A MÍDIA COMANDA UM CANGAÇO

Quando pequeno, assisti ao filme “A Morte Comanda o Cangaço”.

Contava trechos da história de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, quando resolveu enveredar com seu bando, Nordeste a dentro, matando e roubando.

A morte, que comandava o Cangaço, era o próprio Lampião.

O nordestino sempre conviveu com o espetro de Lampião.

E Lampião significava para uns: justiciamento; para alguns humanismo; e para muitos: um criminoso que matava sem dó, nem piedade.

Pessoas eram mortas pelo bando de Lampião pelo simples fato de “ouvi dizer”.

“Ouvi dizer que você me delatou para os espiões da polícia!… Ouvi dizer que você matou um cabra porque ele olhou para sua filha!… Ouvi dizer que você não gosta de mim!…”

A justiça de Lampião era ele mesmo: sem provas, sem julgamento, sem nada.

Tudo isso ocorreu no último século do segundo milênio.

No primeiro século do terceiro milenio, quando adentramos na era da moderna tecnologia, quando a ciência nos brinda com avanços na pesquisa, e cientistas de todas as matizes buscam desvendar aquilo que, até então, era ignorado… Pois neste século, neste incío de milênio, a justiça brasileira esta prendendo e condenando  pessoas sem provas.

O Brasil acompanha com vivaz interesse, o inquérito da Lava Jato, sobre uma quadrilha que operava dentro da Petrobrás, envolvendo cartéis e funcionários da empresa, e alguns políticos.

A se levar em conta a última entrevista coletiva dos Procuradores da República, que fazem parte da força tarefa investigativa da Operação Lava Jato, muitos cidadãos estão sendo presos sem a devida prova de culpa.

Não se quer aqui, definir se fulano ou sicrano é culpado ou inocente.

O que se põe em dúvida é a juntada de provas, que ainda não foi feita.

Na entrevista, foi perguntado aos Procuradores se existia provas contra o suspeito de lavagem de dinheiro, Sr. Fulano de Tal; se os procuradores tinham provas para pedir a prisão preventiva de Sicrano; com base em que provas o Senhor Beltrano está preso…

As resposta deixariam o mais sanguinário dos ditadores de queixo caído, menos os encarregados de exercerem e executarem a justiça em nosso país: os Pocuradores e o Juiz Sérgio Moro.

Vaguearam pelos microfones da entrevista coletiva dos Procuradores, frases como: “Isso (as provas) vai ser apurado durante as investigações”; “Ainda não temos” ; “Estamos buscando”.

Recentemente Nestor Cerveró, um dos presos preventivos da Operação Lava Jato, confrontou o Juiz Sérgio Moro.

Foi incisivo: “Essa investigação foi feita a partir de uma denúncia de revista. Achei que a Polícia Federal trabalhasse com coisas mais sólidas”

A revista é a Veja, que publicou uma matéria em setembro de 2014, afirmando que o investigado tinha uma Offshore no Uruguai.

Quem tem manipulado a justiça brasileira é a mídia.

Procuradores Federais e Juizes noviços, cidadãos saídos do ostracismo social, que vislumbram seus 15 minutos de fama, são os alvos prediletos das investidas midiáticas.

E eles correspondem.

No afã de se tornarem meninos midiáticos, se travestem de justiceiros, engravidam da intolerancia social e partidária, e vão parir injustiça nos tribunais;

Nos tempos de Lampião, ele era a própria morte. E A Morte Comandava o Cangaço.

Hoje, a mídia é o próprio Código Civil e Penal. Ela investiga, incrimina e julga.

Como Lampião, a mídia comanda um cangaço.

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