A INDÚSTRIA DA MULTA.

A mais criminosa das indústrias porque obtém seus lucros da exploração do cidadão, que já paga seus impostos exatamente para que o estado ou município possam demandar seus serviços, sem interferir mais na vida financeira de sua população.

Explora criminosamente o cidadão em três vertentes.

A primeira delas no bolso.

Entrando por ali, o estado e o município fazem sua festa com o dinheiro alheio, sem nenhuma cerimônia, e não acha que está fazendo uma bitributação.

E ao surrupiar a carteira do cidadão, revolta-o sem lhe dar nada em troco.

A segunda delas é a indisponibilidade do cidadão – no tempo. 

Esta é a mais sádica das interferências estatal.

Os órgãos dão um prazo para se fazer a contestação. Mas sabendo que o cidadão não dispõe de tempo para sair correndo atrás de provas para anular a tal multa, eles exploram essa vertente, pois sabem que, para se conseguir provar que a multa é indevida, um cidadão precisa disponibilizar pelo menos dois ou três dias, correr atrás de documentos, instigar funcionários sem nenhuma vontade de atendê-lo, faltar ao seu trabalho, correr risco de perder seu emprego…

Ele desiste.

A multa passa incólume, sem nenhuma contestação.

A indústria da multa é tão cruel que criou mecanismos dentre seus próprios agentes, para aguçar-lhes a produção.

E ao fazer isso, retirou do agente o sentido humanitário da compreensão, da justeza de atos, de entender circunstancias, de analisar situações. 

Hoje o agente público é um robô em busca de dinheiro para o estado e município.

Mas, qual a razão de tantos ataques contra o bolso do cidadão? 

Há, na raiz do pensamento estatal, uma mudança de visão relativa da multa.

Alguns entendem que a multa, ao mexer no bolso do cidadão, está contribuindo para que ele se eduque.

Ora, se falamos da indústria de multas, não estamos tratando das multas legais. Destas, o cidadão consciente abaixa a cabeça e paga. Agora, pagando multas indevidas, ele não se educa, revolta-se.

Outros órgãos públicos criaram mecanismos de crescimento do agente encarregado da aplicação dessas exorbitâncias, na intenção de evitar que o mesmo receba propina e dispense a multa.

Para isso foi introduzido o mecanismo de pontos positivos na vida funcional do agente, desde que as multas por ele efetuadas, tivessem uma ordem crescente. Isto é, quanto mais multas, mais pontos positivos, e em conseqüência, maior salário.

É assim na Polícia Rodoviária Federal e em várias prefeituras Brasil a fora.

Esse mecanismo é uma bola de neve injusta e perigosa.

O cidadão já paga no emplacamento, no abastecimento do veículo e nos demais impostos, o necessário para que o agente público tenha, no contracheque do final do mês, os recursos para seu sustento e bem estar de sua família. Daí a injustiça.

Criar uma indústria para retroalimentar a conta salarial é um perigo, na medida em que esse agente deixa de ser um ente zeloso de sua função para exorbitá-la em busca de lucros.

Mas, há uma terceira via que não tem um viés educativo nem um epílogo de crescimento salarial do agente. São as empresas terceirizadas, enfronhadas no serviço público com a função corrupta de aumento de arrecadação para o financiamento de campanhas políticas.

Nesta, o gestor público sabe de tudo, mas brinca de cego caminhando entre as agulhadas da crítica; é surdo quando deixa de ouvir o queixume de seus concidadãos, e aumenta-lhes a revolta quando assume uma mudez e nada responde.

É nesse portfólio que está montada no Brasil a indústria da multa.

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Comentários

  • tiago  On 29/08/2012 at 20:24

    Isso é a mais pura verdade, parabéns…Nós cidadãos de bem, temos que fazer alguma coisa a respeito pois não da mais pra ficar assistindo essa pouca vergonha, é revoltante!

    Curtir

  • valterlin  On 06/02/2010 at 12:51

    Parabens cara pelo artigo publicado isso que voce falou é a mais pura verdade.
    Valeu!!!!!!!

    valterlin

    Cade o Projeto?

    Curtir

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