BLOG MARTINS ANDRADE E VOCÊ – PIZZA NA CPI DO HSBC.

CEARENSE GANHA A PRIMEIRA FATIA DA PIZZA DO HSBC.

Três grandes escândalos estouraram no Brasil nos últimos anos, incluido ai, o Mensalão: A Operação Lava Jato, envolvendo cartéis de grandes empresas com negócios e obras na Petrobras; e as contas secretas do HSBC, depositário de vultosas somas de recursos em contas de brasileiros, que as utilizavam para lavagem de dinheiro e sonegação de impostos.

O Mensalão é coisa julgada.

Dos três escândalos, dois envolveram pessoas do atual governo, notadamente integrantes do principal partido, que dá sustentação e detém a filiação da presidente, O PT.

O mensalão foi todo sobre o PT.

Os envolvidos foram trucidados midiaticamente, julgados, mesmo sem provas, mas “permitido pela literatura”, conforme voto da Ministra Rosa Weber, e presos.

A Lava Jato, que busca desmantelar cartéis, que agiam dentro da Petrobras, tem seu foco em proprinas dirigidas aos integrantes do PT, mais uma vez. E desta vez, a palavra de delatores tem um peso maior do que as investigações obrigatórias, que deveriam ser feitas no curso de um inquérito dessa naatureza para a consequente denúncia. Quer dizer, aquilo que é tão corriqueiro em uma inquérito policial, a investigação, foi desprezada para dar vez a delatores, que na humilhação de uma prisão, fala o que se quer ouvir.

Não foi  por acaso, que o Juiz condutor do inquérito, Sergio Moro, alertou aos presos: “vão ficar presos até que me digam o que quero ouvir.” Ora, qualquer preso, vai procurar saber o que  Juiz quer ouvir, e vai falar para livrar sua pele. O preso Alberto Youssef que o diga. Está, pela terceira vez, frente ao mesmo Juiz, no caso Sergio Moro, e em duas ocasiões vendeu a delação premiada para cair fora do xadrez.

A preferencia investigatória é tão notória, que na campanha presidencial, um candidato, Aécio Neves, recebeu cerca de 30 milhões de reais, apenas de duas empreiteira, Odebrecht e Andrade Gutierrez, dados à disposição do público no site do TSE,  e que estão sendo investigadas na Operação Lava Jato. Por outro lado, o PT, que recebeu apenas 3,5 milhões de reais, corre o risco de ter a presidente impedida de governar, por iniciativa do mesmo Aécio Neves, que foi deixado de fora das investigações.

Dos escândalos financeiros, que não são citados membros do atual partido da presidente, pelo menos até agora, o caso HSBC é o mais notório.

Nele está a Fina Flor da sociedade brasileira, economicamente falando.

Os endinheirados mandaram seus recursos para contas do HSBC fora do país, sem o pagamento dos devidos impostos, e até por lavagem de dinheiro.

Pois bem, foi criado uma CPI para investigar os donos das contas do HSBC, e o Supremo autorizou a quebra de sigilo para dar sustentação ao aprofundamento dessas investigação.

Mas, uma coisa é ser empresário com negócios com o governo do PT; outra coisa é não ter negócios com o governo, embora haja suspeição da origem dessas vultosas quantia. E a CPI só existe movida pela suspeição.

Sete bilhões de dólares estão em jogo para que o governo saiba a quem pertence, como foi ganho, e se pagou os devidos impostos.

Se aparecesse, no curso da CPI, um ínfimo indício de algum membro do atual governo e seu partido, o PT, pode acreditar que essa CPI já estaria no oco do mundo, como se diz aqui no nordeste.

Mas como ainda não apareceu, a CPI está se transformando numa pizza bilionário, deixando em paz uma sociedade, que faz tramoia para não pagar impostos, quando não lava dinheiro para encobrir seus ganhos.

Assim, foi que no dia 16 de julho deste 2015, poucos dias após a CPI ser instalada, houve a primeira distribuição de fatias dessa pizza bilionária.

Vários nomes, que deveriam ter seu sigilo quebrado, foram abafados naquela reunião, provando que no Brasil justiça tem lado e partido, desde que não seja do PT.

Dentre os que seriam investigados, estava a cearense Paula Queiroz Frota, nada mais nada menos do que uma das filhas de Yolanda Queiroz, cunhada do senador Tasso Jereissati, que com seus outros irmãos somaram U$ 89,3 milhões de dólares em depósitos no HSBC..

E é essa mesma sociedade que prega o impedimento da Presidente da República, que financia e promove movimentos de desestabilização de um governo democrático, e que tem negocios bilionários, travestidos de Fundação para não pagar os devidos impostos.

Mas, quem tem padrinho forte não morre pagão

E que se acha com moral para cobrar moralidade. Um contrasenso.

Martins Andrade

À cerca do assunto, transcrevemos matéria publicada no site/Blog Viomundo, assinada pela jornalista Conceição Lemes.

A matéria na íntegra.

Bancada da pizza da CPI do HSBC: Depois de livrar a cunhada do tucano Tasso Jereissati, terá moral para investigar outras contas suspeitas na Suíça?

publicado em 29 de julho de 2015 às 05:04

senadores da cpi do hsbc

A bancada da pizza do HSBC: Ricardo Ferraço (PMDB/ES), Otto Alencar (PSD/BA), Paulo Bauer (PSDB/SC), Blairo Maggi (PR/MT), Ciro Nogueira (PP-PI), Davi Alcolumbre (DEM /AP) e Sérgio Petecão (PSD/AC)

por Conceição Lemes

No Brasil, Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra os poderosos de direita, invariavelmente apoiados pela grande mídia, não emplaca.  Quando se torna realidade, morre por conluio entre parlamentares e os setores envolvidos, manobras ilícitas e lícitas, inclusive covardia.

Cercada de muita expectativa, a CPI  do HSBC teria a oportunidade de investigar e mostrar que muitos dos que hoje esbravejam “abaixo a corrupção” esconderam fraudulentamente bilhões no HSBC Private Bank, em Genebra, Suíça. Segundo dados divulgados no início de fevereiro deste ano, 8.867 correntistas do Brasil, titulares de 6.606 contas secretas no HSBC suíço, tinham aí depositados cerca de US$ 7 bilhões, de 9 de novembro de 2006 a 31 de março de 2007.

Porém, reunião fatídica da CPI do HSBC, realizada reunião de 16 de julho, demonstrou que ela provavelmente seguirá a regra, morrendo de inanição ou de indigestão por farta distribuição pizza.

A evidência: o abafa bem organizado pelos senadores nessa reunião, que, queiram ou não, macularam indelevelmente os trabalhos do grupo.

A CPI do HSBC, como devem se lembrar, havia aprovado em sessão anterior, no final de junho, a quebra do sigilo de, entre outros:

* Jacks Rabinovich, empresário e ex-diretor do Grupo Vicunha. Ele aparece vinculado a nove contas no HSBC da Suíça (a maioria em conjunto com a família Steinbruch), que somam US$ 228 milhões.

* Jacob Barata, conhecido como o “Rei do Ônibus” no Rio de Janeiro, e os filhos Jacob Barata Filho, David Ferreira Barata e Rosane Ferreira Barata.   Segundo registros do HSBC de Genebra, entre 2006 e 2007, Jacob mantinha US$ 17,6 milhões em conta conjunta com sua mulher, Glória, e os três filhos do casal.

* Paula Queiroz Frota, uma das executivas do Grupo Edson Queiroz, de sua família e do qual faz parte o maior conglomerado de comunicação do Ceará. Integra-o: TV Verdes Mares (afiliada da Globo), Rádio Verdes Mares, TV Diário, FM 93, Rádio Recife, Diário do Nordeste e portal Verdes Mares.  Paula, a irmã Lenise, o irmão Edson (morto em 2008) e a mãe Yolanda, também membros do conselho de administração do grupo empresarial, tinham, em 2007, US$ 83,9 milhões na conta 5490 CE aberta em 1989 no HSBC de Genebra.

Na véspera dessa reunião, os trabalhos da CPI do HSBC haviam ganho força devido a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).  Em 15 de julho, o ministro Celso de Mello negou o mandado de segurança impetrado por Jacks Rabinovich que reivindicava a não quebra do seu sigilo bancário.

Só que, em vez de aproveitarem-se dessa sentença altamente positiva para quem deseja investigar a lavagem de dinheiro e evasão de divisas, via contas secretas no HSBC suíço, os senadores a ignoraram e levantaram adiante o abafa, conforme o combinado.

Acompanhe-o:

1) Dos onze titulares, apenas dois não estavam presentes à reunião de 16 de julho, devido a agendas externas, portanto não participaram da manobra: Fátima Bezerra (PT/RN)  e Acir Gurgacz (PDT-RO).

2) Consequentemente,  nove compareceram. Nunca a CPI do HSBC teve quórum tão alto.

3) De 24 de março de 2015, quando foi instalada no Senado, a 16 de julho, a CPI do HSBC realizou onze reuniões. No entanto, entre 5 de maio e o final de junho, nenhuma. Foram 49 dias sem uma única sessão.

4) Três senadores protocolaram então requerimento extra-pauta, para que fossem reconsideradas as aprovações de quebra de sigilo dos seis correntistas citados acima. Objetivo óbvio:  livrar a cara dos seis.

Ciro Nogueira (PP-PI) agiu em socorro do empresário Jacks Rabinovich.

Davi Alcolumbre (DEM /AP) intercedeu por quatro: Jacob Barata e os filhos David, Jacob e Rosane.

Paulo Bauer (PSDB/SC) tirou da fogueira Paula Queiroz Frota, simplesmente a cunhada de  outro senador também tucano. Paula é irmã de Renata Queiroz Jereissati, esposa do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Ambas são filhas de Yolanda Vidal Queiroz, que também tinha conta no HSBC de Genebra.

O resultado, todos já conhecem: 7 a 1, a favor da manutenção do sigilo bancário desses seis correntistas.

O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) foi o único que votou pela quebra do sigilo de cinco dos seis correntistas mencionados. Ele se absteve na votação referente a Paula Queiroz Frota, cunhada do colega Tasso Jereissatti.

Além de Ciro Nogueira, Davi Alcolumbre  e Paulo Bauer, votaram a favor da manutenção do sigilo, contrariando a decisão do STF, mais quatro senadores:

* Ricardo Ferraço (PMDB/ES), por sinal relator da CPI do HSBC

* Otto Alencar (PSD/BA)

* Blairo Maggi (PR/MT)

* Sérgio Petecão (PSD/AC)

Para que os eleitores não  se esqueçam, repetimos os nomes dos sete integrantes da bancada da pizza da CPI do HSBC: Ciro Nogueira, Davi Alcolumbre, Paulo Bauer, Ricardo Ferraço, Otto Alencar, Blairo Maggi e Sérgio Petecão.

– E o senador Paulo Rocha (PT-PA)?

Devido à condição de presidente de CPI, ele não votou.

Segundo matéria do jornalista Fernando Rodrigues,  no UOL, “a operação abafa foi comandada pelo petista Paulo Rocha”.

Ao Viomundo, Paulo Rocha, via sua assessoria de imprensa, nega.

Em texto que nos foi encaminhado, a assessoria do senador do Pará ainda explica:

O presidente da CPI, senador Paulo Rocha (PT-PA), foi questionado sobre qual seria sua interpretação quanto à revogação das quebras de sigilos já aprovadas há uma semana. O senador observou que, desde o início dos trabalhos, garantiu que iria dirigir os trabalhos sem transformar a CPI num palco, sem espetáculo, assegurando amplo direito de defesa e evitando que direitos individuais fossem colocados em xeque.

“Assim me comportei na reunião de hoje. No entanto, acho que dada às dificuldades das informações que a CPI têm, e que mexem com direitos individuais e coletivos, é claro que a CPI tem momentos de firmeza e momentos de dúvida, justamente por causa das fragilidades dos documentos que são enviados para cá”, afirmou.

Em tempo, quatro questões:

Com essa bancada da pizza tão “generosa” com os suspeitos de contas fraudulentas no HSBC, você ainda acredita que essa CPI vá investigar e revelar outros brasileiros que usaram o banço suíço para lavagem de dinheiro e evasão de divisas do Brasil? Sinceramente, esta repórter acredita que não.

Depois desse abafa organizado, ela ainda teria condições morais de levar o seu trabalho adiante?

Mas será que ela vai se dispor de agora em diante a fazer um trabalho realmente sério, sem aliviar para  financiadores de campanha, amigos e parentes de senadores e donos da mídia,  por exemplo?

Como ficará a situação dos seis correntistas já beneficiados pela bancada da pizza? Suas contas no HSBC de Genebra ficarão realmente livres de qualquer investigação?

Aguardemos os próximos passos.

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