O SEQUESTRO DA REALIDADE – I

Os meios de comunicações latino-americanos escondem notícias para não contaminar você, ouvinte, telespectador, leitor de jornais e revistas por eles publicadas.

Sequestrar a realidade é pegar uma noticia e escondê-la de seu público. A consequência desse sequestro de realidade, é que esse público não tem a devida informações sobre fatos relevantes, que poderiam contribuir para uma tomada de posição, relativa a determinadas situações vivida por ele ou por seu país.

Quando os meios midiáticos sequestram a realidade, eles precisam colocar em seu lugar outras informações, de tal modo que o público se sinta, de um modo ou de outro, informado. Mesmo que essa nova informação seja distorcida da realidade que o momento requer.

A situação vivida por vários países europeus, ante o neoliberalismo ali implantado, tem levado a que suas populações passem por momentos difíceis, de altíssima degradação humana e social.

Portugal, Espanha, Grécia, e em menor escala, França e Itália, têm vivido situações de conturbações sociais da maior gravidade, vitimados por esse tipo de política, o tal neoliberalismo.

Mas a mídia esconde, sequestra essas informações para que você não saiba a situação humilhante que aquelas populações passam.

Isso é importante para um país como o Brasil e outras nações latino-americanas, porque o olho dos neoliberal, o olhar  que vislumbra apenas o bem-estar de poucas pessoas, as atitudes que desviam dinheiro do povo para encher as burras de bancos privados, esses olhos estão fixados no Brasil.

A mídia brasileira não toca no assunto, mas relembramos para você, que nosso país já passou por essa situação, quando foram vendidas, para não dizer doadas, nossas principais empresas, e um presidente, Fernando Henrique Cardoso, criou um programa, o PROER, somente para transferir dinheiro público para bancos privados.

Eram tempos de desemprego, fome, invasões de capitais, de cidades, vilarejos em busca do que comer. Assaltos a carros que transportavam alimentos, fechamentos de estradas… Tudo isso num passado bem recente, que se você não se lembra, a mídia sequestra essa informação para ajudar você a esquecer.

Mas o que acontece, hoje, nos países onde o neoliberalismo virou um câncer social?

Acontece a mesma coisa pela qual nós, brasileiros, já passamos: desemprego, fome, caos social, favelamento das zonas urbanas, despejos de famílias e o mais grave, atitudes extremadas dos seres humanos, como o imolamento e suicídios;

Sobre esses fatos, transcrevemos em nosso Blog Martins Andrade e Você… Do Ceará para o Mundo, o post publicado no Blog de Nassif, para que você sinta e conheça o que ocorre nesse países onde o neoliberalismo foi implantado.

Martins Andrade

 

Os suicídios na Grécia

Enviado por luisnassif, dom, 04/11/2012 – 14:51

Por Dê

É….a Grécia e suas mazelas……um tubo de ensaio……mostrando o que é a irresponsabilidade financeira….mas quem quer ver???

Do Pragmatismo Político

O dia em que o Capitalismo fez mais uma vítima fatal

Minutos antes de suicidar-se, junto com a mãe, o músico grego Antonios Perris deixou uma carta em que apela aos dirigentes do mundo que façam alguma coisa pelos pobres

Antonios capitalismo grécia

Antonios Perris e a mãe dele morreram no último dia 24 de maio no bairro de Metaxourgeio, em Atenas. A notícia e seu bilhete de morte não foram divulgados pela mídia brasileira

Meu nome era Antonios Perris, eu tinha 60 anos e era um músico grego. Durante duas décadas cuidei de minha mãe. Há três ou quatro anos ela sofre de Alzheimer e recentemente foi diagnosticada com esquizofrenia e outros problemas de saúde.

Os asilos para idosos não aceitaram uma anciã com tantos problemas. Quando explodiu a crise, eu não estava preparado para enfrentá-la. Vendi todas as propriedades que tinha mas acabei sem nada para comer. Ontem, minha mãe e eu nos atiramos do terraço do quinto andar.

Antes de fazer isso, deixei no meu blog uma última pergunta a meus amigos poetas e músicos: Alguém conhece alguma solução? Se lhes escrevo agora já não é por mim nem por minha mãe, pois nós encontramos o descanso. Se lhes escrevo agora é por milhares de pessoas em seu país que estão passando por algo parecido ao que nós, gregos, estamos passando. Há uma solução para elas. E essa solução depende de vocês.

Vocês podem e devem fazer isso. Para evitar que outros filhos e outras mães se atirem no espaço como minha mãe e eu fizemos. Já estão fazendo em seu país, mas as mortes não saem nos telejornais. Mas há vítimas. E uma outra maioria de vítimas segue viva e resistindo. Por elas e pela humanidade, senhor presidente, senhores ministros, deputados, façam alguma coisa urgentemente..

Não estou pedindo com a raiva ou o rancor que sentia por vocês ontem, pois a morte me liberou também disso. Se lhes peço, por favor, por dignidade, por respeito e porque é seu dever e podem fazê-lo. Sim, vocês podem. É muito simples. Há 350.000 famílias que foram despejadas em seu país desde que a crise começou a nos atormentar. Há milhares que estão sendo despejadas todo mês pelos mesmos bancos que vocês estão salvando com o dinheiro desses pobres que foram sacrificados durante anos e pagaram seu impostos. Agora essas pessoas nem isso podem fazer. São famílias sem trabalho, com crianças, com idosos, com enfermos. Façam por um momento esse esforço de imaginação, que sempre evitam, e pensem no que estão passando essas pessoas. Imaginem o que é ficar sem casa, ter medo e dormir sobresaltado por cada ruído que podem anunciar o despejo, a vergonha de que seus filhos vejam a polícia arrastando você para fora da sua casa, a vergonha de pedir asilo na casa de um amigo ou parente, que podem estar talvez tão sufocados como você e os seus, e o que é pior, a humilhação de dormir na rua ou em um albergue…Não é preciso muito esforço para sentir-se mal só de pensar.

Pois façam com eles o mesmo que fizeram com os bancos. Obriguem os bancos a suspenderem os despejos. Obriguem os bancos a perdoar as dívidas hipotecárias e devolverem as casas que tomaram. E obriguem os bancos a alojar milhares de famílias que necessitam em casas que estão vazias à espera de negócios. Estabeleçam um aluguel razoável, estudem cada caso mas arranjem uma moradia para todos. Momentos de exceção como estes, exigem medidas de exceção como as que foram tomadas para resgatar os bancos. Resgatem as pessoas. Podem fazer isso porque o fizeram com os bancos. Foram salvos sem que lhes tenham imposto condições. Nacionalizaram a entidade que executa 80% das hipotecas, estão dispostos a dar-lhes o que necessitem e dizem que necessitam de 15 bilhões. Este banco é nosso, criem vocês suas próprias normas, salvem aos que necessitam. E façam isso logo. A vida de outros depende hoje de vocês.

Minha mãe já não era capaz de saber o que estava acontecendo. Mas vocês não têm Alzheimer, embora pareça algumas vezes que você esqueceram onde deixaram sua conciência. Em meu leito de descanso, cheguei a crer por um momento que a têm. Por isso me atrevi a escrever estas linhas que podem parecer ingênuas, porque estamos construindo um mundo em que defender a justiça parece coisa de inocentes. Deixem-me este último sonho antes de pegar no sono eterno. Estendam as mãos aos que estão a ponto de lançar-se ao espaço. Façam alguma coisa.

Nota do editor. Antonios Perris e a mãe dele morreram no último dia 24 de maio no bairro de Metaxourgeio, em Atenas. A notícia e seu bilhete de morte não foram divulgados pela mídia brasileira.

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Comentários

  • Gisela  On 11/11/2012 at 10:31

    Na Espanha 3 pessoas já se se suicidaram pelos mesmos motivos. Capitalismo assassino!

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  • Etelvina Maria  On 10/11/2012 at 20:34

    Boa noite, Martins!
    Chocante essa matéria. Excelente o seu artigo sobre o confisco de informações reais e a omissão da mídia ante realidades tão adversas e perversas. Notável.

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