A SARNEYIZAÇÃO DE TAMBORIL

 

A justiça brasileira está caminhando para um buraco sem saída.

Magistrados, que pelo título pomposo deveriam preservá-la, são os que a estão levando à bancarrota.

 Muita coisa tem contribuído pra isso, e um pouco de historia dessas autoridades ao longo do tempo é importante para entendermos a situação de agora.

 O Juiz de direito já foi um figura intocável e respeitado no concerto social brasileiro e mundial, onde o estado de direito estivesse implantado.

Antes do advento da comunicação livre, suas atitudes e decisões eram inquestionáveis.

Dizia-se que decisão judicial não se discutia, se cumpria.

Hoje continua se cumprindo, mas se discute e se questiona.

A velocidade da internet desnudou o judiciário.

Rapidamente uma decisão de uma corte, de um tribunal, já tem suas conseqüências discutidas, analisadas, e se sabe a quem interessou determinados veredictos, e às vezes, até se contrapondo ao discernimento filosófico do magistrado, sabe-se o que ele tentou esconder ou demonstrar para beneficiar ou prejudicar outrem.

Os componentes do judiciário brasileiro pelo tecido social do qual advieram sua maioria, continuam a julgar como se fosse para um clube de amigos.

Ainda não se deu conta de sua magnânima posição ante o estado que lhes paga, pela via do cidadão contribuinte.

Se o estado e a lei estão em atribulações contra os amigos, que se passe a mão confortável dos favores da lei sobre esses amigos.

E esses benefícios jurídicos têm se tornado uma constante.

Ciente que essas decisões agradam aos amigos, os magistrados esquecem-se do ridículo que suas interpretações poderão acarretar nos portfólios dos tribunais, e de sua própria carreira.

O Brasil tem vivenciado atitudes de magistrados que pouco tem contribuído para o respeito da magistratura, dos tribunais e demais órgãos judicantes.

Pegue-se o caso do Supremo Tribunal Federal, e seu atual presidente Gilmar Mendes, e se verá que julga conforme o grau de amizade.

Fato atestado pelo próprio paciente, no caso de Daniel Valério Dantas, quando falou que nas instancias superiores teria facilidades

E teve.

O mundo assistiu, estarrecido, o recorde de dois habeas corpus em menos de 48 horas para uma única pessoa, em um local onde esse atributo jurídico não deveria ocorrer – STF, e sob o mesmo magistrado – Gilmar Mendes.

Sobre esse fato escandaloso a Procuradora Regional da República da 3ª Região, Janice Ascari, no encontro do Dia Internacional de Combate à Corrupção, ocorrido em 09/12/2009 em São Paulo, deu a entender que o judiciário é aliado da corrupção, quando disse que “a impunidade encontra aliado no judiciário”.

E foi mais além, quando, peremptória, alfinetou o Supremo Tribunal Federal afirmando que “temos a Suprema Corte mais leniente e complacente do mundo com a bandidagem”.

Não param por aí os escândalos das decisões e julgamentos amigos.

Na Operação Satiagraha, onde pessoas influentes foram investigadas e algumas presas, o Supremo Tribunal Federal do Brasil deu aulas de como não se deve mexer com amigos.

Primeiro os habeas corpus em menos de 48 horas;

Segundo: o ministro Eros Graus mandou “desentranhar”, termo jurídico que significa: “retirar” todos os documentos – provas, do longo processo e mandar para seu gabinete no Supremo;

Terceiro: o ministro Arnaldo Esteves Lima, do STJ, simplesmente suspendeu as ações e investigações da Operação Satiagraha, o que poderá anular toda a operação, livrando de cara os bandidos do colarinho branco.

Mais uma vez a Procuradora Regional Federal da 3ª Região, Janice Ascari, se manifestou em um artigo publicado na Folha, dia 24/12/2009, sob o título: A JUSTIÇA NA UTI, (Clique para ler)quando aborda o fato.

A justiça amiga não só serve para deixar os amigos livres de processos. Serve também como anuladora de votos, quando se manifesta em processos movidos por políticos escorraçados pelo voto do povo.

O fato mais emblemático é o do Maranhão, onde a família Sarney perdeu a eleição, mas a justiça amiga cuidou em devolver.

Nestes casos, basta qualquer processo para a justiça cassar os votos do povo.

No caso do Maranhão, o motivo foi uma alegação de compra de votos por parte da facção vencedora.

É como se o clã Sarney houvesse passado todo esse tempo no poder, naquele estado, pela graça de suas boas administrações sem se envolver com trocas de favores de seus cabos eleitorais e os eleitores.

Se assim o fosse, não haveria de recorrer à justiça amiga.

No Ceará, um caso chamou a atenção no limiar da véspera de Natal de 2009.

Aconteceu em Tamboril, cidade a, aproximadamente, 300km de Fortaleza, na região centro-oeste do estado.

Lá uma família mandou durante quase um terço de século: a família Timbó.

Tamboril era o feudo dessa família.

O maior símbolo de desenvolvimento que marcou a família Timbó  em Tamboril, durante os quase 30 anos de mando, foi a Praça da Merda.

A Praça da Merda fica bem no centro da cidade.

Era na Praça da Merda que os feirantes deixavam seus animais, por ocasião das feiras. Lá, animais domésticos de todas as raças deixavam seus rastros: porcos, bodes, vacas, cachorros, jumentos, cavalos, todos ficavam pela Praça da Merda e lá faziam suas necessidades.

Daí, a Praça da Merda.

Mas, o clã perdeu as eleições municipais de 2004 e 2008.

A Praça da Merda agora é a bonita Praça Onze

O concorrente da eleição de 2008 foi o ex-prefeito Chico Timbó, que a população escorraçou com uma maioria absurda de votos.

A população não queria outra Praça da Merda.

Na tentativa de retomar o poder, recorreram ao expediente da falta de lisura no preito. Um muro com a propaganda da situação seria o fato jurídico para o processo.

O processo correu todas as instancias, mas sempre negado, por falta de provas.

Mas faltava a força amiga de dentro da justiça, para devolver Tamboril à família Timbó.

Isso aconteceu com a nomeação de um irmão do ex-prefeito para desembargador.

Faltava o juiz amigo.

Ele apareceu quando a juíza da Comarca de Tamboril entrou em férias exatamente no dia 18/12/2009.

Dia 21/12/2009, segunda, assume, respondendo pela comarca de Tamboril, um juiz de Crateús.

Terça-feira, à noitinha, dia 22/12/2009 o atual prefeito Jeová Mota estava cassado.

A justiça amiga fazendo justiça para os amigos.

A Sarneyização de Tamboril.

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Comentários

  • Gualber Calado  On 28/12/2009 at 14:51

    Martins,
    Parabéns pelo artigo, sua opinião é sempre creditada com muita coerencia e conhecimento dos fatos.
    Forte abraço e continue usando este espaço que nos ajuda a conhecer o intestino do nosso pais.
    Gualebr Calado

    Curtir

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