BLOG MARTINS ANDRADE E VOCÊ–JUIZ OU RADIADORA DE QUERMESSE?

Meu pai era aracatiense, do Córrego do Retiro. Contou que existia na cidade uma velha senhora, cujo nome me atrapalho agora:  não me lembro se era Catilina, que gostava de colocar apelido nas pessoas.

Certa vez, chegou em Aracati um janota, que assumiria o cargo de promotor da comarca, e sabendo da fama da velha, ficou na pousada sem ter coragem de sair, com medo de ganhar um apelido. Como estava no pavimento superior, o homem, de instante a instante, chegava à janela, olhava para baixo e se escondia.

E ficou repetindo a ação: chegava à janela, olhava para baixo e se escondia…

De repente, a velha, que ia passando em frente à pousada, viu aquele movimento: o homem aparecia, se escondia; aparecia e se escondia. A velha parou, chamou um conhecido e perguntou: quem é aquele rato de gaveta?

Esse fato me vem à lembrança, num momento em que nosso país vive situação em que os codinomes estão explodindo todo santo dia.

Nomes da política brasileira estão sendo conhecidos por seus apelidos nas relações das propinas dos corruptores. É o Angorá, o Botafogo, o Caju, o Missa, o Gremista, o Justiça, o Primo, Cerrado, Campari, Ferrari, Boca Mole, Todo Feio, Índio, Caranguejo, Corredor, Misericórdia…  Todos sob a liderança de um “Chefe de Quadrilha”

Misericórdia! Quantos apelidos?

Mas falta um, que ninguém tem coragem de alcunha-lo. Trata-se do vazador mor, o homem que só vazou aquilo que sua vingança permitiu: o Juiz Sérgio Moro.

Foi dele a maior canalhice jamais produzida por um juiz de direito neste país: o vazamento da conversa de D. Marisa com seu filho Lulinha.

Do Blog de Luís Nassif, reproduzo um comentário de Francisco Costa, feito no Facebook, à respeito do teor do telefonema:

Dona Marisa ligou para o Fábio a pedido do Lula, que queria desabafar (“seu pai está aqui possesso, xingando todo mundo”).

Antes de passar o telefone, Dona Marisa iniciou uma conversa, reclamando dos coxinhas que há horas estavam batendo panelas sob as suas janelas.

O filho a tranquilizou: “calma, mãe, nós vamos reverter isso”, referindo-se à perseguição que a família está sofrendo.

Dona Marisa insistiu no assunto, afirmando que os “coxinhas”(sic) não eram de São Bernardo, mas vindo de outras localidades, acrescentando que “o povo de São Bernardo é ordeiro, trabalhador”.

Em outro trecho: “nem a favela se manifestou, é esse pessoal do condomínio novo, que não tem como comprar um apartamento de 500 mil, compra um de 15 mil…”, referindo-se à ingratidão dos beneficiários do Minha Casa Minha Vida.

O filho de Lula, para a mãe: “calma, mulher. Eles têm o direito democrático, constitucional, de bater panelas, deixa eles baterem”, e se seguiu o motivo do vazamento da conversa.

Dona Marisa se acalma um pouco e comenta rindo “ninguém é daqui, nem teu pai é daqui”, referindo-se à origem nordestina de Lula, e dá umas boas risadas. Lula chega, e ela: “fala com teu pai, filho”.

E eu pergunto: o que esse diálogo tem a ver com Lava Jato, Petrobras, Odebrecht, delação premiada, corrupção? Nada!

Tanto a lei que regula a quebra de sigilo telefônico quanto a lei da magistratura são muito específicas e incisivas: nada havendo na gravação que a ligue às investigações, esta deve ser imediatamente apagada, não se prestando a nenhum uso.

Mas Moro entregou a gravação à Globo, que a editou, tirando os elogios ao povo de São Bernardo, a lição de democracia, do Fábio, e a reclamação da ingratidão dos beneficiários do Minha Casa Minha Vida, pondo no ar apenas o motivo da doação da fita.

E que motivo foi esse?

Em determinado momento, muito irritada, ela perguntou ao filho: “porque não enfiam a panela no cu?”

Divulgando a fita, ao invés de apagá-la, como determina a lei que Moro nunca respeitou, com a conivência, complacência e cumplicidade do STF,  ele e a Globo tentaram denegrir a imagem de Dona Marisa, desconstruir a sua imagem de mulher calma, simples, ponderada.

É incrível como um juiz rebaixa-se a nível de fofoqueira de beira de calçada, de Maricota desocupada na esquina, falando da vida alheia, para despindo-se da toga, apesar de se valer dela, agir de maneira tão vulgar, tão infame, tão vil.

Sergio Moro, neste episódio, está mais para Radiadora de Quermesse do que para juiz.

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