BLOG MARTINS ANDRADE E VOCÊ–ARTIGO

OS DOIS VALORES PARA LULA.

Em seu depoimento gravado, e agora publicado, Marcelo Odebrecht cita uma conta que teria aberto para Lula, para que, ele, Lula, usasse como quisesse. A conta tinha o nome de “amigo”.

No depoimento, Marcelo faz duas afirmações relativas ao montante da conta.

Na primeira, ele diz:“A gente sabia que ia ter demandas de Lula, a questão do instituto, para outras coisas. Então vamos pegar e provisionar uma parte desse saldo, aí botamos R$ 35 milhões no saldo ‘amigo’, que é Lula, para uso que fosse orientação de Lula“.

Na segunda, Marcelo tergiversa quanto ao valor, ou esqueceu do “combinado”, ao reafirmar o valor. E diz:“A gente botou 40 milhões que viriam para atender demandas que viessem de Lula. Eu sei disso… É, veja bem, o Lula nunca me pediu diretamente, essa informação eu combinei via Palocci. Óbvio que ao longo de alguns usos, ficou claro que era pro Lula porque ele teve usos que ficou evidente para mim que era uso.”

Quem já prestou depoimento ou fez afirmações em juízo, sabe que não pode mudar a versão sem explicar a causa, que deve ser aceita por quem o interroga.

No caso, os interrogadores simplesmente não se interessaram em  saber qual o montante real que foi colocado à disposição de Lula.

O que deveria fazer o juiz ou o delegado que comandasse o interrogatório? Perguntar! Afinal, quanto foi que o senhor disponibilizou para Lula? 35 ou 40 milhões? Nem perguntaram, nem ele disse.

Outro fato que chama atenção no depoimento de Marcelo Odebrecht é quando ele faz referencia sobre a utilização do dinheiro à disposição do ex-presidente Lula. Marcelo diz que criou a conta “amigo” para atender a Lula nas despesas do IL (Instituto Lula) e outros usos. Está na primeira afirmação dele. Nesse momento, o delator dá uma mancada. Veja bem: Lula ainda era presidente e não se falava em Instituto Lula, que só veio a ser criado depois que ele saiu da presidência. Teria Marcelo praticado exercício de adivinhação para saber que o ex-presidente criaria um Instituto com seu nome? E uma vez que ele mesmo afirmou que Lula nunca lhe pedira nada? Quais os usos que o montante teve serventia para ele saber que era o Lula que estava usando?

Porém um fator cai na relação dos improváveis, é quando ele diz que deu o dinheiro vivo. Dinheiro vivo não tem rastro. É uma palavra contra a outra.

É muito parecido com a “estória” de um depoimento, quando um cidadão processou outro, por este ter lhe chamado de homossexual. No inquérito, o delegado perguntou ao acusador: o senhor tem prova que o cidadão é homossexual? Conhece outro homem que tenha tido relações homoafetivas com ele? O acusador, de pronto, respondeu: conheço. Quem é? Perguntou o delegado. Eu…

É o caso dos depoimentos da Lava Jato.

Marcelo Odebrecht já tivera duas vezes sua delação recusada. Mas só sairia dali quando dissesse o que o Juiz queria ouvir.

Ele, agora, disse.

 

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