, da compra efetiva de votos de magistrados. A segunda, o golpe da “taxa de sucesso”, muito comum em Brasília.

 

A PGR E OS DEPOIMENTOS DOS DELATORES

Joesley Batista na conversa auto-grampeada com Ricardo Sur, revelou um fato já sobejamente conhecido: para os acordos de delação o MPF orienta e exige do delator palavras fortes. Tem que falar de “bandidos”, “organizações criminosas” já que o grande tribunal é a mídia.

 

O PODER DA GLOBO

Frase de Rodrigo Janot ao jornalista Luis Nassif: “Nós que somos experientes sabemos que não devemos dar entrevista para o outro lado, não é Nassif?”

BLOG DO MARTINS ANDRADE–CABO DE GUERRA.

Reproduzimos para os amigos do Blog Martins Andrade e Você, artigo de Fernando Horta, publicado em seu Blog e no Blog de Luís Nassif.

Atentem para as comparações/reações dos grupos envolvidos na ocupação das manchetes, e o que eles fazem para se manterem na visibilidade dos  e espaços midiáticos. Exceto a Globo, que já ocupa esse espaço naturalmente.

Cabo de Guerra, por Fernando Horta

O Jornal de todos Brasis

sex, 08/09/2017 – 09:43

Atualizado em 08/09/2017 – 09:45

Foto: Agência Brasil

Há muito venho defendendo que o STF não agiu para barrar o golpe porque estava cindido. Alguns ministros eram francamente contra o golpe e queriam tirar Eduardo Cunha antes da votação, outros eram favoráveis ao golpe e deixaram a coisa acontecer. Como nenhum dos ministros quis levar a discussão para dentro do STF – e expor a vilania da corte – a cisão levou à inação e a inação ao golpe. A entrevista de Marco Aurélio dizendo da sua animosidade “muito acima do normal” para com Gilmar Mendes é mais um capítulo desta cizânia. Acredito que não seja somente Marco Aurélio a se sentir “desconfortável” com Gilmar Mendes. Uma parcela significativa da população brasileira sente o mesmo.

O golpe começou a se desenhar institucionalmente com a PEC da Bengala (274/2015), prevenindo Dilma da nomeação de um outro ministro para o STF, que, certamente, mudaria esta correlação de forças. O domínio golpista, ou ao menos a garantia da inação dos tribunais superiores é essencial para os golpes parlamentares. Foi assim que George W Bush se elegeu nos EUA em 2000, foi assim o golpe contra Manuel Zelada em Honduras (2009), foi assim contra Fernando Lugo (2012) no Paraguai e também agora no Brasil.

Na Venezuela, logo após o golpe de 2002, Hugo Chavez imediatamente processou os golpistas por “alta traição”. Quando a suprema corte de lá começou a julgar as ações ou desqualificando a traição ou chegando mesmo a inocentar os golpistas, Chavez percebeu que era essencial uma suprema corte ativa, legalista e responsiva aos anseios da sociedade. No Brasil, quando os governos progressistas pensavam nisto, Gilmar Mendes se postava a gritar em frente às câmeras desesperadamente. “Bolivarianismo” virou palavra fácil no jargão do representante do PSDB no STF.

O Brasil hoje é um reflexo desta cisão. A Polícia Federal está cindida, o Ministério Público Federal, os juízes estão. Todos ciosos e cientes de que não podem enfraquecer a “corporação”, assim estas divergências não chegam à público. Mas o fato é que estão todos rachados. A gravação de Joesley – que deve destruir toda a delação – somente veio à tona porque jovens procuradores descobriram o teor e ameaçaram Janot com a denúncia de prevaricação. Como está terminando o seu mandato, a ameaça era crível. Dodge não iria querer se filiar ao crime de seu antecessor. Tão logo as gravações vieram à tona, uma parte da Polícia Federal veio de pronto dizer que avisava há mais de 3 meses ao procurador a existência de outros áudios por parte da JBS. Mais uma prova de que as instituições – todas – estão divididas.

Nas prisões e operações também se vê a cisão. Enquanto uma banda podre da PF trabalha no mesmo ritmo desafinado da República de Curitiba, uma outra parte (colocada em marcha não se sabe por quem) está a campo tentando limpar tudo. O bunker de Geddel, as gravações sobre Temer e Aécio e as investigações sobre Jucá e Eliseu Padilha, a operação Carne Fraca mostram isto. O que se sente, infelizmente, é que não há uma coordenação das instituições para combater a corrupção. Todas estão agindo no impulso. Cada grupo querendo “dar o troco” no outro. A luta das ruas, que se instalou a partir do final de 2013, é replicada dentro das instituições.

Neste embate institucional interno, os que defendem o campo progressista são imensamente mais conscienciosos do que os que apoiam o golpe. Por isto um juiz como Catta-Preta pode se arvorar a dar liminares em segundos, interferindo na política sem o menor pudor. Sabia que teria respaldo de Mendes. Enquanto Fachin se declarava suspeito para julgar processos envolvendo o governo, no início do movimento do golpe, Gilmar Mendes faz das suas para julgar todos os amigos. Sem nenhum escrúpulo. Os escrúpulos, aliás, estão fazendo o lado progressista perder terreno. Dilma os teve, Temer não. Fachin e Teori tinham, Mendes e Moraes não, e por aí vai.

Agora a disputa, um verdadeiro cabo de guerra, está se travando nas cadeias. Cunha se mantém inexorável, recebendo malinhas de dinheiro que, segundo Temer, “tem que manter isto”, enquanto Palocci se verga ao peso da tortura. Nesta puxa-de-lá-e-puxa-de-cá, mandaram soltar o primo e a irmã de Aécio, um perigo se fraquejassem. Agora o campo progressista ameaça com a prisão de Geddel. Lula levanta o Nordeste e a Globo contra-ataca com o Jornal Nacional.

Enquanto o STF se prepara para acabar com os irmãos Joesley e salvar Aécio, Temer e todos os outros envolvidos, o amigo e companheiro de mestrado de Moro, o desembargador Gebran, acelera tudo o que pode para condenar Lula. Gebran, que chegou a desembargador DEPOIS da Lava a Jato, já caiu, “por sorte”, na vara que a ação estava. Lula ameaça continuar a caravana e já sinaliza com a ida a Minas. O puxão na corda é forte. A Globo acaba reagindo desesperadamente e perde anunciantes. O governo indica que a “economia está melhorando” e a população em casa discorda. O congresso fatura. Cada nova denúncia contra Temer significa mais alguns milhões sendo derramados para o mais baixo e constrangedor Congresso da história do país.

Num jogo de cabo de guerra, existem três formas de se ganhar. A primeira é por um lado ter maior força simplesmente. A Caravana de Lula e a presença impoluta de Dilma começaram a igualar a disputa. A segunda forma de ganhar é sendo mais organizado e fazendo pressão na corda para desorientar o outro lado. Geddel é atacado e eles respondem com Palocci. Malas de dinheiro fotografadas dentro do campo político de Temer e Janot copia toda a acusação de Curitiba contra o PT. Nesta troca franca de golpes, alguns sujos, quem vai minguando é o país. Quem vai empobrecendo é o povo.

O jogo pode terminar com novos personagens que vão entrar até o final do ano. A primeira é a procuradora Raquel Dodge. Janot, por vontade própria ou incompetência, serviu de contrapeso para o lado golpista. Se Dodge for minimamente correta já fará uma imensa diferença. O segundo ator novo é o povo. Lula vem levantando os lugares onde passa, Renan, Flavio Dino e outros são testemunha disto. Faz o que Boulous só ameaça e Stédile nem isto. As forças armadas têm sido chamadas (temerariamente no meu entendimento) a agirem, como terceiro ator. Moniz Bandeira, Luís Nassif entre outros pedem uma “intervenção cirúrgica” à la Marechal Lott. O problema é que podem receber uma de 20 anos, como a última.

Há, entretanto, um quarto ator que parece morto e não está. A Lava a Jato destruiu a construção civil no país. Espezinhou os donos de empresas, Marcelo Odebrecht viu seu império ruir, enquanto Temer joga as instituições contra os irmãos Batista. Embora massacrados, estes empresários não estão vencidos. E podem ainda agir. Se o empresariado parar de apoiar o golpe (como a Globo tem sentido acontecer diariamente) e passarem a apresentar provas reais de suas relações com todos os políticos, a situação se tornará insustentável. Até agora, tais empresários não entenderam que vão perder os anéis e também os dedos. Quando se derem conta, talvez queiram agir racionalmente e ainda talvez possam salvar seus negócios.

De resto, façamos a nossa parte. Que o campo progressista não perca este cabo de guerra por falta de braços. Puxemos todos o Brasil para o lado certo, que ninguém se esconda, que ninguém se furte. O futuro dos nossos filhos e netos está se desenhando entre o final de 2017 e as eleições de 2018. O que quer que tenha que ser feito não pode esperar.

BLOG DO MARTINS ANDRADE–REPUBLIAÇÃO

Amigos, estamos republicamos para vocês, esclarecedor e advertente artigo de Luis Nassif, publicado no jornalggn, sobre o atual e futuro do nosso país.

Esclarecedor porque mostra a real situação do momento político em que vivemos, sobretudo àqueles que se comportam mais renitentes ante a faceta de um governo, que acham que veio para sanar a postura corrupta dos anteriores.

Advertente porque, além de mostrar a real situação político-econômica, alerta aos brasileiros o que pretendem os atuais governantes e onde poderão chegar com sua política de esvaziamento dos bens de nossa pátria.

Republico para vocês o artigo de Luís Nassif.

Apelo aos brasileiros de boa vontade, por Luís Nassif

sex, 25/08/2017 – 07:14

Luís Nassif

Atenção, Anfavea. Essa negociata que estão fazendo com o setor elétrico vai bater direto nos seus custos. Pretendem ampliar o que o governo Fernando Henrique Cardoso fez lá atrás. O Brasil tinha a energia mais limpa e barata do mundo, por conta de hidrelétricas já amortizadas. E FHC definiu a descontratação dessa energia, elevando substancialmente o valor das tarifas e inviabilizando diversos setores eletro intensivos, além de acabar com um grande trunfo que o país dispunha, na competição internacional.

Esse quadro voltou, reverteu nas últimas renovações de concessão.

O que se pretende, agora, é descontratar o que resta dessa energia, especialmente nas usinas da Eletrobrás, jogando os preços nas alturas, como ocorreu nos anos 90.

Significa que seus automóveis ficarão mais caros. Tudo bem, podem importar. Mas o mercado de consumo será cada vez mais fraco, já que sem energia competitiva, a indústria irá degringolar mais ainda.

Atenção, sojicultores: a bancada do agronegócio está rifando seu futuro.

Sabe as três hidrelétricas do Tapajós? Pois é, além da geração de energia garantiriam a navegabilidade do rio e o escoamento de toda a safra do norte do Mato Grosso ao Pará. Vocês se lembram daqueles estudos do Departamento de Agricultura dos EUA, estimando que a soja norte-americano iria para o beleléu quando fosse resolvido o problema da logística da região, pois é o único bioma que permite três safras por ano? Pois é, os gringos conseguiram virar o jogo com o desmonte do setor elétrico e o governo Temer rifando as grandes empresas do setor e, com elas, a possibilidade de hidrelétricas e de rios navegáveis. E, além disso, com o fim do Luz para Todos, esqueçam aquela história de universalizar o acesso à energia elétrica no campo.

Atenção, ambientalistas, sabe aquela história da energia mais limpa do planeta? Pois com as mudanças que estão ocorrendo no setor elétrico, haverá apenas termoelétricas abastecidas com o gás e o petróleo que as multinacionais irão extrair do pré-sal. Sabem aquela história da barba e do cabelo? Numa ponta, garantem os poços do pré-sal. Na outra, matam a competição da energia hidrelétrica e das renováveis.

Atenção, Forças Armadas, sabem aquela história de que energia é soberania? Pois é, o setor elétrico será entregue aos chineses, o petróleo aos americanos. E o projeto Amazônia Azul será bancado pela IV Frota, já que os ativos a serem defendidos serão os deles.

Atenção, Sergio Moro e procuradores do Power Point, sabem aquela história da maior ação contra a corrupção do planeta, da história da humanidade? Conseguiram o recorde de entregar o país à mais irresponsável organização criminosa.

Anos atrás, quando a Xerox bancou um centro esportivo e uma escola em uma favela do Rio, o tráfico fazia a segurança da escola, pois entendia a importância da iniciativa para o futuro de seus filhos. A quadrilha que vocês ajudaram a colocar no poder não tem sequer essa sensibilidade dos narcotraficantes. Eles jogaram no chão os preços dos ativos do setor elétrico e de petróleo para vende-los na bacia das almas. É estelionato! Estão rifando o país, o futuro, estão comprometendo a vida dos nossos, dos seus filhos.

Não dá para assistir inertes a essa queima, porque não tem volta. Depois que completarem a obra, como desfazê-la?

Atenção, Anfavea, Abimaq, Abdib, atenção ruralistas, ambientalistas, Forças Armadas, brasileiros com responsabilidade em relação ao futuro: movam-se! Pelo amor de Deus! Por respeito ao país!

24/08/2017

BLOG DO MARTINS ANDRADE–O QUEBRA CABEÇA DO GOLPE.

Está na hora de você se informar, de forma inteligente, usando o raciocínio para chegar até onde estamos, politicamente e economicamente, e onde deveremos chegar, caso persista essa ponte para o futuro, que está destruindo nossa nação e o pouco que resta da democracia, por quem tantos batalharam e morreram.

Republicamos para os amigos do Blog Martins Andrade e Você, excelente artigo de Luís Nassif, publicado no jornalggn.

Nassif tenta explicar, no post, como os americanos influenciaram no golpe e o que eles queriam obter, e estão obtendo, após o impeachment.

Leia, e tire sua conclusão à respeito do que é exposto no artigo, que se intitula:

Xadrez da influência dos EUA no golpe.

dom, 20/08/2017 – 08:10

Atualizado em 20/08/2017 – 16:27

A cada dia que passa fica mais nítida a participação de forças dos Estados Unidos no golpe do impeachment. Trata-se de tema polêmico, contra o qual invariavelmente se lança a acusação de ser teoria conspiratória. O ceticismo decorre do pouco conhecimento sobre o tema e da dificuldade óbvia de se identificar as ações e seus protagonistas. Imaginam-se cenas de filmes de suspense e de vilões, com todos os protagonistas  orientados por um comitê central.

Obviamente não é assim.

Um golpe sempre é fruto da articulação das forças internas de um país, não necessariamente homogêneas, e, em muito, da maneira como o governo atacado reage. No decorrer do golpe, montam-se alianças temporárias, em torno do objetivo maior de derrubar o governo. Há interesses diversos em jogo, que provocam atritos e se acentuam depois, na divisão do butim.

A participação gringa se dá na consultoria especializada e no know-how da estratégia geral.

E aí entram os princípios básicos, copiados das estratégias de guerra:

Etapa 1 – Ataques da artilharia: a guerra de desgaste, de exaurir antecipadamente o inimigo por meio de ataques diuturnos de artilharia.

Etapa 2 – a guerra psicológica, visando conquistar corações e mentes das populações dos países adversários contra suas tropas.

Etapa 3 – a primeira ofensiva, juntando o avanço dos tanques de guerra com ações táticas de Infantaria, visando impedir o inimigo de realizar determinadas operações

Etapa 4 – simultaneamente à Etapa 3, táticas de dividir as forças adversárias para ataca-las uma de cada vez.

Etapa 5 – Vencida a guerra, ocupar o país com um governo local que, ante um quadro de destruição ampla, ganhará legitimidade inicial com suas propostas de reconstrução. Por isso a destruição tem papel central na conquista do território, seja no decorrer da guerra ou no desmonte posterior.

Etapa 6 – a batalha decisiva. A aceitação ou não, da população do país, do modelo imposto pela guerra.

Vamos, agora, analisar o Caso Brasil.

Etapa 1 – os ataques de artilharia

Tem a função de fustigar os inimigos diuturnamente, de maneira a tirar seu fôlego e preparar o terreno para o início da batalha e o avanço da infantaria.

Quem acompanha as sutilezas do jornalismo pátrio percebeu nítida mudança no estilo editorial a partir do advento do Instituto Millenium que ajudou a definir um tipo de jornalismo de guerra mais sofisticado, e ser o ponto de convergência dos jornalistas que atendiam à demanda dos grupos jornalísticos por guerreiros.

Até então, a mídia atuava atabalhoadamente com factoides inverossímeis, dentro do que ficou conhecida como a era do jornalismo de esgoto.

A partir de determinado momento – e, especialmente, das notícias geradas pela AP 470, do mensalão – os ataques mudam de enfoque. Em vez do linguajar agressivo, cobertura intensiva do material fornecido pelo Ministério Público Federal e pelo relator Joaquim Barbosa, em linguagem aparentemente neutra, mas sempre incluindo frases-padrão. Em qualquer matéria, mesmo sem ligação alguma com a AP 470, qualquer menção ao PT era acompanhada de frases–padrão, tipo “partido que foi acusado de corrupção pelo STF”, e outros termos similares, repetidos exaustivamente. Instituiu-se método na campanha midiática.

Etapa 2 – a conquista de corações e mentes

Nas manifestações de junho de 2013 ocorreu a primeira explicitação do mal-estar coletivo com o início da crise. Antes, houve um trabalho crescente dos grupos de ultradireita nas redes sociais, se sobrepondo à jovem militância de esquerda que ficou rendida, sem informações e sem argumentos do lado de um governo, incapaz de articular um discurso político.

Factoides de apagão, de epidemias, ataques ao Enem, à organização  Copa do Mundo, tudo ficava sem resposta, sem informações do governo, deixando o campo aberto para o golpismo.

Os primeiros organizadores de encontros, jovens de extração de esquerda, foram jogados ao mar pela própria esquerda.

Sem competidores, os movimentos estimulados pelo exterior ganharam fôlego e o comando das ruas passou para grupos, como o MBL (Movimento Brasil Livre) e o Vem prá Rua, bancados financeiramente e com know-how de grupos empresariais norte-americanos, como os irmãos Koch, e brasileiros, como Jorge Paulo Lehman.

O know-how consistia na habilidade em criar agentes políticos do nada, valendo-se apenas das novas formas de comunicação e organização das redes sociais. Pelo extremo baixo nível das lideranças, percebe-se a enorme facilidade em se criar protagonistas para conduzir os movimentos de manada nas redes sociais

A Rede Globo levou dois dias para perceber que os aliados tinham assumido a iniciativa. Imediatamente seus comentaristas se alinharam em defesa das manifestações, depois de a terem desancado impiedosamente no início.

Nos links abaixo, algumas matérias explicativas desses movimentos de bilionários organizando a militância:

Intercept: a influência esférica da direita na América Latina

Esfera de influência: como os libertários americanos estão reinventando a política latino-americana.

Quem são os irmãos Koch

É movimento que repete o fenômeno da direita empresarial norte-americana nos anos 60, com grupos como o W.R.Grace, de irlandeses católicos fundamentalistas, investindo em cruzadas em países da América Latina.

Leia aqui sobre os Grace e sua Campanha Pelo Rearmamento Moral:

A relação de Patrick Peyton com a ditadura militar

A vinda do padre Peyton ao Brasil

Etapa 3 – o ataque com tanques e infantaria

A conquista de corações e mentes foi relativamente simples. Havia o dado concreto do mal-estar econômico. Bastou forçar nas relações de causalidade com Dilma e o PT, trabalho facilitado pela incapacidade de ambos de entender o momento e enfrentar o jogo tanto no campo político quanto da comunicação.

As manifestações de rua acionaram a bomba de efeito retardado, que catapultou a guerra para a etapa decisiva.

As ações que permitiram transformar um pequeno processo de Curitiba em um escândalo do Rio de Janeiro, capaz de derrubar um governo em Brasília, foram alimentadas pelo DHS, o poderoso Departamento do governo dos EUA, que surge a partir dos atentados às Torres Gêmeas, organizando as ações de 23 departamentos internos na luta contra o terrorismo e as organizações criminosas. Quando os EUA definem o combate à corrupção como ponto central de sua nova geopolítica, o DHS assimila o novo pacto com o mundo corporativo dos EUA.

Ele se torna o ponto de contato com Ministérios Públicos em todo mundo, no modelo da cooperação internacional, ao mesmo tempo em que novas leis anticorrupção são aprovadas por organismos internacionais. A primeira aproximação com o Brasil foi no caso Banestado. A partir daquele episódio, estreitam-se as relações do DHS com o juiz Sérgio Moro e o grupo de procuradores que assume a Lava Jato.

Leia aqui sobre o DHS.:

Xadrez de como Serra tentou fincar um pé na cooperação internacional

Provavelmente vem do DHS o know-how de estratégias político-midiáticas da Lava Jato, a organização das informações em sites, a criação de perfis de procuradores e, mais à frente, a utilização política dos vazamentos. Antes disso, a seleção de procuradores e delegados que atuaram de forma harmônica.

Junto com o bombardeiro de tanques, ocorreram também operações táticas de infantarias, com a divulgação de conversas gravadas da presidente e a sincronização da agenda policial com a agenda política do impeachment.

Etapa 4 – a divisão das forças inimigas

A corrupção política contaminou todos os partidos, sem exceção. As delações dos executivos de empreiteiras forneceram um amplo arsenal para a Lava Jato, podendo selecionar os alvos a serem atingidos.

A atuação da Lava Jato visou três objetivos centrais, todos diretamente relacionados com os interesses norte-americanos, dificultando radicalmente o retorno ao modelo combatido:

·       Inviabilizar rapidamente as multinacionais brasileiras que competiam com grupos norte-americanos no exterior;

·       Derrubar o governo Dilma e, com ele, a legislação do pré-sal;

·       Inabilitar Lula politicamente.

Para que nada se interpusesse no caminho, tratou de poupar Michel Temer, principal personagem do escândalo da Eletronuclear, assim como Eduardo Cunha, que só foi preso depois de consumado o impeachment. E foi por isso que a maioria absoluta dos delatores conseguiu a libertação bastando, para tanto, as palavrinhas mágicas: Lula ou Dilma sabia.

Agora, uma checagem minuciosa mostra um trabalho relapso, muito mais focado na quantidade que na qualidade das delações. Mas obedecia à estratégia de comunicação, de não dar um minuto de folga aos inimigos (PT e Lula). Cada declaração, mesmo vazia e sem provas, alimentava o noticiário diário, insuflava o clamor das ruas e atraía adesões do Judiciário.

Etapa 5 – a ocupação do território inimigo

A estratégia pós-impeachment consistiu em implementar rapidamente um conjunto radical de medidas visando fazer terra arrasada do modelo econômico vigente. Antes mesmo do impeachment já haviam sido fincadas as bases do acordo com os coronéis do PMDB, em torno da tal Ponte Para o Futuro. A ponto do próprio Temer, em evento nos EUA, afirmar que Dilma caiu por não ter aderido aos pontos da tal Ponte.

É evidente que havia um documento, que foi entregue pessoalmente aos líderes do PMDB por representantes do tal do mercado.

Provavelmente, a cabeça por trás da Ponte para o Futuro, e do trabalho de demolição do orçamento, foi Marcos Lisboa, espécie de menino de ouro do liberalismo pátrio e ponto de contato entre os grupos de mercado, os políticos do PMDB e a alta burocracia pública, graças ao contatos desenvolvidos em seu tempo de assessor do ex-Ministro Antônio Pallocci.

Nas eleições de 2002, foi indicado para Jorge Paulo Lehman pelo economista brasileiro Alexandre Scheinkman, diretor do prestigioso departamento de macroeconomia da Universidade de Chicago. Lehman tentou enganchá-lo na campanha de Ciro Gomes. Com a eleição de Lula, Lisboa acabou indo para a equipe de Antônio Palocci onde, saliente-se, realizou um belo trabalho de reformas microeconômicas.

No discurso que fez no evento do Jota-Insper, na sexta passada, há todas as impressões digitais das principais maldades em tramitação na Câmara, inclusive a que obriga o devedor inadimplente que devolve o bem a continuar devedor. Para Lisboa, economia saudável é que a permite ao banco tirar a máquina do empresário inadimplente, ainda que uma máquina parada seja menos eficaz para a economia que uma empresa produzindo; que permite ao banco punir o mutuário inadimplente. Para ele, a inadimplência é um ato de vontade do devedor, não contingências da economia. É um autêntico defensor da eugenia social e corporativa.

Todo o estoque de projetos, a começar da PEC do Teto e, a partir dela,  o desmonte de todas as políticas sociais e a ocupação de todos os territórios do Estado, do aparelhamento da Funai à Eletronuclear, do Inmetro ao TSE (Tribunal Superior eleitoral) o.Simultaneamente, lança  um conjunto de medidas estruturais, que destroem o modelo anterior de Estado, para que a Nova Ordem possa ser a única alternativa visível.

A contribuição externa  se deu no aconselhamento da estratégia da Ponte para o Futuro e do conjunto de leis atuais.

O papel da mídia

A exemplo da estratégia pós-millenium, o papel da mídia é vocalizar um conjunto de slogans vazios:

A equipe econômica é brilhante. A frase é repetida por Ministros do Supremo, empresários etc. A maioria absoluta dos quais jamais tinha ouvido falar antes, ou depois, dos membros da equipe econômica.

Se reformar a Previdência, o país sai da crise. Não há nenhuma relação de causalidade. Para chegar a esse ponto de terra arrasada – parte da estratégia de desmonte do Estado anterior – acabaram com a demanda, criaram enorme capacidade instalada, aumentaram as taxas reais de juros, todas medidas pró-cíclicas.

Sobre essa retórica, prepararei um artigo à parte.

Etapa 6 – a batalha decisiva

O teste final serão as eleições de 2018. E, aí, há uma ampla confusão e disputa entre os diversos grupos hegemônicos que dependem de três balas de prata para enfrentar Lula.

A primeira dificuldade é a identificação de um candidato competitivo, capaz de levar adiante o desmonte.

O clube dos bilionários do golpe abriu os olhos para o risco de confundir sua imagem com a da organização comandada por Michel Temer. E entendeu que a aprovação de reformas, sob o jugo de Temer, tirará grande parte da sua legitimidade. Além de comprometer qualquer tentativa futura de protagonismo político.

Aí entram em cena os conflitos de interesse.

Os caciques do PSDB continuarão sendo escandalosamente blindados pelo algoritmo do Supremo Tribunal Federal (STF). Mas, politicamente, estão liquidados.

Tasso Jereissati pretendeu tirar o PSDB dessa rota suicida. Mas passou a enfrentar a pressão da banda fisiológica do partido, liderada pelo chanceler Aloysio Nunes. Sem financiamento empresarial e sem governo, parte relevante das atuais lideranças tucanas será varrida do mapa. Daí a insistência em permanecer no barco de Temer 

Por outro lado, o clube não dispõe de um nome competitivo para 2018. Marina Silva não tem fôlego. E Geraldo Alckmin não representa novidade alguma no panorama político.

Por tudo isso, o clube – mais a ala mercadista do PSDB, puxada por FHC – provavelmente jogará suas fichas na candidatura de João Dória Jr, apesar das imensas ressalvas que manifestam em relação a ele. Será uma novidade, mas dificilmente será competitivo.

Com o definhamento do PSDB, o antipetismo se tornou totalmente invertebrado.

O distrital misto

Sem uma liderança minimamente esclarecida, tenta-se, agora, esse aborto do modelo político distrital misto  como última tentativa de sobrevida à atual bancada de deputados. E aí sobressai uma ameaça cada vez mais presente na política atual: a entrada de várias organizações criminosas no jogo.

O narcotráfico mostrou um poder assustador no episódio da helicoca, no qual a Polícia Federal e o Ministério Público Federal não moveram uma palha para apurar as ligações do dono do helicóptero, senador José Perrela, com o tráfico. O helicóptero foi devolvido dias depois para o dono, em outra atitude inédita.

Por outro lado, a extraordinária influência da Fenatran – a suspeitíssima federação de transporte urbano do Rio de Janeiro – no STF, através do Ministro Gilmar Mendes, acende outra luz amarela.

Finalmente, a tentativa de legalizar novamente o bingo abrirá nova frente de influência para o crime organizado.

O México é aqui e, ao contrário das suspeitas iniciais, o que mais se assemelha ao PRI mexicano não é o PT, mas esse amálgama que sai do golpe, com os primeiros indícios de parceria com o crime organizado.

O PSDB acena com o parlamentarismo, caso consiga o poder. É mais fácil Gilmar Mendes declarar suspeição em qualquer processo, do que a bandeira do parlamentarismo eleger um presidente.

O próximo presidente será eleito denunciando o saco de maldades produzido pelo atual governo, em parceria com o PSDB e com o mercado.

Por todos esses condicionantes, mais que nunca dependerão de ações no Judiciário para inviabilizar a oposição. Afinal, por mais que seja estreita a colaboração com os EUA, não poderão contar com a 7a Cavalaria contra os índios de Lula.

BLOG DO MARTINS ANDRADE–A JUSTIÇA DOS AMIGOS.

O círculo se fechou para o Ministro Gilmar Mendes.

O seu intrincada envolvimento com a família da esposa, escritório de advocacia e empresários da área de transporte deixa o Ministro com as calças nas mãos, como se costuma dizer no interior nordestino.

Reproduzimos para os amigos do Blog Martins Andrade e Você, postagem de Paulo Henrique Amorim em seu Blog Conversa Afiada.

MPF: Gilmar e Barata são unha e carne

Quando STF vai julgar impeachment do Ministro?

publicado 19/08/2017

Organograma2.jpg

Reprodução: Estadão

Lava Jato vê ‘intrincadas relações’ entre Gilmar e Rei do Ônibus

A Procuradoria da República no Rio afirma que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e seus familiares têm ‘intrincadas relações’ com os empresários Jacob Barata Filho, o ‘Rei do Ônibus’, e Lélis Marcos Teixeira. A força-tarefa da Operação Lava Jato quer a suspeição do ministro para processos da Operação Ponto Final, que prendeu a cúpula dos Transportes do Rio.

Em ofício de nove páginas enviado ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a Procuradoria criou um ‘diagrama’ sobre as ‘intrincadas relações’. Nele, os procuradores incluíram Gilmar Mendes, sua mulher Guiomar Mendes, o cunhado Francisco Feitosa e os empresários do ônibus.

Gilmar deu um habeas corpus ao ‘Rei do Ônibus’ e a Lélis Teixeira na noite de quinta-feira, 17. Os dois nem chegaram a sair da prisão. O juiz federal Marcelo Bretas, da 7.ª Vara Federal, do Rio, expediu novos mandados de prisão contra os empresários.

Nesta quinta-feira, 18, um grupo de 13 procuradores da força-tarefa da Lava Jato no Rio manifestou ‘apreensão diante da possível liberdade precoce de empresários com atuação marcante no núcleo econômico de organização criminosa que atuou por quase dez anos no Estado, subjugando as instituições e princípios republicanos, e que detêm poder e meios para continuarem delinquindo em prejuízo da ordem pública e da higidez da instrução criminal’. “A aplicação de um processo penal em que se entende não ser cabível a prisão preventiva para um acusado de pagar quase R$ 150 milhões de propina a um ex-governador e que tentou fugir do país com um documento sigiloso fundamental da investigação, definitivamente não é a aplicação de uma lei que se espera seja igual para todos”, afirmam os procuradores.
“Para garantir um juízo natural sobre o qual não paire qualquer dúvida de imparcialidade, e em respeito aos jurisdicionados e à instituição do Supremo Tribunal Federal, os Procuradores encaminham na data de hoje ao Procurador-Geral da República ofício solicitando o ajuizamento de exceção de suspeição/impedimento, instrumento processual disponível às partes em tais hipóteses.”


Página 1/9

Página 1 de 9

PRR2-00020292/2017

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

FORÇA TAREFA LAVA-JATO RJ – PRRJ e PRR2

Ofício no 1257/2017/MCR/PRR 2.a Região

Rio de Janeiro, 18 de agosto de 2017.

A Sua Excelência o Senhor

DR. RODRIGO JANOT MONTEIRO DE BARROS

M.D. PROCURADOR-GERAL DA REPÚBLICA

PROCURADORIA-GERAL DA REPÚBLICA

SAF SUL, QUADRA 4, CONJUNTO C, BRASÍLIA-DF

CEP: 70.050-900

Referência: Encaminha informações para eventual arguição de suspeição e ou impedimento do Exmo. Ministro do Supremo Tribunal Federal GILMAR MENDES em relação a Habeas Corpus concernente a JACOB BARATA

FILHO e LELIS MARCOS TEIXEIRA investigados nas ações penais da Operação Ponto Final (conexa à Operação Calicute-Eficiência) Excelentíssimo Senhor Procurador-Geral da República, Cumprimentando Vossa Excelência e em complementação ao noticiado no Ofício no 1120/2017/MCR/PRR 2.a Região, ao tempo em que ratificamos aqueles dados, encaminhamos novas informações obtidas posteriormente, acerca de fatos que podem configurar eventual suspeição e ou impedimento do Ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes em feitos relativos aos acusados JACOB BARATA FILHO e LÉLIS MARCOS

Assinado com certificado digital por MONICA CAMPOS DE RE, em 18/08/2017 16:44. Para verificar a autenticidade acesse

http://www.transparencia.mpf.mp.br/validacaodocumento. Chave 0F0D0E0C.AB2239AD.963BD9B7.EE57EC20

Página 1 de 9

Página 2 de 9

PRR2-00020292/2017

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

FORÇA TAREFA LAVA-JATO RJ – PRRJ e PRR2

TEIXEIRA, presos na Operação Ponto Final e já denunciados nos Processos no

0505914-23.2017.4.02.5101 e 0505915-08.2017.4.02.51011 , decorrentes da Operação Calicute (Processo no 0509503-57.2016.4.02.5101) e Eficiência (Processo no 0510282-12.2016.4.02.5101), todos em trâmite perante o juízo da 7a vara federal do Rio de Janeiro. Como mencionado, em razão da impetração de alguns Habeas corpi perante o Supremo Tribunal Federal, o Ministro Gilmar Mendes está prevento para o julgamento de feitos relacionados à Operação Calicute, da qual a Operação Ponto Final é um dos seus desdobramentos.

Na data de ontem, o ministro proferiu decisões nos Habeas Corpus números 146.6662 e 146.8133 , deferindo a liminar para a concessão de medidas alternativas à prisão aos pacientes JACOB BARATA FILHO e LÉLIS MARCOS TEIXEIRA.

No entanto, além dos fatos expostos no ofício anterior, agora vieram à tona outros motivos que confirmam a eventual suspeição ou impedimento do Ministro Gilmar Mendes em feitos relativos a ambos os réus: JACOB BARATA FILHO e LÉLIS MARCOS TEIXEIRA.

No tocante ao acusado JACOB BARATA FILHO, há fatos que denotam a sua estreita relação com o Ministro Gilmar Mendes, haja vista a quantidade de vínculos sociais e profissionais. Alguns destes fatos atingem também o outro réu, LÉLIS MARCOS TEIXEIRA, conforme se verá:

1 JACOB BARATA FILHO também responde pelo crime de evasão de divisas no Processo no 0504957-22.2017.4.02.5101, que também tramita perante a 7a Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.

2 Doc 9.

3 Doc 8.

Assinado com certificado digital por MONICA CAMPOS DE RE, em 18/08/2017 16:44. Para verificar a autenticidade acesse

http://www.transparencia.mpf.mp.br/validacaodocumento. Chave 0F0D0E0C.AB2239AD.963BD9B7.EE57EC20

Página 2 de 9

Página 3 de 9

PRR2-00020292/2017

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

FORÇA TAREFA LAVA-JATO RJ – PRRJ e PRR2

1. É fato notório que, em 13 de julho de 2013, o Ministro Gilmar Mendes foi padrinho do casamento de Maria Beatriz Barata, filha de JACOB

BARATA FILHO, com Francisco Feitosa Filho, sobrinho de Gilmar Mendes. Como o nome do noivo está a indicar, trata-se de filho de Francisco Feitosa, irmão de Guiomar Mendes, esposa do Ministro Gilmar Mendes.

2. Consoante se verifica na petição inicial do Habeas corpus impetrado perante o Tribunal Regional Federal da 2a Região, um dos advogados de JACOB BARATA FILHO é RODRIGO DE BITTENCOURT MUDROVITSCH, o qual ajuizou ação representando o MINISTRO GILMAR MENDES e continua sendo seu advogado (petição inicial e extratos atuais do andamento do processo). Vale destacar que RODRIGO DE BITTENCOURT compareceu em reunião perante a Força Tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro, no dia 14/08/2017, acompanhado dos advogados José Carlos Tórtima e Renan Gavioli, para despachar a repeito da prisão de JACOB BARATA FILHO, como comprovam os documentos em anexo.

3. O advogado SÉRGIO BERMUDES, em cujo escritório trabalha Guiomar Mendes, esposa do Ministro Gilmar Mendes, representa e vem assinando diversas petições postulando o desbloqueio de bens e valores 4 nos autos dos processos cautelares de natureza penal relacionados à Operação Ponto Final, investigação que culminou com a prisão de JACOB BARATA FILHO e LÉLIS MARCOS TEIXEIRA.

Nestas cautelares penais foram decretadas constrições em prejuízo de pessoas jurídicas diretamente relacionadas aos réus JACOB BARATA

4 Relação dos processos em anexo.

Assinado com certificado digital por MONICA CAMPOS DE RE, em 18/08/2017 16:44. Para verificar a autenticidade acesse http://www.transparencia.mpf.mp.br/validacaodocumento. Chave 0F0D0E0C.AB2239AD.963BD9B7.EE57EC20

Página 3 de 9

Página 4 de 9

PRR2-00020292/2017

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

FORÇA TAREFA LAVA-JATO RJ – PRRJ e PRR2

FILHO e LÉLIS MARCOS TEIXEIRA, patrocinadas por SÉRGIO BERMUDES e demais advogados do escritório, o que ensejaria o impedimento do Ministro Gilmar Mendes, na forma do art. 252, I, do Código de Processo Penal, como resumido a seguir e comprovado pelos documentos em anexo:

3.1. FETRANSPOR – Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro, cujo presidente executivo foi, durante longo tempo, LÉLIS MARCOS TEIXEIRA, e cujo Conselho de Administração é integrado por JACOB BARATA FILHO – patrocinada pelo escritório de SÉRGIO BERMUDES;

3.2. RIOPAR S/A – sociedade anônima que controla toda a bilhetagem eletrônica do Estado do Rio de Janeiro, na qual JACOB BARATA FILHO é Presidente do Conselho de Administração, órgão integrado por LÉLIS MARCOS TEIXEIRA – patrocinada pelo escritório de SÉRGIO BERMUDES;

3.3. ALPHA PARTICIPAÇÕES S/A – sociedade

anônima da qual JACOB BARATA FILHO é acionista, assim como familiares e pessoa jurídica vinculada à família – patrocinada pelo escritório de SÉRGIO BERMUDES;

3.4. GUANABARA PARTICIPAÇÕES E

EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA – sociedade limitada da qual JACOB BARATA FILHO é sócio, em conjunto com familiares – patrocinada pelo escritório de SÉRGIO BERMUDES. Assinado com certificado digital por MONICA CAMPOS DE RE, em 18/08/2017 16:44. Para verificar a autenticidade acesse http://www.transparencia.mpf.mp.br/validacaodocumento. Chave 0F0D0E0C.AB2239AD.963BD9B7.EE57EC20

Página 4 de 9

Página 5 de 9

PRR2-00020292/2017

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

FORÇA TAREFA LAVA-JATO RJ – PRRJ e PRR2

4. Há mais: JACOB BARATA FILHO possui vínculo

societário empresarial com FRANCISCO FEITOSA DE ALBUQUERQUE LIMA, irmão da esposa do ministro, GUIOMAR FEITOSA DE ALBUQUERQUE LIMA MENDES, na empresa AUTO VIAÇÃO METROPOLITANA LTDA., conforme comprova o documento da Receita Federal do Brasil (integrante do anexo).

5. Além do vínculo societário, JACOB BARATA FILHO e FRANCISCO FEITOSA DE ALBUQUERQUE LIMA, cunhado do Ministro, possuem íntimo relacionamento pessoal, tratando-se como amigos e compadres em diálogo travado dias antes da prisão do empresário 5:

5 A conversa consta no aparelho de celular Apple Iphone 7 plus, apreendido na prisão de JACOB BARATA FILHO, conforme relatório de extração em anexo.

Assinado com certificado digital por MONICA CAMPOS DE RE, em 18/08/2017 16:44. Para verificar a autenticidade acesse

http://www.transparencia.mpf.mp.br/validacaodocumento. Chave 0F0D0E0C.AB2239AD.963BD9B7.EE57EC20

Página 5 de 9

Página 6 de 9

PRR2-00020292/2017

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

FORÇA TAREFA LAVA-JATO RJ – PRRJ e PRR2

6. A proximidade de JACOB BARATA FILHO com o Ministro Gilmar Mendes também é demonstrada pelo fato de o contato da esposa do Ministro, GUIOMAR MENDES, constar na agenda telefônica do aparelho celular do empresário 6

6 A informação consta no aparelho de celular Apple Iphone 7 plus, apreendido na prisão de JACOB BARATA FILHO, conforme relatório de extração em anexo.

Assinado com certificado digital por MONICA CAMPOS DE RE, em 18/08/2017 16:44. Para verificar a autenticidade acesse

http://www.transparencia.mpf.mp.br/validacaodocumento. Chave 0F0D0E0C.AB2239AD.963BD9B7.EE57EC20

Página 6 de 9

Página 7 de 9

PRR2-00020292/2017

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

FORÇA TAREFA LAVA-JATO RJ – PRRJ e PRR2

7. Por fim, LÉLIS MARCOS TEIXEIRA compõe o Conselho Editorial da Revista Justiça e Cidadania (documento também anexado), do qual também é integrante o MINISTRO GILMAR MENDES.

8. Em suma, as intrincadas relações entre os réus JACOB BARATA FILHO e LÉLIS MARCOS TEIXEIRA com o Ministro Gilmar Mendes e seus familiares, podem ser ilustradas conforme diagrama a seguir:

Organograma2.jpg

Assinado com certificado digital por MONICA CAMPOS DE RE, em 18/08/2017 16:44. Para verificar a autenticidade acesse

http://www.transparencia.mpf.mp.br/validacaodocumento. Chave 0F0D0E0C.AB2239AD.963BD9B7.EE57EC20

Página 7 de 9

Página 8 de 9

PRR2-00020292/2017

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

FORÇA TAREFA LAVA-JATO RJ – PRRJ e PRR2

Sendo o que se apresenta para o momento, renovamos a Vossa Excelência protestos de estima e consideração.

Atenciosamente,

Assinado com certificado digital por MONICA CAMPOS DE RE, em 18/08/2017 16:44. Para verificar a autenticidade acesse

http://www.transparencia.mpf.mp.br/validacaodocumento. Chave 0F0D0E0C.AB2239AD.963BD9B7.EE57EC20

Página 8 de 9

Página 9 de 9

PRR2-00020292/2017

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL

FORÇA TAREFA LAVA-JATO RJ – PRRJ e PRR2

MÔNICA CAMPOS DE RÉ SILVANA BATINI CESAR GÓES

Procuradora Regional da República Procuradora Regional da República CARLOS ALBERTO G. DE AGUIAR ANDRÉA BAYÃO P. FREIRE

Procurador Regional da República Procuradora Regional da República

NEIDE MARA CAVALVANTI CARDOSO DE OLIVEIRA

Procuradora Regional da República

EDUARDO RIBEIRO GOMES EL-HAGE

Procurador da República

FABIANA KEYLLA SCHNEIDER

Procuradora da República

JOSÉ AUGUSTO SIMÕES VAGOS

Procurador Regional da República

LEONARDO CARDOSO DE FREITAS

Procurador Regional da República

MARISA VAROTTO FERRARI

Procuradora da República

RAFAEL A. BARRETO DOS SANTOS

Procurador da República

RODRIGO TIMÓTEO DA COSTA E SILVA

Procurador da República

SERGIO LUIZ PINEL DIAS

Procurador da República

Of.58/2017

Assinado com certificado digital por MONICA CAMPOS DE RE, em 18/08/2017 16:44. Para verificar a autenticidade acesse

http://www.transparencia.mpf.mp.br/validacaodocumento. Chave 0F0D0E0C.AB2239AD.963BD9B7.EE57EC20

Página 9 de 9

OFICIO_58_1257_2017_assinado_PGR.pdf

Página 1 de 9

A ÍNTEGRA DA NOTA DA PROCURADORIA

Lava Jato/RJ – Nota Pública
Em relação à liminar em habeas corpus concedida na data de ontem (17/08/2017) pelo Ministro Gilmar Mendes, os membros da Força Tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro vêm a público manifestar a sua apreensão diante da possível liberdade precoce de empresários com atuação marcante no núcleo econômico de organização criminosa que atuou por quase dez anos no Estado, subjugando as instituições e princípios republicanos, e que detêm poder e meios para continuarem delinquindo em prejuízo da ordem pública e da higidez da instrução criminal.
A Operação Ponto Final é um desdobramento de diversas operações que têm ocorrido desde novembro de 2016 no Rio de Janeiro, reunindo um esforço imenso de vários órgãos de Estado com o objetivo comum de infirmar a atuação de detentores de espaços de poder corrompidos há muitos anos, e que, não obstante, nunca cessaram as suas atividades insidiosas, nem mesmo com o encerramento da gestão estadual anterior, havendo registros recentes de pagamentos de propina e atos de obstrução a Justiça.
A aplicação de um processo penal em que se entende não ser cabível a prisão preventiva para um acusado de pagar quase R$ 150 milhões de propina a um ex-governador e que tentou fugir do país com um documento sigiloso fundamental da investigação, definitivamente não é a aplicação de uma lei que se espera seja igual para todos.
A apreensão dos Procuradores sobreleva diante de contexto em que o prolator das referidas decisões é cônjuge de integrante do escritório de advocacia que patrocina, em processos criminais da Operação Ponto Final, os interesses de pessoas jurídicas diretamente vinculadas aos beneficiários das ordens concedidas o que, à luz do art. 252, I, do Código de Processo Penal, e do art. 144, VIII, do Código de Processo Civil, aplicável com base no art. 3º do Código de Processo Penal, deveria determinar o autoafastamento do Ministro Gilmar Mendes da causa.
Para garantir um juízo natural sobre o qual não paire qualquer dúvida de imparcialidade, e em respeito aos jurisdicionados e à instituição do Supremo Tribunal Federal, os Procuradores encaminham na data de hoje ao Procurador-Geral da República ofício solicitando o ajuizamento de exceção de suspeição/impedimento, instrumento processual disponível às partes em tais hipóteses.
Integrantes da Força Tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro – PR/RJ e PRR2.

Essa é a justiça dos amigos.

NB: FRANCISCO FEITOSA DE ALBUQUERQUE LIMA é o empresário Chiquinho Feitosa.

%d blogueiros gostam disto: