FHC E O VAGÃO DA HISTÓRIA.

Sou chegado a uma iconoclastia.

Sobretudo quanto alguém tenta empanar o brilho de outra, colocando anteparos para impedir sua luminosidade, e quer auferir, usurpar os feitos de outro.

Aqui neste Facebook, quantas pessoas já tentaram apagar o bem sucedido governo Lula, tentando colar em sua gestão, feitos atribuídos a Fernando Henrique Cardoso, como se as páginas da história fossem escritas ao sabor de uma única mão?

Quantas pessoas não repetem, diariamente, que o Plano Real foi feito pelo PSDB, ou que a inflação só caiu porque o Fernando Henrique fez o plano, esquecendo que o partido que governava o Brasil era o PMDB e o Presidente da República chamava-se Itamar Franco?

Mas, o azar do mal historiador, se é que existe azar, é que a história se deixa registrar em outros papeis, que não as folhas manchadas da desídia de poucos.

A história sonega distração e renega mentiras.

Eis que surgem, agora, documentos que comprovam que Fernando Henrique Cardoso foi o que sempre foi. E seus seguidores lhes xerocam feitos, que não os praticou.

Sabe aquela "estória" de que o ex-presidente metalúrgico só teve sucesso porque copiou isso e aquilo do Fernando Henrique Cardoso?

Paginas de documentos foram encontradas, desenterradas e agora expostas para desanuviar mentiras.

Neoliberal não gosta de políticas públicas ligadas ao social, e eles, através de seu representante máximo na ocasião, rejeitaram todas as políticas sociais e educacionais aprovadas pelo senado e câmara de deputados.

Esse negócio de escolas e universidades públicas, cursos técnicos, bolsa família e outros programas sociais de melhoria e transferência de renda não era, nem é com neoliberal.

Neoliberal não tem alma nem coração. Tem cofre.

Rejeitaram todas.

Lula as utilizou em seu programa de governo, e sem nenhuma dúvida, melhorou a vida de milhões de brasileiros.

Transcrevemos para os amigos do Blog Martins Andrade e Você, o artigo de Luis Nassif, que desmistifica uma série de atribuições dadas ao Ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, e que na verdade não passam de idiossincrasias de correligionários, ou do próprio, tentando encontrar uma vaga no trem das políticas bem sucedidas do governo brasileiro.

Porém, ao contrario de seus desejos, Fernando Henrique Cardoso e seu neoliberalismo perderam um assento no vagão da história das políticas sociais brasileiras.

Martins Andrade

LEIA O ARTIGO DE LUIS NASSIF.

O dia em que FHC rejeitou a Bolsa Família

A Bolsa Família é uma política de universalização da renda mínima com contrapartida de exigência de matricular as crianças na rede escolar.

Ao longo dos anos, tornou-se a principal vitrine do governo Lula, garantiu sua imagem internacional e pelo menos 12 anos de governo ao PT.

O consolo do PSDB é tentar atribuir a origem da política a FHC.

Analisando-se documentos da época, no entanto, constata-se que o cavalo do Bolsa Família passou duas vezes encilhado para o então presidente Fernando Henrique Cardoso – e nas duas vezes, ele deixou de montar.

A última vez foi dois anos apenas antes de Lula apostar na política e se consagrar.

Mais que isso: toda a política de educação do Ministério da Educação implementado a partir do segundo governo Lula, com ampliação das vagas escolares, aumento dos gastos com educação, ampliação dos campus universitários, expansão do instituto técnico, estava presente no Plano Nacional de Educação (PNE) de 2001, aprovado pela Câmara e pelo Senado. E todos esses itens foram vetados por FHC.

***

No início do primeiro governo FHC, o senador Eduardo Suplicy tentou avançar seu Programa de Renda Mínima. No dia 28 de abril de 1996 a Folha entrevistou os diversos Ministérios envolvidos com o tema.

Do Ministro do Trabalho Paulo Paiva (PTB) ouviu que "não podemos simplesmente criar um novo programa que se sobreponha aos atuais". Do Ministro da Previdência Reinhold Stephanes (PFL), ouviu que o governo já tinha programas de renda mínima "e pode aperfeiçoá-los". O Ministro do Planejamento José Serra saiu-se com um não-argumento típico dele. Não era contra, mas o projeto "não tem sido discutido no âmbito do governo". Era só começar a discutir.

Foi a primeira oportunidade perdida.

***

A ideia continuou crescendo. Anos depois, foi apropriada pelo então senador Antônio Carlos Magalhães (ACM ) que a incluiu no Plano Nacional de Educação.

O projeto foi aprovado na Câmara e no Senado e chegou para a sanção presidencial. Dizia o item 1.3, subitem 22: "Ampliar o Programa de Garantia de Renda Mínima associado a ações socioeducativas, de sorte a atender, nos três primeiros anos deste Plano, a 50% das crianças de 0 a 6 anos que se enquadram nos critérios de seleção da clientela e a 100% até o sexto ano."

E aí FHC mostrou sua pequena dimensão de homem público.

O item foi vetado sob o argumento de "contrariar o interesse público". E contrariava devido ao fato de "as metas propostas (…) implicam conta em aberto para o Tesouro Nacional, (…) o que não se compadece com o quanto estabelecido nos arts. 16 e 17 da Lei de Responsabilidade Fiscal".

***

Não ficou nisso.

Pelas mesmas razões de "interesse público" foram vetados o item que  definia uma meta mínima de 40% do ensino público superior através de parcerias com Estados; o Item que criava um Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Superior, para expansão da rede de instituições federais; o item que ampliava o programa de crédito educativo, associando-o ao processo de avaliação de instituições privadas.

E aí por diante.

Dois anos depois Lula assumiria o poder e montaria nos dois cavalões rejeitados por FHC.

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