Category Archives: ELIO GASPARI, BOLSA FAMÍLIA, COTAS RACIAIS, CACHACEIRO, BOLSA ESMOLA, VAGABUNDAGEM.

E AGORA, ZÉ?

O amigo frequentador desse humilde blog já deve ter ouvido falar no Bolsa Família, muito conhecido na periferia das grandes cidades e capitais como Bolsa Esmola, e nos rincões agrários dos nossos sertões como fábrica de vagabundos e cachaceiros.

Já deve ter assistido, também, reportagens da Globo, pregando que a mão-de-obra rural diminuiu devido ao Programa de Bolsas do governo federal, que isso, que aquilo, tratando pejorativamente as famílias que complementam suas rendas com esses programas.

Os veículos midiáticos que fazem campanha contra os programas sociais, não revelam à população, que a mão-de-obra rural diminuiu devido a migração, ocorrida justamente durante o choque neoliberal, pela ausência de programas sociais, que forçaram as famílias rurais migrarem para a periferia dos grandes centros urbanos.

A 30 anos o meio rural representava 40% da população brasileira. Hoje são apenas 15%.

Outro objeto de controvérsia e preconceito, é o Programa de Cotas Raciais. Dentre os atores que trabalharam para barrar o programa, estiveram reunidos Rede Globo e partidos políticos, dentre eles, o DEM, que chegou a entrar com mandato judicial contra os cotistas.

Falavam que os cotistas não acompanhariam os outros alunos não cotistas, por estes terem sua formação de curso médio em boas escolas, e que aqueles, por não terem condições de acompanhar o desempenho dos demais, abandonariam os cursos em que estavam matriculados.

Agora, uma pesquisa há demonstrado que os resultados dos programas não eram bem assim, como imaginavam seus opositores.

O Bolsa Família não é bem um bolsa esmola, nem estimula vagabundagens e alcoolismos.

O Programa de Cotas Raciais não apresentou o efeito que apregoavam. O desempenho dos alunos está dentro da média dos demais não cotistas, e aqueles não abandonaram os curso, conforme replicavam nas mídias amigas os opositores dos programas do Governo Federal.

Agora, um articulista do Jornal Folha de São Paulo e Revista Veja, Elio Gaspari, faz uma análise dos dados da pesquisa e a expõe, justamente no jornal que mais se expressou contra o Programa de Cotas Raciais e outros programas sociais do Governo Federal.

Tendo em vista as pesquisas realizadas, comprovando a eficácia dos programas sociais do Governo Federal,que tem dado novo direcionamento sócio-econômico à população brasileira, pergunta-se àqueles ferrenhos adversários dessas políticas: E agora, Zé?

Abaixo, o artigo de Elio Gaspari, publicado no Jornal Folha de São Paulo, republicado no Blog de Luís Nassif,e que transcrevemos para nossos amigos do Blog Martins Andrade e Você… Do Ceará Para o Mundo.

Martins Andrade. 

 

Da Folha

ELIO GASPARI: "Brava gente, a brasileira"

Dados do Bolsa Família e da política de cotas ensinam o andar de cima a olhar direito para o de baixo

Atribui-se ao professor San Tiago Dantas (1911-1964) uma frase segundo a qual "a Índia tem uma grande elite e um povo de bosta, o Brasil tem um grande povo e uma elite de bosta". Nas últimas semanas divulgaram-se duas estatísticas que ilustram o qualificativo que ele deu ao seu povo.

A primeira, revelada pelo repórter Demétrio Weber: Em uma década, o programa Bolsa Família beneficiou 50 milhões de brasileiros que vivem em 13,8 milhões de domicílios com renda inferior a R$ 140 mensais por pessoa. Nesse período, 1,69 milhão de famílias dispensaram espontaneamente o benefício de pelo menos R$ 31 mensais. Isso aconteceu porque passaram a ganhar mais, porque diminuiu o número da familiares, ou sabe-se lá por qual motivo. O fato é que de cada 100 famílias amparadas, 12 foram à prefeitura e informaram que não precisavam mais do dinheiro.

A ideia segundo a qual pobre quer moleza deriva de uma má opinião que se tem dele. É a demofobia. Quando o andar de cima vai ao BNDES pegar dinheiro a juros camaradas, estimula o progresso. Quando o de baixo vai ao varejão comprar forno de micro-ondas a juros de mercado, estimula a inadimplência.

Há fraudes no Bolsa Família? Sem dúvida, mas 12% de devoluções voluntárias de cheques da Viúva é um índice capaz de lustrar qualquer sociedade. Isso numa terra onde estima-se que a sonegação de impostos chegue a R$ 261 bilhões, ou 9% do PIB. O Bolsa Família custa R$ 21 bilhões, ou 0,49% do produto interno.

A segunda estatística foi revelada pela repórter Érica Fraga: um estudo dos pesquisadores Fábio Waltenberg e Márcia de Carvalho, da Universidade Federal Fluminense, mostrou que num universo de 168 mil alunos que concluíram treze cursos em 2008, as notas dos jovens beneficiados pela política de cotas ficaram, na média, 10% abaixo daquelas obtidas pelos não cotistas. Ou seja, o não cotista terminou o curso com 6 e o outro, com 5,4. Atire a primeira pedra quem acha que seu filho fracassou porque foi aprovado com uma nota 10% inferior à da média da turma. Olhando-se para o desempenho de 2008 de todos os alunos de quatro cursos de engenharia de grandes universidades públicas, encontra-se uma variação de 8% entre a primeira e a quarta.

Para uma política demonizada como um fator de diluição do mérito no ensino universitário, esse resultado comprova seu êxito. Sobretudo porque dava-se de barato que muitos cotistas sequer conseguiriam se diplomar. Pior: abandonariam os cursos. Outra pesquisa apurou que a evasão dos cotistas é inferior à dos não cotistas. Segundo o MEC, nos números do desempenho de 2011, não existe diferença estatística na evasão e a distância do desempenho caiu para 3%. Nesse caso, um jovem diplomou-se com 6 e o outro, com 5,7, mas deixa pra lá.

As cotas estimulariam o ódio racial. Dez anos depois, ele continua onde sempre esteve. Assim como a abolição da escravatura levaria os negros ao ócio e ao vício, o Bolsa Família levaria os pobres à vadiagem e à dependência. Não aconteceu nem uma coisa nem outra.

Admita-se que a frase atribuída a San Tiago Dantas seja apócrifa. Em 1985, Tancredo Neves morreu sem fazer seu memorável discurso de posse. Vale lembrá-lo: "Nosso progresso político deveu-se mais à força reivindicadora dos homens do povo do que à consciência das elites. Elas, quase sempre, foram empurradas".

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