EDUCAÇÃO NO BRASIL

UMA INVERSÃO DE CLASSES SOCIAIS.

A escola pública tem sido motivo para discussão dentro da nova proposta que lhe é reservada no plano de educação nacional.

Com o advento do Enem, algumas disfunções têm aparecido, e sendo bastante criticado por parte da imprensa oposicionista.

Diz-se oposicionista por conta da posição tomada pela presidenta da Associação Nacional de Jornalismo – ANJ, Dona Judith Braga, que declarou as empresas de mídia como oposição ao governo.

Mas as notas obtidas pelos alunos da rede pública, na média nacional, não tem apresentado resultados satisfatório, quando comparado com a média das escolas privadas, dando asas à tese neoliberal de que o estado não deve se intrometer onde o setor privado pode desenvolver melhor o serviço. Disso se aproveita a mídia oposicionista/neoliberal que joga essa idéia para o grosso da população, sem que esta tenha a oportunidade de se contrapor ao que lhes é imposta como fato.

Nos dois governos do presidente Lula, mecanismos financeiros foram criados para dar maior dinamismo à educação, favorecer aos professores, dando-lhes condições para desenvolver melhor sua função, que é a de levar conhecimento ao discente na sala de aula.

Além disso, criaram-se, também, mecanismos para favorecer aos municípios na perseguição aos bons frutos educacionais, iniciando com a criança, desde os primeiros momentos de sua introdução na sala de aula até a complementação do ensino fundamental. A partir daí, o Estado é o responsável pela educação no nível médio. Ambos recebem verbas desses fundos.

Os fundos de incentivos para o setor educacional, que foram criados, levam até o município o recurso para que os gestores municipais possam geri-los com otimização, tendo como beneficiário direto o aluno, o mestre e a excelência educacional brasileira.

Tudo bonito conforme o escrito.

Contudo, a educação nada produziu ao país como um todo, haja vista os resultados obtidos.

Mas onde está o gargalho desse sumidouro de incentivos, que nada produziu para os interesses do Brasil como se esperava?

Consideremos alguns condicionantes para o recebimento das verbas oriundas daqueles incentivos, ou dos fundos educacionais.

Um deles é o número de alunos matriculados. Quanto mais matriculas, maiores as transferências; o outro e a repetência ou reprovação. Não pode ter reprovação porque a repetência é proibida.

Ao analisarmos essas duas premissas, observa-se que o gestor público tudo fará para evitá-las, porque sua simples existência já corta um punhado de reais da cota municipal dos fundos. Nenhum prefeito é idiota para permitir que sua secretaria de educação saia reprovando alunos a torto e a direito. O município perde verbas.

O Estado também.

Mas um detalhe escapa às autoridades educacionais brasileiras, se compararmos o que se ensina hoje, como o que era repassado aos alunos de ontem.

O aluno sai da sala de aula da escola pública, hoje, de mãos abanando. Nada leva para casa em forma de exercícios,, para fixar em casa o que lhes foi repassado pelos mestres. Ouvi de professores em minhas andanças, que o local para o aprendizado é somente a escola.

Quem se der ao trabalho de observar o que se passa nas pequenas, e até nas médias cidades do interior brasileiro, sobretudo no nordeste, vai ver que, quem é aluno do turno da manhã na escola pública, se junta à tarde em levas de jovens a passear pelas ruas, sem ter o que fazer, às vezes enganando aos pais, e se tornando presas fáceis da prostituição e dos traficantes. São jovens com idade entre 12 e 18 anos, sem nenhum preparo psicológico para enfrentamento de situações adversas, como gravidez e uso de drogas.

Por outro lado, as constantes agressões que se vê entre alunos e mestres, com casos gravíssimos, se devem às tentativas de correções de alunos, por parte de alguns professores, que ousam em ato extremo, corrigir situações que já são consideradas como definitivas. Por exemplo: cobrar mais empenho do aluno é um ponto discordante que gera conflitos e agressões imensuráveis. Reprovar, então, é suicídio.

Temos uma parte dessa geração de alunos, que já chega em sala de aula com um cigarro de maconha num bolso e uma arma no outro.

Não vou ao extremo de dizer que é uma geração perdida. Mas de difícil retomada.

O Ministério da Educação deveria enviesar um pouco as condicionantes de transferências de verbas para estados e prefeituras, utilizando novas óticas de focalização educacional.

1 – O Ministro da Educação deveria negociar as transferências dos recursos dos fundos para as prefeituras e estados, condicionando não mais o índice reprovação e freqüência, mas criando um novo parâmetro para a escola pública. Como se sabe, o município é responsável pelo ensino fundamental e o Estado pelo ensino médio.

2 – Esse parâmetro deveria quebrar o paradigma das pedagogas que diz que: lugar de se prender é na escola. Mentira. O lar deve ser uma extensão da escola.

3 – Com isso, iniciar as crianças das primeiras séries da escola pública a levar exercício para casa e devolvê-los resolvidos. Cobrar!

4 – Isso vai criar na mentalidade da criança uma responsabilidade para o aprendizado: viu na sala de aula, repete em casa. E acabar com essa “estória” de traumatizar crianças quando se cobra algo dela.

5 – Se a escola privada faz isso, porque não se faz também na escola pública. Aliás, essa era uma prática comum na antiga escola pública. Todos que tem mais de 60 anos, que estudaram na escola pública, passaram por essa fase.

6 – Investir em professores mais especializados. Só deve ensinar matemática quem tem uma afinidade com a matéria. Física, química, biologia, idem… Senão o governo vai repetir os neoliberais, que colocavam 100 crianças numa sala de aula, com um televisor ligado no telecurso da Globo, e um único gênio nominado de professor para tirar todas as dúvidas. A geração que resultou foi essa daí.

6 – Se o Brasil conseguir criar uma nova geração de alunos com essa nova mentalidade, terá valido a pena se investir tanto na educação.

7 – Caso contrário, volta o telecurso, coloca-se um professor na sala de aula para tirar todas as dúvidas no estratosférico tempo de 5 minutos, intervalo entre uma aula e outra, e deixa como estar.

A escola pública vai continuar oferecendo ao país um arremedo de educação, alunos com baixo grau de intelectualização, concorrentes a mão de obra de baixa qualidade, e a inversão de valores nos cursos superiores: universidades públicas lotadas de alunos ricos, sem pagar nada, enquanto as universidades privadas entupidas de gente pobre e no meio, o governo gastando nas duas pontas: criando universidade pública para mais ricos e transferindo recursos, via bolsa de estudo, para financiar universidades privadas.

Assim, a educação no Brasil não será uma inversão de classes sociais.

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