FHC E LULA – AS CUNHÃS COM PESOS DIFERENTES

Todos dias as redes sociais replicam idiossincrasias, fotos, charges e outros  atributos na guerra sincronizada para desconstruir o ex-presidente Lula perante o povo brasileiro, de onde deixou o governo com mais de 80% de aprovação.

É uma guerra suja, sobretudo desigual porque o ex-presidente não tem mídia.

Não tem uma costa-larga midiática como teve o seu antecessor Fernando Henrique Cardoso, que a mídia escondeu sua cunhã, exilou-a em Paris, defenestrou-a do jornalismo, ela que é jornalista também, e ainda sepultou o bucho de um negão qualquer, de quem engravidou e jogou a culpa para o FHC pagar.

Tudo isso foi ocultado por essa mídia, que agora, esquecida, trombeteia aos quatro cantos do Brasil um caso do ex-presidente Lula, sem apresentar os travesseiros, a cama e o quarto. Pior,  sem um bucho sequer, a não ser suspeitas, que, como no julgamento do mensalão, querem transformar em crime, sem nenhuma prova. Mesmo porque, se a cunhã é de um tucano ou neoliberal, está morta para todos os fins. Se é de alguém do PT, sobretudo de Lula, tem idade, raça, cor, e direito a todos os vilipêndios que um ser humano não mereça receber.

As cunhãs no Brasil têm pesos diferentes

O artigo abaixo é do jornalista Leandro Fortes, que transcrevemos para os amigos do nosso Blog.

Cobertura desigual

Leandro Fortes:

A moral de velhas prostitutas

publicada quarta-feira, 05/12/2012 às 11:32 e atualizada quinta-feira, 06/12/2012 às 10:09

Por Leandro Fortes, na CartaCapital

Aos poucos, sem nenhum respeito ou rigor jornalístico, boa parte da mídia passou a tratar Rosemary Noronha como amante do ex-presidente Lula. A “namorada” de Lula, a acompanhante de suas viagens internacionais, a versão tupiniquim de Ana Bolena, quiçá a reencarnação de Giselle, a espiã nua que abalou Paris.

Como a versão das conversas grampeadas entre ela e Lula foi desmentida pelo Ministério Público Federal, e é pouco provável que o submundo midiático volte a apelar para grampos sem áudio, restou essa nova sanha: acabar com o casamento de Lula e Marisa.

Já que a torcida pelo câncer não vingou e a tentativa de incluí-lo no processo do “mensalão” está, por ora, restrita a umas poucas colunas diárias do golpismo nacional, o jeito foi apelar para a vida privada.

Lula pode continuar sendo popular, pode continuar como referência internacional de grande estadista que foi, pode até eleger o prefeito de São Paulo e se anunciar possível candidato ao governo paulista, para desespero das senhoras de Santana. Mas não pode ser feliz. Como não é possível vencê-lo nas urnas, urge, ao menos, atingi-lo na vida pessoal.

Isso vem da mesma mídia que, por oito anos, escondeu uma notícia, essa sim, relevante, sobre uma amante de um presidente da República.

Por dois mandatos, Fernando Henrique Cardoso foi refém da Rede Globo, uma empresa beneficiária de uma concessão pública que exilou uma repórter, Míriam Dutra, alegadamente grávida do presidente. Miriam foi ter o filho na Europa e, enquanto FHC foi presidente, virou uma espécie de prisioneira da torre do castelo, a maior parte do tempo na Espanha.

Não há um único tucano que não saiba a dimensão da dor que essa velhacaria causou no coração de Ruth Cardoso, a discreta e brilhante primeira-dama que o Brasil aprendeu desde muito cedo a admirar e respeitar. Dona Ruth morreu com essa mágoa, antes de saber que o incauto marido, além de tudo, havia sido vítima do famoso “golpe da barriga”. O filho, a quem ele reconheceu quando o garoto fez 18 anos, não é dele, segundo exame de DNA exigido pelos filhos de Ruth Cardoso. Uma tragicomédia varrida para debaixo do tapete, portanto.
O assunto, salvo uma reportagem da revista Caros Amigos, jamais foi sequer aventado por essa mesma mídia que, agora, destila fel sobre a “namorada” de Lula. Assim, sem nenhum respeito ao constrangimento que isso deve estar causando ao ex-presidente, a Dona Marisa e aos filhos do casal. Liberados pela falta de caráter, bom senso e humanidade, a baixa assessoria de tucanos, entre os quais alguns jornalistas, tem usado as redes sociais para fazer piadas sobre o tema, palhaços da tristeza absorvidos pela vilania de quem lhes confere o soldo.

Esse tipo de abordagem, hipócrita sob qualquer prisma, era o fruto que faltava ser parido desse ventre recheado de ódio e ressentimento transformado em doutrina pela fracassada oposição política e por jornalistas que, sob a justificativa da sobrevivência e do emprego, se prestam ao emporcalhamento do jornalismo.

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